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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Não mói, mas mata!!


É um cenário infelizmente presente em qualquer um dos municípios da região de Sicó. É algo que não deveria acontecer, mas que, pasme-se, é a regra em vez da excepção. Tratam-se de duas estradas municipais que representam basicamente uma armadilha mortal em caso de incêndio florestal, tal como aquela onde faleceram algumas dezenas de pessoas aqui bem próximo. Não, não se trata de oportunismo, mas sim da continuação de algo que já faço há muitos anos, ou seja denunciar, alertar e debater algo de concreto e objectivo.
As entidades públicas conhecem esta realidade, contudo, e na prática, nada fazem. Será preciso voltar a ocorrer mais um desastre para que se metam mãos à obra e se faça uma faixa de contenção de cada um dos lados desta e de outras vias?
O lugar mais próximo destas duas vias fica situado a cerca de 300 metros e há mais 4 vias por onde as pessoas podem fugir em caso de incêndio, contudo, e lamentavelmente todas têm este aspecto, ou seja não há por onde fugir caso o incêndio seja muito rápido, tal como acontece nos incêndios em eucaliptal.
Vi um mapa presente num qualquer PDMFCI, para o período de 2017 a 2021 e constatei que esta área insere-se na categoria ""zona prioritária de dissuasão e fiscalização". Curioso, pois não vejo ali nada que configure dissuasão. Já a fiscalização, não me parece que, na prática, exista.
Já no mapa de perigosidade de incêndio florestal, estas duas áreas têm uma perigosidade muito alta e alta, tudo normal portanto. Quanto ao mapa de risco de incêndio, o cenário é o mesmo, risco muito alto e alto (nota-se bem que fizeram este mapa depois do último, já que o risco de incêndio não é "muito alta").
O que podemos fazer para mudar isto? É mais simples do que pensam. Em primeiro lugar basta deixar esse cantinho confortável, onde costumam ficar, mas apenas até que vos comece a tocar... Ultrapassada essa apatia e desresponsabilização, há uma coisa, que dá pelo nome de cidadania activa. Essa singela "coisa" possibilita-vos ir até à vossa câmara municipal ou até à vossa associação florestal denunciar estas situações. Uma queixa pode não fazer muita diferença, mas centenas de queixas já fazem mossa e ajudam a mitigar parte do problema. Pressionar com a ajuda das redes sociais também ajuda, tal como eu o bem sei.
E quando mais mortes voltarem a acontecer (infelizmente é inevitável, dado o cenário da eucaliptização...), todos aqueles que tiverem feito algo de concreto poderão estar de consciência mais tranquila, já que fizeram, na prática, algo para mudar o actual cenário. Algo tão simples como isto ajuda, de facto, a mitigar este cenário que ameaça a vida de pessoas.
E aproveitem para questionar todos o/as candidato/as às autárquicas sobre o que têm a propor para mitigar, de facto, este cenário. Este ano é pródigo para os pressionar...


quinta-feira, 22 de junho de 2017

Não somos apenas vítimas, somos também, e acima de tudo, cúmplices!


Podia colocar aqui uma daquelas fotos de grande impacto de um incêndio absolutamente destruidor a vários níveis e que ficará na história como o maior atestado da nossa incompetência, inacção e passividade enquanto povo perante um problema que já vai com quase 4 décadas. Mas não coloco, já que não sou apologista disso. Prefiro colocar apenas uma foto feia, com menos impacto e sem chamas à vista, mesmo que isso signifique menos visualizações. Não pode valer tudo, é uma lição que dou especialmente à TVI, mas não só...
Não me vou alongar sobre as causas que, em conjunto, levaram a esta tragédia, já que as causas são sobejamente conhecidas e, diga-se, estou cansado. O que falta então?
Falta atitude de todo um povo, a qual tem possibilitado uma letargia que já vai com quase 4 décadas. A falta de ordenamento do território é, no concreto, a causa de tudo isto. E todos temos culpa no cartório, uns mais do que outros, obviamente. Não é só o político tem culpa. O político é apenas o reflexo de quem os elege. A culpa é também de quem conhece bem esta realidade e teima em não limpar em redor das suas casas. Mas não só. Somos todos culpados morais desta tragédia e isso tem de ser dito com todas as palavras, goste-se ou não.
A melhor homenagem que podemos fazer aos que partiram será promover, de facto, o ordenamento do território, pois essa será, de facto, a única forma estrutural de precaver mais desastres como este. A melhor homenagem que podemos fazer aos que ainda vão resistindo por esta região é promover, de facto, o ordenamento do território. Promover o ordenamento do território é algo de complicado, é um facto, mas também é um facto que não temos feito por isso. Se não metermos mãos à obra tudo isto voltará a acontecer, mais tarde ou mais cedo. Há passividade, há inacção, há incompetência, há interesses e outras coisas mais. Que esta tragédia sirva de uma vez por todas para resolver um grave problema. Resta saber que vamos ter a coragem de o fazer ou se continuaremos a ser uns covardes, tal como temos sido nas últimas décadas.
E que ninguém se tente demitir desta tarefa. Seja em maior ou em menor grau, todos teremos um contributo para dar nesta nossa obrigação, ordenar o território, possibilitando o desenvolvimento territorial de toda uma região e de todo um país. E notem que o problema não acaba quando as câmaras da televisão forem embora. Trata-se de um problema que começou há poucos dias e que se prolongará durante algumas décadas... 

domingo, 4 de dezembro de 2016

Atenção que o desastre continua no Inverno...


Infelizmente não pude ajudar ao combate a este incêndio, o qual afectou, entre outros, as Degracias. Infelizmente é uma imagem recorrente na região, onde ano após ano determinadas áreas ficam como podem ver nas fotografias. Também recorrente é o que se vê na segunda fotografia, ou seja placas de caça ardidas rapidamente substituídas. Pena é que os caçadores se preocupem mais com a substituição das placas do que com a recuperação ambiental das áreas ardidas...


Este foi um grande incêndio, o qual calcorreou centenas de hectares do carso de Sicó. Este foi um incêndio que castigou fortemente uma área frágil e, diga-se, já fragilizada a vários níveis, condenando um modo de vida ancestral. Famílias que tinham o olival como sustento, viram tudo transformado em cinzas. As televisões, sedentas de chamas para encher os jornais das 13 ou das 20, faziam fila para filmar o desastre inicial. Contudo, agora que o desastre continua sem chamas, mas com erosão dos solos e dificuldades para toda uma população idosa, a coisa já não é interessante para explorar nos mesmos jornais. E de quem é a culpa? Nossa, pela inacção enquanto povo. Pouco ou nada se trabalha a montante, de forma a evitar grande parte deste cenário, e continua a seguir-se uma linha de despejar dinheiro na prevenção, a qual, diga-se, se resume a muito pouco. A prevenção activa que se fazia há coisa de uma década, é coisa do passado. As carrinhas então utilizadas na prevenção, fazem tudo menos prevenção. As motas, essas desapareceram do mapa.


Os últimos anos têm sido relativamente calmos para alguns dos municípios da região de Sicó, facto que trouxe consigo um relaxamento pouco desejável e, diga-se, contraproducente. No fim da linha estão os bombeiros, os quais são muitas vezes o bode expiatório para muita gente. A maior parte das vezes as críticas são injustas, facto que importa destacar. E poucos são os que têm conhecimento e moral para falar sobre esta temática.
Já agora, aproveitem para se fazer sócios da corporação de bombeiros do vosso concelho, pois é uma boa prenda que podem dar a vós próprios. Isso mesmo, vós próprios.


Nestes dias de frio, aproveitem para ir até estes locais fantasma, pois é a forma mais eficaz para reflectirem sobre este desastre e sobre as respectivas consequências. Lembrem-se que a vossa passividade e inacção contribuem para este cenário. E não, não é uma fatalidade, trata-se sim de um problema tremendamente complexo, com muitas variáveis, mas com solução, tendo a sua génese nas más políticas de ordenamento do território promovidas nas últimas décadas. As próximas décadas não serão melhores, contudo podemos e devemos reverter esta agonia crónica que nos condena e nos tortura a cada Verão que passa. Findado o Verão, tudo se esquece, pelo menos até ao próximo...


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Na teoria a escolha é óbvia. E na prática, será?!


Não, não vou falar daquelas conversas que andamos a ter, ano após ano, a cada Verão, há mais de 3 décadas, pois já chateia de tanta treta, de tanto especialista do sofá e de tanto teórico, daqueles que sabem apenas a teoria mas que lhe falta a prática para sustentar devidamente as suas posições técnicas e científicas. Chega-se ao extremo de ver um instituto de investigação de fogos florestais afirmar taxativamente que, e passo a citar "a dimensão dos fogos em Portugal depende, entre outros factores, da continuidade do espaço florestal, mas não depende da espécie ou mistura de espécies constituintes". Hoje é fácil mandar uma série de variáveis, sem distinguir variáveis dependentes de variáveis independentes, para um qualquer SIG e interpretar cegamente o que dali sair. Basta clicar no rato e venha daí...
Não vou falar do espectáculo que as televisões nos proporcionam, com aquelas labaredas enormes. E dos maluquinhos do costume, não? Não! Já nem preciso falar da maçada que é abordar o cancro do eucalipto e de todos aqueles que de forma activa ou de forma passiva o defendem. Escusado será também falar do papel dos sucessivos governos nesta festa pirómana e do sucessivo sacudir a água do capote. Hoje mesmo ri-me à fartazana quando li que o actual governo considera incomportável a contratação de 200 vigilantes da Natureza (supostamente 4 milhões por ano) mas que ao mesmo tempo considera natural um gasto anual de 100 milhões no combate aos incêndios. É apenas um episódio de uma interminável novela patética... Ordenamento do território? O que é isso?!
E também não vou falar da confusão de alguns bombeiros, que confundem o inequívoco mérito de ali estar, sob o risco iminente de vida (recorrente...) a defender pessoas, bens, a floresta e a monocultura do eucalipto, com a competência (ou falta dela) para defender tudo isto. Sou imparcial e não tenho temas tabú.
Não, não vou falar disto tudo e de muito mais, vou sim falar da vossa culpa no cartório. Sim, tu, tu e tu, pois a culpa disto começa em cada um de nós. Começa em primeiro lugar num povo que se consegue mobilizar por uma selecção de futebol, mas que não se consegue mobilizar para acabar com um dos piores problemas estruturais que Portugal tem tido nas últimas décadas, uma guerra que nos consome a alma e o coração. 
Há uns meses li algo de brilhante, que quero aqui partilhar com todos. Num artigo com o título de "Da impossibilidade do empreendorismo nacional: uma viagem por algumas tradições culturais portuguesas", na Revista XXI Ter Opinião (nº 2 - 2013), Paulo Guinote escreveu o seguinte:
"Assim acabamos confortáveis por sabermos fazer o diagnóstico com rigor e ficarmos de bem com a doença. Mas não nos curamos."
Quando li esta frase pensei para comigo que era isto mesmo, sem tirar nem pôr. Sabemos qual é o problema, sabemos como resolvê-lo, mas ficamos por aqui. Porque não o resolvemos? Parece que é uma questão cultural. Depois pensei que iria precisar de uma fotografia para ilustrar o comentário. Não queria uma fotografia com chamas, pois isso além de parvo é um cliché. Queria algo que vos fizesse reflectir e para isso escolhi esta fotografia nua e crua. Podem pensar que a escolha é óbvia. Escolher o verde, neste caso o carvalho, é, na teoria, a escolha da esmagadora maioria daqueles que estão a ler este comentário. Mas vejamos, o que é que cada um de vós faz para materializar esta escolha? Isso mesmo, na prática nada, daí a nossa inacção, enquanto povo, resultar no que está na palma da luva da vossa esquerda, simplesmente cinzas, vazio, morte e destruição pura e dura...
Resta saber o que queremos para o nosso futuro. Resta saber o que vocês estão na disposição de fazer para acabar com esta guerra, se querem ou não ser consequentes. A dica está dada e espero a vossa resposta...

Finalizo com um agradecimento ao Mário Almeida pelo envio da fotografia, tal como pedido.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Será que é preciso uma tragédia para abrirem os olhos?!


É uma imagem que eu considero bem ilustrativa da falta de ordenamento florestal na região de Sicó. É um local que conheço bem e que já cruzei centenas de vezes. Nos últimos 11 anos nada mudou, apenas se manteve a vontade do lóbi do eucalipto, já que cada metro de eucaliptal conta para a engorda do tipo foie gras.
As entidades públicas conhecem esta e outras situações. As Associações Florestais seguem-lhe o exemplo. Prefere-se olhar para o lado e assobiar, como se não fosse nada. Até ao dia...
O que vocês vêm na foto é precisamente o que não deveria acontecer. Será que é preciso morrer algum bombeiro ou popular naquele local para que a situação seja corrigida? Será que é mais importante não chatear os donos dos terrenos do que, mesmo compulsivamente, pegar na motosserra e criar a necessária faixa de protecção? E as ZIF´s, para que servem?! 
São ratoeiras como aquela que têm deixado um rasto de tragédias em Portugal, onde se inclui a região de Sicó. É o lóbi do eucalipto, associado à fome de dinheiro fácil, que tem contribuido para estas mesmas tragédias. É a política da treta que tem dado cobertura a situações como esta.
Muitos falam, mas raros são os consequentes. Muitos falam, mas poucos sujam as mãos. Muitos falam, mas muito poucos são os que tristemente arriscam a vida em vão, há que dizê-lo com frontalidade. Não há eucaliptos que compensem a perda de uma vida. Para bom entendedor...


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

A Máfia do eucalipto...


Estas são imagens de um local que ardeu no início de Setembro. Não importa dizer onde foi exactamente, importa apenas saber que foi na região de Sicó, em plena Rede Natura 2000 e que daqui a 1 ano irei voltar ao local para fazer novo registo fotográfico. Aposto que daqui a 12 meses este local estará povoado por... eucaliptos. Ali ao lado já estão massificados, aposto que de forma ilegal (brevemente irei indagar...).
Há incêndios e há incêndios, este foi daqueles especiais e muito curiosos. Se eu fosse bruxo diria que quem manipulou o fósforo teve uma intenção concreta e objectiva, a de fazer arder aquela área, de forma a não só limpar o mato, bem como queimar uma floresta valiosa, de modo a abrir caminho ao eucalipto. Foi um incêndio estratégico e, diga-se, resultou em pleno. Não foi só mato que ardeu, pois oliveiras, pinheiros e medronheiros foram todos à vida. 
E os belos medronheiros, que tanto medronho e dinheirinho poderiam dar? Claro, dá trabalho apanhar. É preferível deixar arder para depois surgir o eucalipto, pois esse não dá trabalho nenhum.
Nos últimos anos houve quem de forma brilhante promovesse um ambiente muito propício para a plantação de eucaliptos. Isto não sem que ardam milhares de hectares de floresta. A monocultura do eucalipto ganha terreno mesmo nos locais mais improváveis, ou seja em áreas protegidas. Não será estranho que certos antigos quadros de empresas privadas, ligadas à exploração florestal (essencialmente ligadas às monoculturas) estejam hoje em dia nos quadros de entidades públicas que, supostamente, defendem a floresta portuguesa. Não será também estranho que a educação ambiental tenha, no concreto, retrocedido muitos anos nessa mesma entidade pública, onde, curiosamente, se gastam resmas de papel premium, mesmo em época de vacas magras.
E a fiscalização é uma palavra vã, o que importa é plantar eucaliptos, mesmo que de forma ilegal, pois o progresso é assim mesmo, pelo menos aos olhos de gente sem escrúpulos. A estes, apetece-me mandar para um certo local, mas felizmente que aqui não é local para utilizar linguagem menos própria.
E é assim a realidade. O dinheiro cega quase tudo e quase todos. Já quase que se acha normal ver arder tanto hectar para depois surgir eucaliptal. Seguimos na onda da passividade e há quem ganhe milhões com isso, já que afinal os incêndios são um verdadeiro negócio. Até o que há uns anos não se aproveitava hoje em dia se aproveita. Compra-se queimado e ganha-se à mesma dinheiro...
Se souberem de plantações de eucalipto ilegais, denunciem! Se perceberem que há ali jogadas duvidosas denunciem!



quinta-feira, 9 de julho de 2015

Dois anos depois do incêndio, surge o terrorista que ameaça a floresta de Sicó...



Duas imagens do mesmo local. Passaram dois anos desde que ocorreu um incêndio no local onde as fotografias foram por mim captadas. Dia 8 de Junho, ontem, voltei a passar no local e eis que me deparei com o triste e preocupante cenário. Apenas dois anos após o incêndio, eis que o terrorista do eucalipto já se estabeleceu no local, reivindicando mais um bocado de terra para uma ideologia também ela terrorista. Desta vez foi entre a Lagoa Parada e os Ramalhais. Acho curioso este facto, daí estar particularmente interessado em saber se o dito facto é legal. Que é curioso é... 
Acontece muitas vezes ocorrer um incêndio que acaba por dar jeito para limpezas de mato e afins, sem custo associado para o proprietário. Acontece muitas vezes que este azar transforma-se em sorte, já que assim fica caminho aberto para a eucaliptização. Não sei se este é o caso, mas é importante fazer este raciocínio para estimular a memória à face dos acontecimentos. Nuns casos será mesma essa a intenção, noutras será apenas uma "feliz" coincidência. Muitos continuam a plantar eucaliptos sem licença alguma, alguns têm azar e são denunciados. A ver vamos se este será um desses casos.
Brevemente irei dissertar sobre alguns estereótipos associados à floresta portuguesa, nomeadamente em área de Rede Natura 2000. Há fundos para manter a nossa bela RN2000, compensando assim os proprietários dos terrenos abençoados pela RN2000. Pena que as Câmaras Municipais da Região não informem devidamente os seus munícipes sobre estas oportunidades que não sendo aproveitadas, acabam por se perder. Porque não informam elas os seus munícipes sobre estas mais-valias? O Portugal 2020 tem dinheirinho para dar a quem quer...

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Mais do mesmo, ano após ano...


Ano após ano e mais, andamos nesta novela há 3 décadas! Todos os anos se dizem as mesmíssimas palavras, contudo, na prática pouco ou nada se faz para resolver o problema, mesmo que se saiba, desde sempre, o que afinal causa esta autêntica guerra pirómana. É esta a triste e recorrente realidade, na região e no país. O povo português parece que, no fundo, gosta, pois das muitas coisas que exige, uma delas não é concerteza, no concreto, o términos desta guerra que consome o país e vidas, ano após ano. Parece que o problema, para alguns, só o é quando chega perto da casa deles, pois caso não chegue perto, isso já é problema dos outros. Egocentrismo tuga no seu melhor.
Pior ainda, o governo diz, literalmente, que a política não tem culpa nesta questão, quando afinal o problema começou precisamente com as más políticas... Todos os governos têm feito asneira e caído nos mesmos erros. Eu diria apenas que agradam a certos interesses económicos, aos quais é favorável esta piromania crónica. A inactividade de quem nos desgoverna é algo de positivo para certos lóbis.
A floresta vai desaparecendo, onde ainda existe, pois onde isso já não acontece, existe apenas a monocultura do eucalipto, que não é floresta. Não se investiga o lóbi do eucalipto, quiçá por ele ser demasiado poderoso. Até existem "eco"-mercenários, defensores das celuloses, que se fazem de ambientalistas, mesmo que já tenham sido topados e votados ao desprezo.
As culpas são quase que apenas dos maluquinhos que metem o fogo, só isso se fala, pois tudo o resto parece que não importa tanto. Obviamente que há maluquinhos na festa e eu até gostava de ter uma conversa muito séria com alguns deles, para lhes mostrar o meu ponto de vista. Sou uma pessoa pacífica, no entanto abro excepções...
As televisões parece que também adoram esta guerra, e a cada entrevista com os populares, lá aparece a queixa da pessoa que gosta de criticar os bombeiros, mas que se acha no direito de não limpar em redor da sua casa. Casos não faltam, de pessoas que não limpam em redor da sua casa e os seus terrenos, e depois lá tem de vir o zé bombeiro mitigar de alguma forma a porcaria que muitos fazem e deixam fazer neste nosso país e nesta nossa região, Sicó.
Choveu há escassas horas e já há pessoal a fazer borralheiras. Bravo para esta gente que não aprende com o que se tem passado nas últimas 3 décadas!
Ontem foi mais um dia muito triste, onde mais um bombeiro voluntário nos deixou e deixou o país mais pobre, talvez também daí este meu comentário mais revoltado.
Enquanto não decidirmos acabar com esta guerra pirómana, ela irá continuar, ano após ano. Quase todos têm culpa num problema que só o é porque, no fundo, o permitimos, e essa é a cruel realidade, gostem ou não...
Ordenamento do território, é simples e não custa entender!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Falar de incêndios florestais no... Inverno!


Muitos só falam desta questão literalmente no calor do Verão, época em que parece que nasce um especialista por cada árvore existente na região. Dito de outra forma, todos falam, mas poucos sabem do que falam. Os que efectivamente sabem da coisa, raras vezes são ouvidos. 
Obviamente que também há aqueles que pensam que sabem, mas isso já é tema para outras conversas, fora da esfera pública...
Perguntarão alguns porque carga de água estou eu a falar de incêndios florestais em pleno Inverno, ao que eu respondo que é precisamente agora, com calma e ponderação, que se deve falar dos mesmos.
A melhor forma de combater os incêndios é prevenindo-os e isso faz-se fundamentalmente no Outono e no Inverno. Faz-se também (e fundamentalmente...) ordenando o território, mas isso é coisa que não dá votos e poucos, como eu, querem saber desta questão que vai consumindo Portugal, ano após ano.
A maior parte de nós lembra-se dos incêndios florestais apenas no Verão, especialmente se este estiver a chamuscar alguma propriedade nossa. Nessa altura todos se lembram dos bombeiros, uns de forma sã, outros nem por isso. Os que se lembram dos bombeiros de forma nada sã, são precisamente aqueles que não limpam os seus terrenos e, quando a coisa aperta, pensam que os bombeiros são omnipresentes e que se multiplicam como pão... Isto já para não falar daqueles que ameaçam que dão um tiro aos bombeiros, ou que os malham, tristes figuras (frequentes...) que se vêm neste Portugal e nesta região, digo eu...
Lembrei-me de falar nesta questão, a propósito de uma situação que vivi no último Verão, precisamente no local que as fotografias ilustram, um fundo de vale, plano. Ao chegar a este local, logo que entrei pelo terreno adentro, fiquei semi-enterrado em estrume quase até aos joelhos, coisa que até então nunca me tinha acontecido. Neste fundo de vale, foram depositados, ao longo de vários anos, centenas de toneladas de estrume de aviários próximos, daí a espessura de estrume ser enorme e daí eu, e outros mais, termos ficado inicialmente em maus lençóis. Este estrume esteve dias em combustão, o que torna bastante desagradável ficar-se semi-enterrado ali mesmo, literalmente no calor do momento.
A área é muito significativa, daí ter ficado perplexo com este crime ambiental, com vários anos, que foi posto a descoberto por um incêndio, também ele criminoso, digo eu...
É curioso voltar ao local de um incêndio meses depois, pois dá-nos uma visão diferente daquela que já tínhamos tido e pode também inclusivamente permitir leituras interessantes de como as coisas estão agora. 
A leitura que fiz foi simples, a de que este incêndio foi muito bom para a expansão do eucalipto num determinado local, pois áreas que até então estavam livres de eucalipto, estão agora prontas a receber o invasor. Eram áreas que estavam cheias de mato cerrado, e que o incêndio, de forma miraculosa, conseguiu limpar, e logo de forma gratuita e sem trabalho algum. 
É certo que também arderam áreas de eucaliptal, mas ali já é costume. Para variar, os que ali têm terrenos, pelo menos aqueles que ainda se importam minimamente com eles, chegam sempre à mesma solução brilhante, plantar eucaliptos, pois parece que só há destas árvores em Portugal. Espécies nobres, essas parece que não existem. O que se quer é plantar eucaliptos, supostamente para ganhar dinheiro, no entanto não se tem ganho dinheiro algum, pois recorrentemente as mesmas áreas voltam a arder. É o que se chama de inteligência, esta gestão da coisa...
É um comentário algo simples, mas cheio de conteúdo. Resumindo então, resta-vos agora limpar os vossos terrenos, pois até ao Verão têm todo o tempo do mundo!


domingo, 8 de agosto de 2010

Região de Sicó em chamas, uma triste e recorrente realidade

Foi um fim de semana deveras dramático na região de Sicó, um incêndio de grandes dimensões assolou uma área considerável, deixando um rasto de destruição que devia envergonhar quem nos governa. Mancha verde, casas velhas e barracões, desapareceu tudo em poucas horas, património natural e construído que desaparece... mais uma vez...
Não vou falar das causas dos incêndios, sinceramente estou saturado de andarmos há quase 3 décadas a falar mais do mesmo, a dizer que para o ano é que vai correr bem. Enoja-me que os incendiários existam e haja tanta impunidade, enoja-me que a classe política portuguesa não dê um murro na mesa e acabe com esta vergonha nacional.
A nossa classe política não se está para chatear, isso dá muito trabalho, por isso é que ano após ano é a mesma festa pirómana. O problema é o ordenamento do território, mas eles não querem saber. Alterar o cenário actual iria mexer com muitos interesses instalados, por isso é que as coisas continuam a arder ao ritmo das temperaturas, e o cenário futuro será bem pior tendo em conta o que aí vem. Fazem-se algumas coisas, mas bem devagarinho....
Não compreendo porque é que não se proibe as televisões de publicitarem os incêndios florestais, alimentando vontades mediáticas. Cultiva-se o show mediático que são os incêndios florestais e tudo o que isso envolve, parece que muitos concordam com esta ideia, mas na hora de fazer algo simplesmente ligam a televisão e quase que se deliciam com as labaredas e com a confusão instalada, gente medíocre....
Como já puderam observar por esta altura, este meu comentário é de revolta, ando saturado com esta história que se repete há demasiado tempo. Foi há quase 20 anos que fui ao meu primeiro incêndio, confesso que o mundo dos bombeiros é muito complexo, tem evoluído, nuns locais mais noutros menos, para melhor, mas há muito ainda para trabalhar. Felizmente que tem evoluído muito! Até neste mundo vejo situações que me põem os cabelos em pé, mas infelizmente tenho de aguentar,a boa vontade não consegue aguentar tudo. Além disso há coisas que não podem ser discutidas na praça pública, devem ser faladas apenas por quem sabe minimamente deste mundo algo complexo. Maus profissionais há em todos os locais, felizmente aqui são poucos os maus e muitos os bravos heróis!
O meu olhar de geógrafo por vezes vê coisas que não deviam acontecer, mas o que mais me irrita é esta classe política que ignora o problema na sua base, será que vamos aguentar muito mais tempo? Estou saturado desta classe política cobarde que permite esta guerra pirómana que ano após anos destrói o nosso património. Caso não houvesse tantos homens e mulheres bombeiro/as já não teríamos mancha verde....
Não me vou alongar mais, estou cansado demais para ter o raciocínio que me leva a escrever com qualidade. Não compreendo como é que um bombeiro anda num incêndio 14 horas seguidas apenas com 2 sandes no estômago (após 14 horas deram jantar, eram 4 da manhã), é apenas um dos muitos exemplos da triste realidade, por mais que entidades públicas digam que as coisas correm bem, tentando esconder verdades incómodas...
Fez no último sábado (dia 7) 5 anos que tive um grave acidente, no decorrer de um incêndio (curiosamente na mesma área que agora ardeu novamente), tive de fazer fisioterapia e tive de pagar do meu bolso 700 euros, mesmo tendo sido um acidente em serviço. Tenho um problema para a vida inteira e a culpa morreu solteira...
Está a fazer 4 anos que viajei pela primeira vez lá para fora, e quando já estava de volta soube que tinha chegado a Portugal quando.... comecei a ver colunas de fumo da janela do avião...
É esta a triste realidade de Portugal e a região de Sicó não escapa, muitos dos que nos visitam ficam espantados com tamanho sadismo deste povo português, o qual sofre ano após ano e continua a não dar um murro forte na mesa para acabar com este mal que nos corrói todos os anos.
Só mesmo para finalizar dou três exemplos que me motivam bastante e mostram que ainda há pessoas com um coração daquele tamanho (bem hajam!), em vez dos mirones que gostam de ir ao incêndio com o seu pópó estorvar aos bombeiros só para ver aquela tristeza.
Passava da 1 da manhã quando uma senhora de 70 anos nos foi levar bolachas à frente de uma capelinha e fazer café em canecas lá da sua casa, foi algo lindo de se ver naquele cenário dantesco. Levou também umas mantas para o pessoal se deitar no chão de cimento de uma forma minimamente confortável. Foi de uma destas mantas que fiz uma almofada e dormi quase 2 horas (entre as 6:00 e as 08:00 +-) tendo acordado de manhã com os hélis já em acção.
Era quase 1 da manhã quando fomos abastecer combustível às bombas do Ramalhal e foi-nos oferecido pelo dono um bocado de queijo e um bocado de pão, além de um pacote de batatas fritas e um sumo. Soube melhor do que leitão, acreditem! Soube que até naquele local eu era uma pessoa conhecida, quem diria!
Eram 6 da tarde e estava eu a ajudar a puxar mangueira ao lado de um terreno, estanto parado à espera, de repente um coelho pequeno, cheio de calor passou a apenas 2 metros de mim sem medo e devagarinho, concerteza assustado com a destruição.
São momentos como estes 3 que nos dão alento em cenários tão macabros como ver noite dentro dezenas de pinheiros antigos em chamas, que nem arranha céus a arder em plena floresta.
Agora vou dormir umas horitas, pois acho que já mereci um breve descanso, amanhã é dia de trabalho!
Deixo então uma nota de apreço pelos nossos heróis bombeiros e uma grande nota negativa a muitos políticos cobardes, que permitem esta vergonha nacional!