Depois de ter tido conhecimento desta situação, no Alvorge (Ansião) a primeira coisa que me apetece propor é que quem fez esta "limpeza" seja não só responsabilizado pela asneira que fez, bem como ser obrigado a ser acompanhado por um engenheiro florestal, botânico ou afins, de modo a não fazer mais asneira.
Soube disto através das redes sociais e pedi autorização para utilizar estas fotos, as quais foram postadas por uma cidadã lesada por esta acção imbecil.
É um problema que tem ocorrido um pouco por todo o país e que se agravou com aquela tal lei, feita à pressa, e com fins meramente de propaganda política e pouco mais, de modo a evitar novas tragédias como as que ocorreram em Junho e Outubro últimos. De resto está tudo igual, pois não se foi ao cerne da questão.
Limpezas deste tipo não podem ser concessionadas à hora (pagamento à hora). Este tipo de trabalho tem de ser pago na base da competência e da qualidade do trabalho. O que se vê nas fotos é borrada e da grande. Quem fez este serviço comigo nunca mais trabalharia, pelo menos até provar que é competente para este tipo de serviços, que exige conhecimento e respeito pelos valores em causa.
Se fosse nas bermas de uma auto-estrada, fazia sentido que fosse a regra e esquadro, contudo não estamos numa auto-estrada, mas sim na floresta de Sicó.
À hora que escrevo este comentário sei que as entidades oficiais já foram ao terreno, depois de alertadas para esta situação. Tendo em conta os esclarecimentos, julgo que situações deste tipo serão mais difíceis de acontecer. Resta agora tirar ilações do que se passou e pugnar pelo cumprimento das boas práticas neste domínio. Aqui, também, se vê a falta dos Serviços Florestais...
Tem sido demasiadas as árvores abatidas ou irremediavelmente afectadas por limpezas feitas a regra e esquadro, por máquinas que cortam tudo o que aparece, sem distinções nem atenções...
Isto já para não falar da madeira roubada por alguns ou retirada por outros numa de chico espertismo...
E o derrubar de muros antigos também não é aceitável, seja de que forma for. Resta saber se os muros, ou pelo menos as pedras derrubadas vão ser repostas no seu devido lugar.
Em Abril de 2016 a Srª Maria Luísa Ferreira, afirmava ao Jornal Terras de Sicó sobre este caso, que a água saía límpida para uma linha de água, facto que cedo demonstrei que era mentira. O anterior executivo municipal deu cobertura a esta situação, já que além de alegadamente ter sido quem construiu aquele esgoto/dreno ilegal, sempre manteve o apoio a quem poluía e continua a poluir.
Hoje, 19 de Dezembro de 2017 eu tenho um presente para esta senhora, que conheço há quase 30 anos. Trata-se, nada mais nada menos, do que análises da "água" que ela afirmava que saía límpida para uma linha de água. Os resultados são bastante comprometedores, bastando olhar para os valores decorrentes das análises. São resultados que me envergonham enquanto ansianense que preza o seu território e que não dão margem para dúvidas. São resultados que mostram que temos muito que evoluir, já que até agora se deu primazia ao interesse privado em detrimento da saúde pública de milhares de pessoas. Espero que os resultados que saíram da análise da "água" sirvam, de vez, para que este atentado ambiental tenha um fim de uma vez por todas.
Quem perceber mais disto, pode comentar, já que não é fácil que todas as pessoas compreendam, de facto, os resultados nem o que está em causa. Trata-se de contaminação dos aquíferos e de uma questão de saúde pública. Espero que se promova um estudo sobre o real estado da água dos aquíferos, já que a água é um recurso imprescindível para a nossa sobrevivência. E além disso o dinheiro não mata a sede, é a água que o faz. E se alguém polui a água, terá de pagar um preço bem alto!
Agora partilhem, já que presentes destes são raríssimos! Cheque-mate...
Apaguei destes documentos alguns dos meus dados pessoais, portanto não se espantem não ter a minha morada e afins.
Mais uma vez relembro que se alguém quiser contribuir para a despesa que tive com estas análises, já sabem como me contactar, de forma a dar um muito pequeno contributo.
Baptizei esta operação com o nome de código de "Porcahontas" e confesso que já me ri bastante à conta deste nome, inventado meramente para dar nome a uma acção de recolha de "água" no Alvorge, para análises laboratoriais.
O caso é bem conhecido e até agora deu muito que falar. Agora que o cenário político é outro, espero sinceramente que o proteccionismo político, evidenciado pelo anterior executivo camarário, a quem tem poluido acabe de uma vez por todas, especialmente a bem da saúde pública. Agora que o executivo é outro, estou esperançoso que a coisa comece a ir no bom caminho, de forma a resolver este grave problema ambiental, que ameaça a saúde pública, através da contaminação dos aquíferos. A impunidade tem de acabar!
Mas vamos então à operação "Porcahontas". Basicamente fui ao local do esgoto ilegal, que drena livremente para terrenos vários e linha de água (indo ter a um sumidouro mais adiante...). Ao chegar ao local, constatei que era mesmo verdade o que as minhas fontes me tinham confidenciado. Há coisa de 3 meses, quiçá na despedida, alguém cobriu com brita a zona onde o esgoto brota, numa tentativa de tapar o sol com uma peneira (santa ignorância...). Uns 10 centímetros que me fizeram voltar a casa para trazer uma enxada. Depois procedi ao destapamento da área onde se situa a tampa de esgoto. Levantei a tampa e, antes, tive de inspirar fundo, não fosse ficar inconsciente com a podridão ali existente... Peguei nos recipientes e enchi os mesmos, tendo de lavar as mãos, com água que tinha trazido já com esse propósito numa garrafa de plástico. Depois foi simplesmente baixar a tampa e recobrir a mesma, de forma a que não ficasse ali um buraco.
Depois desloquei-me até um centro de análises laboratoriais e entreguei os recipientes. Paguei uma importância, que penso que será provisória e terá de ser alinhavada de acordo com as análises de facto efectuadas e fui informado que dali a 10 dias teria os resultados. Sei que há algumas pessoas que mostraram disponibilidade para me ajudar a custear esta despesa, portanto se assim o entenderem, basta falar comigo para acertarmos contas.
Custou ficar calado este tempo, mas já tenho as análises na minha posse. Nos próximos dias divulgarei aqui os resultados, os quais espero que possam fazer acordar as pessoas que ainda não acordaram e que não entendem o que está em causa é mesmo a sua saúde. A ver vamos se essas pessoas consideram que o interesse privado de alguns e a poluição causada por esse mesmo interesse privado se sobrepõe à sua saúde e à saúde dos seus filhos, familiares e conhecidos...
Nos próximos dias irei publicar aqui os resultados das análises, portanto estejam atentos...
Por falta de tempo, estive algumas semanas sem ir ao Alvorge, de forma a continuar a monitorização do esgoto (dreno) ilegal, mas na semana passada consegui finalmente lá ir. Na edição da primeira quinzena de Abril, da edição do Jornal Terras de Sicó, a provedora da Santa Casa da Misericórdia do Alvorge, a Srª Maria Luísa Ferreira, afirmava que, e passo a citar, "a água sai límpida para uma linha de água". O autarca Rui Rocha tinha a mesma postura, de negar o que estava e está à vista de todos, muito embora, e após a denúncia, afirmasse na imprensa que era um problema preocupante. O impacto mediático desta situação foi enorme, mas infelizmente, e até agora, de pouco valeu, já que, no essencial, tudo se mantém. Resta portanto continuar a dar visibilidade a esta situação e monitorizar a mesma, já que ao contrário do que a Srª provedora possa pensar, o caso não está fechado, está sim em aberto. E mais não digo... A ilegalidade é para acabar e o esgoto para ser tratado, a bem da saúde pública e da seriedade institucional.
Peço a todos que divulguem esta situação e partilhem nas redes sociais, já que, como eu bem sei, isso pode fazer toda a diferença na hora de resolver situações de todo o tipo. Esta situação é particularmente grave, daí a minha dedicação a este caso.
Finalizando, gostaria de pedir à Srª provedora Maria Luísa Ferreira que nos elucidasse sobre aquela matéria orgânica, pois concerteza ela saberá explicar o porquê do sucedido. Como boa gestora que é, de certeza nos poderá elucidar sobre os elementos poluentes ali presentes e o porquê da situação estar pior. Genericamente eu sei o que é, mas o público pode não saber...
Num país avançado, daqueles que tanto fazemos questão de gabar quando queremos fazer comparações, os atentados ambientais com o apoio de entidades públicas várias são mais difíceis de ocorrer, mas afinal estamos em Portugal, uma bela república das bananas, onde tudo se pode fazer, onde há quem, à revelia das mais elementares regras, defenda gente velha amiga da política, seja a que custo for, mesmo que quem fique a perder seja o interesse público e a saúde pública. Para que as asneiras ambientais e uma quase total impunidade sejam possíveis basta ter dinheiro e/ou estar ligado directa ou indirectamente aos círculos de poder "político"/económico. Neste país chega-se ao cúmulo de olhar de lado quem denuncia e aplaudir quem polui, pois o dinheiro fala mais alto.
Reflexões à parte, e indo directamente à questão, volto a abordar uma situação que considero escandalosa, já previamente denunciada e explanada. Alguns meses após a denúncia, a qual fez muitas pessoas perder medo de falar (embora haja muitas outras que continuem com receio de falar...), eis que a impunidade continua à vista. O esgoto continua a prendar quem por ali passa com o mau cheiro e com uma água com propriedades... pouco amigas da saúde humana. E, há que sublinhar, este esgoto, ilegal, e construído pela própria autarquia, a pedido da entidade responsável pela produção daquela água com propriedades... especiais, tem tido basicamente livre trânsito para poluir, algo que me choca profundamente enquanto cidadão e geógrafo. Porque será que o mais simples e humilde cidadão tem de ter uma fossa séptica e, quando cheia, tem de mandar vir o tractor para despejar no local indicado (ETAR) e uma entidade pública ou privada não o tem de fazer? Porque será que, além de se manter um sistema caduco, se construiu um esgoto para drenar livremente para um sumidouro (ex.), a partir do qual a poluição se vai espalhar em poucos dias por um raio de alguns km a dezenas de km? Dois pesos e duas medidas? E o ordenamento do território, é algum enfeite para inglês ver?!
Estas fotos e os vídeos foram registados há poucos dias, já que este local está a ser monitorizado por várias pessoas desde há largos meses. E vigiado também... Acho uma graçola ir aquele local e logo depois aparecer o "fiscal".
Peço especialmente a todo/as o/as aquele/as que vivem no Alvorge denunciem esta situação e façam pressão, de forma a que a situação seja resolvida. Vão ao local, tirem fotos, façam vídeos e partilhem nas redes sociais, sem medo nem receios. Porque é que o deverão fazer? Simples, porque terceiros estão a poluir os (vossos) recursos aquíferos, precisamente aqueles que tanto precisamos. As vossas reservas de água, recurso estratégico para as próximas décadas, estão a ser comprometidas com o vosso consentimento, através da vossa passividade. A água é um recurso crucial! O que consideram mais importante, defender quem polui ou defender a vossa saúde e a saúde de milhares de pessoas? Não se trata de saber se existe poluição, mas sim saber a real magnitude da mesma. Sim, porque é isso e apenas isso que está em causa. Agora peço-vos o favor de partilharem este comentário, pois isso pode fazer muita diferença e levar a bom porto esta questão.
Esta é uma novela que já teve episódios muito caricatos, com muita polémica, incoerência, contra-informação e que inevitavelmente terá continuidade. Sim, já que há quem diga que esta é uma não questão e que está tudo nos conformes. Muito pelo contrário meus caros, muito pelo contrário...
Era uma questão que estava em espera, mas que, após ler as afirmações de Rui Rocha ao Jornal de Leiria, há coisa de 2 semanas, ganhou novos desenvolvimentos.
Mas começando pelo princípio, vamos começar a desenrolar o novelo. Há 4 meses, quando abordei uma das questões mais quentes dos últimos anos aqui no azinheiragate (e que ainda não terminou...), Rui Rocha afirmou que afinal a ETAR do Alvorge afinal já não era para construir, tal como previsto no novo PDM de Ansião. Parece que de um momento para o outro o sistema de esgoto do Alvorge (bem como sistemas de pseudo-esgotos, a drenar para um aquífero?) já era para ligar à ETAR de Santiago da Guarda. Nesse momento fiquei confuso, já que Santiago da Guarda não tem uma ETAR mas sim uma EPTAR. E eu sabia que a EPTAR de Santiago da Guarda estava num estado que dispenso comentar, dadas as fotografias mais abaixo. E já não falo sequer da desadequação da mesma. Quase lembra a vergonhosa história da ETAR de Ansião, que demorou anos e anos a ser construída e quando foi feita já estava subdimensionada... Foi um péssimo cartão de visita de Ansião, pois a primeira sensação que tínhamos ao chegar a Ansião era mesmo o mau cheiro...
Na referida entrevista do autarca em causa, este referiu algo que me fez ficar algo perplexo. Depois de ser questionado sobre que grandes obras faltavam fazer em Ansião, este referiu que, e passo a citar "sinto-me feliz por dizer que não faltam grandes obras".
É neste momento que "a porca torce o rabo", pois na seguinte questão, quando questionado sobre a taxa de cobertura do saneamento neste momento, Rui Rocha referiu que era de... 40%. Casando esta questão com a da ex futura ETAR do Alvorge, da EPTAR de Santiago da Guarda e com a problemática questão da poluição dos aquíferos em meio cársico, tenho apenas a dizer que faltam claramente grandes e estruturantes obras. Claro que sei que a questão da poluição dos aquíferos não é nem nunca foi uma prioridade para Rui Rocha, mas é uma questão muito mais importante do que aquelas que o mesmo considera importantes e/ou prioritárias. Sugiro-lhe que em vez de uma de muitas viagens à Alemanha e a outros destinos do costume, faça uma viagem ao berço do carso (ex. Eslovénia), onde poderá aprender muito e retirar ideias importantes para aplicar no nosso belo território, além de conhecer as boas práticas ali promovidas e já há muito desenvolvidas. Há falta de conhecimento e evidente estratégia neste domínio e já estamos todos a pagar por isso mesmo, mesmo ignorando o facto...
A ETAR de Ansião não chega para as necessidades, falta uma ETAR no Alvorge e uma ETAR em Santiago da Guarda, bem como uma nova abordagem num território muito peculiar, onde há muito casario disperso. Há que começar a reconhecer que o paradigma das ETAR´s em meio cársico não é nem pode ser o que ocorre noutros territórios, do tipo chapa 5. Há inclusivamente a necessidade de apostar em soluções do tipo fossas biológicas, que, nalguns casos, são mesmo a opção mais racional e eficiente para moradias unifamiliares dispersas.
Felizmente que estamos perante uma excepção à regra, mas mesmo assim importa focar esta problemática, de forma a mitigar o que eu denomino como uma perda de competências no domínio do bom senso e da cidadania.
Há umas semanas atrás, quando abordei e partilhei num grupo do facebook o resultado de uma das minhas denúncias, surgiu um comentário que ilustra bem a gravidade da perda de competências no domínio da compreensão do território e dos seus valores e uma notória falta de sentido crítico perante os factos.
O comentário dizia "realmente nesse sítio tinha uma fauna exemplar, por favor procurem o que fazer, tanto mato para roçar e nada, enfim". Este comentário é bem a prova da iliteracia cultural que ainda vamos vendo pela região de Sicó e por esse país fora. Depois de uma denúncia sobre várias ilegalidades (3), surge um comentário que, imagine-se, apoia essas ilegalidades e que, quiçá, pretende dar lições de moral a quem defende a legalidade e pugna pelo bem público.
Não conheço a senhora que fez este comentário, mas fico com a ideia que conhece o visado da denúncia. Conheço agora apenas a escassa literacia ambiental da senhora em causa, ficando eu com sérias dúvidas se a mesma saberá o real significado de fauna, flora, Reserva Ecológica Nacional, ecossistemas, etc, etc. Pelo comentário da mesma, tenho sérias reservas, pois parece que confunde a fauna (animais) com flora (vegetação).
Curiosamente este tipo de comentários, tristemente infelizes, dá apenas mais razão e sustentação à minha posição, a qual privilegia a educação ambiental e cívica. Esta é uma das muitas razões que justificam o meu trabalho aqui no azinheiragate, o papel de educador. Mas para isso preciso de cada um de vós, pois só tendo pessoas para partilhar o conhecimento poderei ter sucesso no passar da mensagem e, assim, termos todos uma noção do que está em causa. A nossa maior riqueza é o nosso território, Sicó, que é a nossa casa. Se não cuidarmos dela, ficaremos em maus lençóis. Se cada um partilhar o seu conhecimento, seja ele qual for, todos ficaremos mais ricos e sairemos todos a ganhar.
Exm.ª provedora da Santa Casa da Misericórdia do Alvorge, Srª Maria Luisa Ferreira
Venho por este meio dirigir-me a si, por meio do meu blogue, acerca do que você refere como uma "denúncia sem fundamento". Por esta altura será escusado dizer quem sou, porque sabe quem eu sou e o que faço em termos profissionais. Escusado será dizer que sabe que eu sou um cidadão e um profissional muito incisivo em termos de acção pelo património e pelo ordenamento do território. Da mesma forma eu sei quem é e a influência que tem em termos políticos, sociais e económicos no Alvorge, facto que não me limitará de forma alguma na minha acção.
Decidi esperar umas semanas, de forma a dar tempo para que a comunicação social fizesse o seu trabalho e, melhor, que você pudesse responder através da imprensa aos factos que são imputados na denúncia que efectuei em sede própria. Assim sendo, passo então ao que mais interessa, querendo, contudo, registar o seu excelente sentido de humor quando refere que "a água sai límpida para uma linha de água". Aproveitando o facto, divulgo três fotografias que confirmam, de facto, o seu sentido de humor:
Na primeira fotografia, podemos ver uma lagoa de água bastante límpida. Talvez por isso foi aterrada depois da denúncia. Será que o reflexo de tal água cegava quem por ali passava? Se sim, foi uma excelente opção, não vá o reflexo da água causar algum acidente.
Na segunda fotografia, podemos ver um terreno, a montante, para onde escorreu cócó que saiu pela segunda tampa do esgoto/dreno ilegal. Gostaria de lhe perguntar várias coisas, uma delas é que como é possível água límpida transportar tudo aquilo, que demorou anos a acumular. Gostaria também de saber se sabe que eu tenho vídeos de 2012, 2013 e outros, onde mostra a água "límpida" a sair pela segunda tampa do esgoto ilegal, já que para montante o dreno já está completamente saturado de cócó, que acabou por começar a sair pela segunda tampa poucos meses após a obra (ilegal) feita.
Sabe que o cidadão comum tem de pagar para esvaziar a fossa que tem em casa? O cidadão comum não tem o privilégio que a Santa Casa da Misericórdia teve. Não vejo o comum cidadão ter a sorte de ter uma entidade pública a fazer-lhe um dreno, que, diga-se de passagem, fica mais barato do que ter de pagar para esvaziar os tanques, quando cheios. Se dependesse de mim, e enquanto especialista, esses tanques já teriam sido substituídos por um sistema que resolvesse o problema, pois sendo aquela área, situada numa região cársica, não é admissível que se pactue com uma poluição consentida, consciente ou inconscientemente.
Acho curioso, no mínimo, você não ter dito uma única palavra acerca do fundamental, ou seja, do esgoto ilegal, feito a seu pedido (Santa Casa da Misericórdia). Fala de tudo menos no que a compromete. Convenientemente é o facto de sua conversa sobre esta questão terminar no final do quarto depósito, quando a denúncia começa precisamente aí. Memória selectiva?
Sei que não está habituada ao contraditório, contudo sendo esta questão de domínio público e relativa à temática ambiental, eu faço questão de exercer o meu direito à cidadania, tal como o tenho feito até agora. E, também como já deverá saber por esta altura, eu sou bastante dedicado a este tipo de causas.
A semana passada ouvi uma de muitas conversas, onde diziam que o assunto estava arquivado. Contra-informação ou populismo demagógico? O assunto não está arquivado e está apenas no seu início. Gostei de ver na notícia do Jornal Terras de Sicó o seu sincronismo com o Presidente Rui Rocha, já que ambos referem os mesmos factos. É também curioso que apenas agora, e tendo em conta que o recente PDM prevê para ali uma ETAR, o presidente Rui Rocha refira que afinal o sistema de esgoto do Alvorge é para ligar à ETAR de Santiago da Guarda, o que mostra que qualquer coisa está muito mal no domínio do planeamento. Brevemente irei falar sobre esta maravilha de ETAR...
Uma outra questão, porque é que a Srª Maria Luisa Ferreira não comentou uma única vez sobre a problemática da poluição associada a este esgoto (facto!), será porque não lhe convém ou porque simplesmente não tem competências na área ambiental? Se quiser eu dou-lhe umas dicas, mas, e para já, posso dizer-lhe que o esgoto ilegal não está previsto em sede de PDM. Sabe o que isto significa?
Continuando, achei particularmente curioso a visita dos inspectores da APA coincidir com o despejo dos tanques, mais ainda eles surgirem já após a limpeza concretizada e algumas das provas comprometidas, concretamente as escorrências muito regulares ao longo dos últimos anos, não sendo de forma alguma esporádicas, tal como a Srª Maria Luisa quer fazer crer. Mas terá sido uma mera feliz e oportuna coincidência, pois num país de direito de outra forma não poderia ser.
Um aspecto positivo foi a posição da Junta de Freguesia do Alvorge, que cedo se mostrou preocupada com esta obra, feita à sua revelia e sem conhecimento. É raro ver uma Junta de Freguesia a manifestar preocupação acerca dos lençóis freáticos, coisa que nem a Srª Maria Luísa nem mesmo o Srº Rui Rocha fizeram neste caso, e de acordo com o que consta no Jornal de Leiria e no Jornal Terras de Sicó. A poluição que ali ocorre é um facto consumado, resta apenas saber o grau de contaminação do aquífero, o qual se pode estender por dezenas de km...
Já agora, como é que eles confirmaram que está tudo bem quando não está? Tem algum documento que o comprove? É porta-voz da APA? E a queixa-crime, feita por outras pessoas, porque é que também não falou disso? Já agora, sabe que, decorrente da queixa-crime, alguma documentação, até agora indisponível ao comum do cidadão, vai ser tornada pública? Irei esperar para ver o que nessa altura dirá quando confrontada com os factos.
Após estas semanas tenho observado algo que me preocupa, ou seja o facto de muitas pessoas terem medo de falar, algo que não se compreende numa democracia. No Alvorge há uma asfixia democrática assinalável. Contudo as redes sociais conseguiram quebrar o medo e divulgaram a situação. O mesmo se passará com esta carta aberta.
Como deve imaginar, eu irei estar muito atento a esta situação, fazendo questão de a monitorizar nos próximos meses, ou na pior das hipóteses, anos. O que me move? Simples, água límpida e boa para beber nas próximas décadas.
Os meus cumprimentos.
A suspeita existia desde Agosto de 2012, mas agora a suspeita tornou-se uma certeza. Quando era ainda uma suspeita, prometi que iria acompanhar a situação, o que em termos genéricos significa que mais tarde ou mais cedo iria descobrir a verdade. Quis o destino que, ao estar a ver os arquivos de um grupo de ex alunos de Coimbra, os quais, no decorrer de um trabalho académico, fizeram um levantamento fotográfico em 2012, me deparasse com algo tão comprometedor. Isto mesmo que os alunos não se tenham apercebido do que "inadvertidamente" guardaram para a posterioridade através de registos fotográficos. Ao passar por aquele local, e se calhar induzidos pela minha máxima (fotografa, pois mais tarde pode servir para algo...), acabaram por ali parar para ver que estranha obra era aquela. Abençoados!
Confesso
que não esperava que algo tão chocante fosse possível em Ansião, algo que
demonstra o quanto podre pode estar uma sociedade que deveria estar alicerçada
em valores e na ética. Mas vamos lá falar de um tabú...
Onde?
Alvorge, mais precisamente a escassas dezenas de metros do Lar do Alvorge. É um
tema que muitas pessoas têm medo de falar abertamente. Toda a gente fala entre si, mas publicamente ninguém tem coragem de o fazer. Compreendo perfeitamente
porquê, já que é um caso de excepcional gravidade, que, na minha opinião, compromete muito boa
gente, influente em termos políticos...(e quando assim é, há sempre o normal receio de
represálias, como eu tão bem sei...). Compromete
entidades públicas e de interesse público, bem como a imprensa de regime
(político), que, na minha humilde opinião, deu cobertura aos responsáveis por
esta situação, ao não investigar o assunto em termos jornalísticos. A imprensa não pode ser parcial...
Mas,
tal como devem saber, eu não tenho problemas em denunciar casos gravíssimos,
aliás sou temido pela minha frontalidade e, diga-se, tenho um gosto especial por casos complicados.
Num
país civilizado este caso deveria resultar em demissões, mas em Portugal, e na região
de Sicó, resultará apenas numa mais que provável vitimização e
desculpabilização por parte dos intervenientes. Com um bocadinho de sorte ainda
vou voltar a ler num qualquer jornal que há fundamentalismos que impedem o
desenvolvimento... E, claro, vou ser (novamente...) um "alvo a abater", mas afinal já o sou há muito tempo.
Mas
comecemos pelo início, passe o pleonasmo. No início de 2012 houve, alegadamente, uma entidade
pública que fez uma obra de “saneamento”, a qual consistiu basicamente em
drenar as fossas localizadas bem perto do Lar do Alvorge. O intuito não posso
dizer, pois não sou bruxo, mas posso dizer o que indicia perante os factos. O
tal “saneamento” não foi para ligar à rede de saneamento pública, aliás,
segundo o actual PDM de Ansião não está ali prevista nenhuma infra-estrutura
de esgotos, apenas uma ETAR no local circunscrito à zona das fossas. Ou seja, estamos perante um
esgoto não oficial e ilegal, o qual, em vez de encaminhar os esgotos para uma ETAR,
encaminha os esgotos para um sumidouro. Ora, isto é gravíssimo a todos os
níveis. Gostava de saber qual vai ser a desculpa por parte das entidades
envolvidas. Se estas tubagens não serviram para ligar à rede de saneamento, porque
foram as mesmas feitas, e logo na direcção oposta do núcleo urbano, onde não
existe sequer possibilidade de ligar à rede de saneamento?!
Na
edição do Jornal Serras de Ansião (Edição de 15/06/2012), a Provedora da
Misericórdia e figura histórica do PSD local, Srª Maria Luísa Ferreira,
afirmava que era falso que os esgotos se infiltrassem num algar ali próximo. Tinha razão, pois não é um algar, mas sim um sumidouro. Toda a trampa vai
directamente para o sumidouro, via linha de água e infiltração pura e dura, seguindo depois para o(s)
aquífero(s) Penela-Tomar e, possivelmente, Sicó-Alvaiázere. Das duas uma, ou a Provedora da
Misericórdia faltou à verdade, ou então desconhece completamente como foi feita
a obra. Espero que a Srª Maria Luísa Ferreira me possa esclarecer. E já agora,
espero que também me possa esclarecer como é que não há problemas de poluição associada à "rede
de esgotos". Não sendo especialista na temática ambiental, não tem competências técnicas que possam sustentar minimamente tal posição...
Lembra-se
de quando o Sr. Jaime Laim disse que a situação dos esgotos não estava
resolvida e, quando confrontada, a Srª disse que estava? (acta CM 2012 – 5 de
Maio, página 12...). Há alguma dúvida que, de facto, não está, nem nunca esteve
resolvida? Aliás, e tal como a referida acta refere, a obra (esgoto) ficou a meio, muito embora o esgoto tenha desde então vazado a trampa...
Há
um pormenor simplesmente delicioso, ou seja, os tubos foram alvo de cortes parciais e planeados (cortes
transversais), o que indicia que foram intervencionados para que os esgotos se
fossem infiltrando durante o trajecto (bela manobra, hein?!).
Falando em infiltração dos esgotos em meio cársico, deixo-vos com uma imagem bem pertinente...
Este trajecto
termina em terra de ninguém, no início da depressão que limita o grande
sumidouro do Alvorge. E não, no limite do “saneamento” não existe nenhuma ETAR,
só mesmo terra e rocha. Não é preciso ser-se especialista para perceber que há
aqui algo de muito errado, mas, em 2012, para a Srª Maria Luisa Ferreira, parecia que nada havia de errado...
Outra
componente interessante tem a ver com a entidade pública que autorizou tal obra
e que promoveu, na prática, a mesma. Eu ia jurar que conheço aquela máquina giratória de
algum lado...
Importa
também saber quem foi o técnico (Eng.º/ª?) que foi o responsável pela construção
do “saneamento”, bem como o autarca que lhe deu a ordem e orçamento para tal obra. Um
destes eu sei quem é, o/a outro/a não faço ideia, embora haja dois ou três
candidatos. Fico à espera do contraditório, caro Rui Rocha, pois politicamente falando, é o responsável pelo facto. Fico também à espera de um pedido de desculpas público, não só aos residentes do Alvorge, bem como aos residentes da região de Sicó, pois na minha opinião justifica-se plenamente.
Mas
continuemos, porque é que as fossas não têm sido regularmente esvaziadas e os
resíduos respectivos encaminhados para a ETAR de Ansião? (tal como alguns particulares têm de fazer às suas custas) Porque andam os
esgotos a vazar livremente e de forma impune? (como o sector terminal das tubagens já está
completamente entupido com tanta trampa, já vaza à superfície pela segunda
manilha, através da tampa – seguindo para a valeta, depois para o terreno,
linha de água e sumidouro) Porque é que esta situação não foi ainda resolvida?
Porque é que o caso não tem saído na imprensa local e regional? Ok, breve vai
sair, mas desta vez não conta.
E
não, não quero ouvir um mero pedido de desculpas, quero ouvir o mea culpa, pois nada pode
desculpar o que se tem passado por aqueles lados. E a saúde pública, quem vai
arcar com as responsabilidades? O que tem a dizer sobre isto Sr. Rui Rocha?
Não, não quero ouvir que a situação já está sinalizada, pois já o disse há 4
anos, e não quero ouvir que isto é da competência das Águas do Mondego, já que
também já o referiu há 4 anos. E não quero promessas, quero acção, em nome da
seriedade e do interesse público, onde se inclui a saúde pública. E, já agora, pretendo também um mea culpa da Srª Maria Luisa Ferreira. Errar é humano, negar o erro já não é bem assim...
Quem
tem a coragem de partilhar este comentário?! Deixo-vos com um pequeno vídeo que fiz há 2 semanas:
Estava a ser um dia fantástico e o passeio de bicicleta já ia longo. Andava à caça de boas fotografias num roteiro pré-definido, no entanto com margem para desvios. Só quando me estava a aproximar do local em causa, perto do Alvorge, é que me lembrei que aquele era dos locais mais fantásticos que conhecia na região de Sicó, dada a sua "especificidade cársica", um extraordinário sumidouro literalmente escondido por vários carvalhos, alguns centenários, e uma bela galeria ripícula, com exemplares também centenários. Era um cantinho do céu que tinha tido a oportunidade de conhecer ao pormenor há alguns anos, quando em espeleo prospecções tive a oportunidade de passar algumas horas no fundo daquele sumidouro. A descida era algo difícil, pois era um local bem guardado por vegetação dos estratos arbóreo e arbustivo. Simplesmente mágico.
Contudo não foi o céu que ali reencontrei, foi sim o inferno, pois uma mente brilhante achou que o melhor seria arrasar tudo aquilo (representado no ortofoto acima), cortando tudo o que por ali havia, atulhando parte do sumidouro e plantando, imagine-se eucaliptos. Tem inclusivamente eucaliptos plantados dentro do curso de água, que termina, à superfície, naquele enorme sumidouro.
Confesso que foi algo que não estava à espera e que me revoltou profundamente, dada a gravidade do sucedido. Já solicitei a intervenção da SEPNA, de forma a que esta possa confirmar a ilegalidade de algumas das acções ali ocorridas. Naturalmente que haverá um "prémio" para quem perpetrou tal acção.
É realmente preocupante constatar que mesmo locais tão isolados e tão valiosos do ponto de vista do ecossistema, são afectados de forma tão gravosa, nada está a salvo e um dos grandes culpados é o eucalipto e a sua liberalização. Este é um dos casos onde fica bem expressa a infelicidade de uma lei que promove a destruição de valores naturais fundamentais em prol do lucro puro e duro, seja a que custo for. A evidente iliteracia cultural faz o resto.
Nos próximos dias irei destacar a questão da monocultura de uma forma algo polémica, mas que faço questão de abordar de uma forma completamente diferente do que muitos estão habituados...
Esta é mais uma daquelas histórias que importa destacar, dada a sua especificidade. Falo, claro, da polémica associada ao novo sistema de drenagem dos esgotos que decorrem da normal actividade do Lar da Santa Casa da Misericórdia de Alvorge.
Esta era uma questão que, até há poucas semanas atrás, desconhecia. Isto porque, genericamente falando, já deixei de ler jornais de regime, os quais dão muitas vezes uma notável cobertura, parcial, a pessoas ligadas ao regime.
Assim sendo, e após me terem informado sobre esta questão, lá consegui ter algum tempo para ir ao terreno ver o que se passa. Já depois de me ter deslocado ao terreno, emprestaram-me um exemplar do Jornal Serras de Ansião (edição de 15/06/2012), onde pude ler uma notícia associada a esta polémica.
Confrontando aquilo que vi no terreno com aquilo que foi escrito sobre o mesmo, concluí que estamos perante algo que realmente vale a pena debater.
Fiquei bastante curioso sobre o facto da Provedora da Misericórdia, Maria Luisa Ferreira, referir que é falso que os esgotos se infiltrem num algar ali próximo, quando no mesmo texto refere que os tanques de decantação estão ligados a sorvedouros subterrâneos naturais... Isto parece-me, no mínimo incoerente, já que isto é basicamente dizer nim.
Importa referir que não sei quem fez a denúncia, nem sequer o conteúdo da mesma, estando desta forma a fazer um apontamento estritamente pessoal sobre esta questão, baseado no que vi e no que avaliei no terreno.
Prosseguindo, ao chegar ao local em análise, vi 4 poços fechados (tanques de decantação) e seguidamente vi o novo acrescento à rede de esgotos, a qual não vai ter a qualquer lado (porque será?!). Passando os poços, tem-se 3 ou 4 tampas de esgoto, as quais mostram o sentido da rede de esgotos (SW), a qual termina sem que se observe qualquer poço de decantação. Basicamente o problema foi empurrado para mais adiante, onde ninguém vê a coisa abertamente. Irei começar a monitorizar esta situação, já que mal os sinais de poluição, à superfície, apareçam, eu estarei por aqui para denunciar. No que se refere à poluição subterrânea, também irei tentar acompanhar, embora, por vezes, seja mais difícil de monitorizar.
Irei tentar saber, ao certo, como está instituída a nova rede de drenagem dos esgotos, já que não me parece normal esta situação. Será curioso perceber o que está por debaixo daquelas tampas de esgoto...
Passando agora à componente mais técnica, gostaria de saber quais são as competências técnico científicas da Provedora Misericórdia do Alvorge no domínio ambiental, já que taxativamente afirma que não há problemas de poluição associada à rede de esgotos. Uma coisa é acharmos algo, outra coisa é sabermos minimamente algo...
Os factos são simples, goste-se ou não, a poluição associada a esta rede de drenagem de esgotos é um facto, resta saber o grau de severidade da mesma. Esta rede de esgotos está a drenar para um belo sumidouro, a Sul. De forma muito resumida, a rede de esgotos está a drenar para este sumidouro, o que significa que a poluição está a ser disseminada por uma área ainda por determinar. Daí decorre o facto de ser importante começar a monitorizar esta situação em particular, de forma a se compreender se o grau de gravidade da poluição associada.
Acho curioso o facto da Provedora da Misericórdia se manifestar preocupada com a poluição na área envolvente aos poços de decantação, mas já não manifestar a mesma preocupação pelo problema ter sido empurrado mais umas dezenas de metros para a frente. O perigo de salubridade é exactamente o mesmo, pois tudo drena para o mesmo local, ou seja aquele sumidouro que destaquei na imagem do googlearth.
Finalizando com uma palavra utilizada pela Provedora da Misericórdia, o ressabiamento não pode existir nesta questão em especial, já que trata-se apenas e só de preocupação com um problema real e indesmentível, o qual nos afecta a todos. Só não vê quem não quer...