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segunda-feira, 10 de julho de 2017

É muito importante debater esta questão, percebam porquê...


Depois de saber que está a decorrer um processo que pode envolver a regularização/legalização da actividade de exploração de inertes na freguesia de Almoster, Alvaiázere, decidi que seria importante debater esta questão. Faço-o por vários motivos, em primeiro lugar porque é uma questão que deve ser debatida publicamente. A população deve ser envolvida neste debate e saber toda a informação possível, de modo a poder dar o seu contributo e decidir (sim, a população tem poder de decisão). Em segundo lugar estou saturado de ouvir o  pseudo argumento do costume por parte de empresas do ramo em causa. Acenam com os postos de trabalho sem, contudo, dizer o que é importante todos saberem. 
Trata-se de um projecto que envolve a exploração de saibro e areia, numa área de oito hectares (oito campos de futebol...). Trata-se, portanto, de um grande impacto ambiental/paisagístico naquela freguesia e de postos de trabalho que nada acrescentam aquele território. Não se tratam de postos de trabalho que acrescentem valor ao território e que retirem dali as mais valias do mesmo. Retiram sim valor ao território e é isso que as pessoas precisam de saber, para depois, e em consciência, decidir. Resta saber o que a população prefere ter, empregos estáveis e duradouros, que valorizem o território ou empregos a prazo que degradem o território.
Não me espanta este projecto, ainda mais sabendo que o PDM está em revisão e uma das hipóteses em cima da mesa é tornar esta área de REN uma área sem condicionantes à exploração de inertes, facto que não é ordenamento do território mas sim uma mera desclassificação de uma área com mais valias ambientais para uma área de exploração de inertes, com o inerente passivo ambiental.
Depois de ler alguma documentação, fiquei algo surpreendido com o facto de se estar a utilizar este projecto como que um "seguro" para uma outra exploração (pedreira). É algo que me preocupa seriamente, pois um projecto que utiliza este argumento demonstra uma fragilidade importante. Já não fiquei surpreendido em ler a argumentação da empresa em causa, populada por demagogia e populismo. E quanto ao texto do documento em causa, nem se fala, pois utiliza nuns parágrafos o "acordo" ortográfico e noutros não o utiliza (e bem). Há também erros ortográficos de realce, como o "impato".
Voltando à questão, a empresa em causa utiliza uma argumentação onde refere os impactos positivos da exploração, sem dizer objectivamente quais são e como são, omitindo contudo os impactos negativos, talvez pelo facto de não ser conveniente em termos de imagem para a população. Em vez de se centrar neste projecto, está continuamente a referir a sua outra exploração, abordando o cumprimento de normativos de segurança e saúde no que respeita aos colaboradores, mas esquecendo aqueles que vivem em redor desta exploração.
O documento que li tem muito daquilo a que denominamos como "palha". Quando seria por exemplo de esperar que se falasse numa suposta obtenção de declaração de interesse público, surge apenas "consequências da não obtenção de declaração de interesse público". Em vez de se falar nos impactos ambientais da exploração, tal como é suposto, fala-se nos custos sociais e económicos da não exploração da "pedreira". É, portanto, uma narrativa parcial, algo que deve ser devidamente apontado. Se há formas de criar empregos duradouros e que não impliquem a destruição e degradação de partes do território, porque devemos nós aceitar esta demagogia de uma empresa num documento que deveria ser imparcial? Porque é que tem de ser o interesse de uma empresa a impor-se ao interesse público? Deverá esta exploração ser reconhecida como do interesse público, sem que exista debate público? Porque não há debate sobre este suposto interesse público?
E que tal promover-se um debate público, sem estereótipos e populismos sobre este projecto? Em democracia é natural que isso aconteça. E porque é que a Junta de Freguesia de Almoster não promove um debate, já que o projecto é relativo à sua freguesia? É certo que o actual presidente da junta de freguesia não é o mais competente para se envolver em questões ambientais, mas mesmo assim tem essa obrigação. 
Há uns dias introduzi a questão num grupo do facebook de Almoster. Inicialmente a reacção de uma ou duas pessoas foi de apoio ao projecto, contudo, e depois de eu desenvolver a questão, as reacções foram diferentes. As pessoas começaram a estranhar não saberem nada de concreto sobre o projecto e não saberem nada sobre a dimensão do mesmo ou das consequências e impactos ambientais. (não conheço nenhum estudo de impacto ou incidências ambientais, tal como seria de esperar...). Começaram a fazer perguntas, algo que será sem dúvida incómodo para a empresa em causa, mas que é de salutar em termos de cidadania activa e uma democracia que se pretende sã.
Ou seja, eu dei o tiro de partida, esperando agora que o debate prossiga...

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Ouvi dizer que a espécie humana é a mais inteligente, contudo tenho muitas dúvidas...


Não me choca que cortem carvalhos ou azinheiras, já que, por vezes, isso mesmo é necessário para gerir a floresta. Claro que quando falo em cortar carvalhos, não falo em cortar carvalhos com dois séculos, pois isso é, para mim, criminoso. Falo sim em cortar alguns espécimes do estrato arbustivo, onde a densidade é demasiado elevada, tal como acontece em alguns terrenos abandonados por privados ou por entidades públicas.
Findado este esclarecimento prévio, vou então ao que me leva a escrever estas linhas. Há uns dias fui alertado para o abate de algumas árvores centenárias, uma delas era um belo carvalho português, centenário (deve rondar os dois séculos...). As outras árvores, entre as quais freixos (com Tamarix) e um choupo negro quais faziam parte da galeria ripícula de um tributário do Rio Nabão, no limite de Alvaiázere (Almoster) com Ourém.
Solicitei fiscalização por parte das autoridades e espero pelo menos uma multa para quem fez este disparate. Penso que a multa que estará garantida será a relativa à destruição do freixial. Sobre o carvalho, como está fora da RN2000 e não está protegido a nível municipal, penso que escapará, mas não tenho a certeza, pois tudo depende da questão do domínio hídrico. Espero também que a acção de fiscalização tenha impedido a continuação do arboricídio.
Se assistirem a situações como esta na região de Sicó avisem-me sff, de forma a indagar sobre a legalidade das mesmas. E caso sejam ilegais, eu trato de agilizar a questão da coima...


Mas pegando no título, sempre ouvi dizer que a espécie humana era a mais inteligente, contudo discordo frontalmente dessa afirmação, já que somos a espécie que faz mais disparates neste belo planeta. Além do mais, de nada vale ser inteligente se não houver a sabedoria para utilizar a inteligência de cada um de nós e da espécie enquanto um todo.
Apesar de já ter visto muitos casos como este, a sensação de tristeza é sempre igual. Um, dois ou três séculos são muitos anos de vida. E é pena que as nossas autarquias ou juntas de freguesia menosprezem a protecção e classificação destes espécimes centenários. Mas não pensem que a culpa é só das autarquias, juntas de freguesia e dos respectivos autarcas, já que estes costumam ser o reflexo de quem os elege. Resta saber se cada um de nós se conforma com este triste cenário ou se cada um de nós faz questão em pugnar por um planeta com saúde suficiente para albergar todos aqueles que por aqui andam. E isto mesmo sabendo que isso pode significar chatices de vez em quando.
Da minha experiência posso-vos garantir que as chatices têm valido a pena, pois o que está em jogo é demasiado importante para ficar no meu cantinho, a fingir que não é nada comigo...


domingo, 5 de março de 2017

A verdade é como a azinheira: vem sempre ao de cima...

Peguei numa expressão bem conhecida dos portugueses e adaptei-a. Utilizo esta mesma expressão para confrontar o Presidente da Junta de Freguesia de Almoster com os factos ocorridos aquando da abertura de dois estradões ilegais em Rede Natura 2000, à revelia das mais elementares regras legalmente instituídas no domínio do ordenamento do território, do Plano Sectorial da Rede Natura 2000 e do funcionamento das próprias Juntas de Freguesia, que estão sujeitas a regras específicas. 
Começo por disponibilizar dois recortes de imprensa, os quais irei utilizar neste comentário, tendo em conta as declarações que este autarca fez ao Jornal de Leiria:


Fonte: Jornal de Leiria (Ed. 16 de Fevereiro de 2017)

Começando pelo princípio, este autarca não pode simplesmente alegar lapso, já que, por inerência das suas funções, este é obrigado a saber o que, alegadamente, não sabia. É, no mínimo absurdo, alegar-se "lapso" numa situação destas. Enquanto autarca, Paulo Silva está vinculado ao cumprimento de alguns princípios basilares, os quais constam na legislação afecta à sua actuação enquanto Presidente da Junta. Falo, claro, do Regime Jurídico das Autarquias Locais, concretamente a Lei nº 75/2013, de 12 de Setembro. Quando se viola estes princípios, está-se sujeito a consequências, nomeadamente a dissolução da Junta de Freguesia, tal como, na minha opinião, deveria ocorrer tendo em conta o que esta Junta de Freguesia fez, ao mandar abrir aqueles estradões ilegais. Isto mesmo está previsto na lei. Penso que nem preciso de referir ao pormenor a legislação onde consta isto mesmo, deixando isso para o Sr. Paulo Silva.
Prosseguindo, Paulo Silva afirma que apenas cortaram árvores de pequena dimensão e que a obra era reclamada pela população. Depois contradiz o que ele próprio refere, já que afinal só foram cortados pequenos arbustos e que a obra pretendeu facilitar o acesso às propriedades. Árvore é uma coisa, arbusto outra, não compreendo tal confusão... Confusões à parte, e falando apenas das  azinheiras, é proibido cortar exemplares desta espécie, sejam eles arbustos ou árvores de pequena, média ou grande dimensão. Depois refere que preservou os muros e que o que havia já estava no chão. Nem sequer fala dos lapiás, pensando possivelmente que são muros, dado o teor das suas afirmações.
Fez tudo isto sem, alegadamente, dar conhecimento à Câmara Municipal de Alvaiázere, algo de estranho tendo em conta, entre outros, que o normal seria a Junta falar com a Câmara e que uma operação deste tipo terá custado uns milhares de euros (máquinas). Será que esta Junta está a nadar em dinheiro ou o ano de autárquicas assim o exige? Mais estranho é o facto de, tendo a Câmara Municipal de Alvaiázere um gabinete florestal, Paulo Silva tenha eventualmente achado que não valia a pena falar com a Engª Florestal para pensar uma acção daquele género, vendo, em primeiro lugar, se seria sequer possível. Mas ainda mais estranho é Paulo Silva alegar que apurou que aquela área não era Reserva Ecológica Nacional, mas que partiu do princípio que não era RN2000. Onde terá Paulo Silva consultado o PDM? É no mínimo estranho que estando toda esta informação disponível na Câmara Municipal ou no Geoportal, este afirme que partiu do princípio que aquela área não era RN2000. Muito pouco convincente, ainda mais sabendo que o Sítio Sicó/Alvaiázere não foi criado há 17 dias, mas sim há 17 anos!!!
Por curiosidade fui ao site da Junta de Freguesia de Almoster e não vi uma única referência à RN2000. É estranho que tantas Juntas de Freguesia tenham orgulho no seu património e mostrem todo este património e a Junta de Almoster omita a Rede Natura 2000, Sítio Sicó/Alvaiázere do seu site. A visão do património de Paulo Silva é, no meu entender, muito redutora. Este autarca mostra que não conhece bem o território que gere, facto que não deve ser encarado de ânimo leve.
Mas vamos ao que mais interessa. Paulo Silva, quando refere que apenas cortaram árvores de pequena dimensão, ou os tais arbustos, está a faltar à verdade, pois não há sequer dúvidas sobre o abate ilegal de árvores, seja de pequena ou média dimensão, nomeadamente azinheiras e carvalho cerquinho. Trata-se de um facto e não de uma opinião. Nem preciso de pegar num GPS e percorrer os caminhos, de forma a posteriormente cruzar os dados do GPS com os ortofotomapas, onde facilmente se conseguirá saber exactamente quantas árvores foram abatidas (poderei fazer isso...). Preciso apenas de mostrar duas imagens de um mesmo local, onde o antes e o depois estão bem à vista:



Ou seja, o confronto do antes e do depois, na entrada do estradão, ilegal, das Bouxinhas, mostra que havia ali algumas árvores de dimensão... significativa, nomeadamente um carvalho, que consta na foto e, imagine-se, desapareceu, tal como um número ainda indeterminado de árvores, ou "arbustos". Assim qualquer pessoa facilmente pode ver que Paulo Silva faltou à verdade quando referiu que foram cortados apenas uns "arbustos". Não há argumentos que possam fazer desaparecer o que está à vista.
Mas continuemos:


Na imagem acima consta um tronco que, curiosamente, não conseguiram acabar de queimar. Será que a chuva que caia naquela altura impediu a queima de mais azinheiras e carvalhos do que efectivamente foram queimados? O tronco que delimitei na foto é o tronco de uma árvore. Será que o Sr. Paulo Silva sabe que espécie é esta?
Já agora, não sabia que as azinheiras estorvavam sequer... E já agora, porque é que foram colocados troncos de azinheira por detrás dos lapiás arrancados? É um bocado suspeito, arrancar e depois esconder ou queimar lenha tão boa para a lareira.
Sobre os muros, se estavam alagados, porque é que nunca foram arranjados? É certo que partes do muro estavam alagadas, mas porque é que apenas um dos lados estava alagado? Curioso os donos dos terrenos não se terem incomodado com isto, mas agora alegarem que precisavam de acesso...
Mas vamos também à questão do acesso às propriedades. Havia pelo menos dois caminhos rurais, transversais ao que foi ilegalmente feito, que poderiam ter sido utilizados para melhorar o razoável acesso a todas as propriedades. Pergunto eu, porque não foi esta hipótese equacionada? Sem ilegalidades, sem multas, sem onerar os contribuintes? Fala de mato e de silvas, mas então se os donos dos terrenos cuidavam tão bem deles, como é que havia mato e silvas? Porque é que ninguém fala disto? É por aqui, em primeiro lugar, que devemos centrar o debate.
Esperei uns dias para elaborar este comentário, já que além de querer ver o que este autarca diria sobre o caso, queria também ver as reacções dos populares. Houve dois comentários mais curiosos...
O primeiro foi o de um conhecido meu, das lides do facebook, que referiu que "a Rede Natura 2000 ficou beneficiada com estes serviços". Escusado será dizer que esta foi uma afirmação bastante disparatada e sem sentido algum, pois, de facto, a Rede Natura 2000, e não só, ficou claramente a perder. É em afirmações deste género que se constata a fraca literacial ambiental da população, facto que só ocorre devido ao desinteresse das entidades públicas e pelo desinvestimento, entre outros, na educação ambiental e cívica. Como alguém disse, só se ama aquilo que se conhece e só se protege aquilo que se conhece. 
O segundo comentário foi, imagine-se, de uma senhora que também faz parte da Junta de Freguesia de Almoster, que afirmou que concordava plenamente com o primeiro comentário. Escusado será dizer que esta nem sequer deve imaginar que o seu cargo está em risco, dada as ilegalidades perpetradas pela Junta de Freguesia, da qual ela faz parte. Tudo o que ele diz é tendencialmente... parcial. Ambas as acções que levaram á abertura daqueles dois estradões são ilegais, portanto quem fez a asneira que a assuma. Ficarei à espera da dissolução da Junta de Freguesia de Almoster, já que os responsáveis por estas ilegalidades têm de ser responsabilizados e punidos segundo a lei, tal como está previsto.
É por estas e por outras que defendo há muitos anos que qualquer pessoa que fosse candidata a autarca, teria de fazer formação básica no domínio do ordenamento do território. Fazendo uma analogia, eu para poder conduzir tive de tirar a carta, contudo para poder ser autarca não tenho de tirar "carta" alguma. Faz isto algum sentido?!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

10 anos depois o terrorismo ambiental está de volta a Alvaiázere...




Foi um verdadeiro déjà vu. Depois de tudo o que se passou há 10 anos em Alvaiázere, não pensei que fosse possível voltar-se ao mesmo, e logo em dose dupla, imagine-se. Passaram uns dias e ainda estou profundamente chocado com o que vi. Depois de avisado que algo de grave se passava, fui rapidamente ao local, mas infelizmente o mal estava feito.
Por esta altura as autoridades já foram ao local, esperando eu que consigam descobrir tudo, de modo a punir severamente todos os envolvidos neste caso. As minhas fontes já me informaram de muita coisa, contudo não as irei divulgar. Irei apenas deixar as autoridades fazer o seu trabalho e efectuar uma análise aos factos em causa.
Começando pelos factos:
- Foi aberto um estradão, em plena Rede Natura 2000, que inicia no limite dos lugares do Vale da Couda e Vale da Mata, em Alvaiázere. Nas primeiras dezenas de metros, existia um caminho antigo, murado, sendo que um dos muros foi arrasado e desse lado tudo o que era arvoredo desapareceu, seja azinheiras, carrascos e carvalhos. Mais adiante o caminho desviava para a serra de Ariques, contudo o estradão teve seguimento onde não existia caminho algum. Nesse trajecto tudo foi arrasado, azinheiras,  carvalhos, lapiás, etc. O estradão tem sensivelmente 1500 a 2000 metros. Curiosidade (ou não), o estradão foi feito de forma cirúrgica, correspondendo quase que ao limite de freguesias, entre Alvaiázere e Almoster. Curioso também o facto de ver ali placas novas das zonas de caça. Diria que este estradão calha muito bem às associações de caçadores respectivas. É também curioso que tudo tenha sido feito de forma apressada, tendo inclusivamente sido feito algo de muito... suspeito. Falo, claro, da queima das azinheiras e carvalhos abatidos, no local. Houve algumas que não foram queimadas porque a chuva deve ter perturbado a queima. E algo de muito caricato, ou seja esconderem algumas das azinheiras por detrás dos lapiás arrancados. Será que são tão ingénuos?
Esta gente não deve imaginar que basta pegar num gps, fazer o caminho, de forma a ter o traçado exacto do estradão ilegal e depois sobrepor a um ortofoto. Deste modo é possível saber o número exacto de azinheiras, carvalhos e afins, que foram destruídos. Esta gente não aprende?
Irei esperar que a investigação aponte as pessoas e as entidades implicadas neste escândalo, muito embora já saiba quem são algumas delas. E há factos muito curiosos...













- Foi aberto um outro estradão, desta vez à saída do lugar das Bouxinhas, Alvaiázere. Este tem sensivelmente 500 metros e foi feito de raiz, arrasando tudo o que encontrava à frente, azinheiras, carvalhos, etc. Fica no limite das freguesias de Almoster e Alvaiázere, bem como das zonas de caça respectivas... Novamente vestígios de queima de tudo o que foi arrasado em termos de vegetação, em plena Rede Natura 2000. Mais uma vez, vendo o ortofotomapa vê-se o que não se quer ver, ou seja a quantidade de azinheiras destruídas...
Não sei como isto é possível, fazer tábua rasa de tudo o que é realmente importante, ordenamento do território e Rede Natura 2000. Nada disto faz sentido algum. Destrói-se tudo porque alguém tem interesse nisso. A legislação não protege tal como era suposto e as coisas não vão voltar a ser como eram. Os últimos redutos deste território estão a ser saqueados, é a triste realidade.
Tenho vergonha que isto seja possível também na região de Sicó. Tenho vergonha de constatar que ainda há mentalidades terceiro mundistas, que promovem o que aqui denuncio e acham isto normal. Sei de quem já foi ameaçado por falar publicamente desta situação...
Divulguem, debatam, revoltem-se, pois isto é inaceitável!!!






terça-feira, 14 de abril de 2015

O pecado original: do silêncio do porquê ao receio do tal

No início do ano abordei esta questão, pensando eu que o bom-senso iria prevalecer e que a vontade da maioria iria prevalecer. Enganei-me...
Já sabendo da má notícia, e numa das minhas deslocações a Alvaiázere, decidi que era altura ir a Almoster, ver a coisa com os meus próprios olhos. Quis o destino que, precisamente na altura em que tirava uma fotografia ao corte que representa o destino do carvalho, chegasse a pessoa que simbolicamente denomino agora como o "carrasco". Milagre!
Não o conhecia pessoalmente, mas em poucos minutos isso iria mudar. É impressionante como é que alguém munido de uma máquina fotográfica mete mais medo do que alguém com uma arma. Sinal dos tempos?
Quando pensava ouvir algo como "boa tarde", ouvi "há algum problema?". Respondi da forma que me ensinaram, cumprimentando com um "boa tarde". Notei que o "carrasco" estava muito nervoso com a minha presença, algo que apesar de estar habituado, acabo por não compreender bem, já que não sou o "bicho papão". Achei curioso este dizer que me conhecia, já que afinal uma coisa é ver a minha foto no facebook, outra, diferente, é conhecer-me pessoalmente. Notei igualmente que este cometeu um erro crasso de análise, pois referiu que eu teria sido influenciado por terceiros. Digo erro crasso porque não compreendo como é que tantos anos depois ainda haja quem possa pensar que eu sou influenciável. Pediram-me ajuda, que é bem diferente do ser influenciado para. Mas enfim, continuemos...



Com um discurso claramente tenso, embora contido, o "carrasco" iniciou a conversa propriamente dita. Durante alguns minutos falámos sobre o abate do carvalho. Confesso que foi um diálogo positivo, no entanto a minha posição ficou ainda mais firme em defesa daquela árvore, agora assassinada só porque sim. Importa salientar que aprecio o facto de haver abertura para falar comigo, em vez de fugir à conversa, tal como o ressabiado o faz desde 2007.
Curioso como é que um monte de folhas faz tanta confusão, especialmente tendo em conta que esta casa não é habitada, servindo apenas como "refúgio" esporádico. Curioso como é que sendo esse o problema, e em vez de colocar por exemplo uma "barreira" no lugar daquele "corrimão" do lado direito, se corta o coitado do carvalho. O "problema" não são as folhas, mas sim os redemoínhos que as levam a acumular num plano inferior. Se a obra tivesse sido bem feita não haveria quaisquer acumulação de folhas. Curioso como é que uma comissão não sei bem de quê, não sei bem representativa de quem, se queixe que não foi ouvida no projecto de requalificação, a financiar com fundos públicos, quando afinal até o foi. Não tem de ser ouvida em tudo, pois afinal o carcanhol não virá do céu. Curioso como é que se faz um silêncio do porquê numa uma comissão não sei bem de quê. Essa comissão não quis ter em conta a maioria daqueles que é suposto representar e que, aparentemente, são (eram) maioritariamente contra o corte do carvalho. Será isto coerência?! Fará algum sentido?
Se as folhas incomodam tanto, como é que se pensa em colocar futuramente uma oliveira por ali? A oliveira não tem folhas? E as azeitonas, quando cairem na pedra e se esborratarem pelo pisoteio, será que o piso não vai ficar todo manchado? Quem vai limpar?
E já agora, porque é que quando esta questão foi amplamente debatida do fórum do facebook de Almoster o "carrasco" não comentou uma única vez?
Houve duas pessoas, em especial, que se mostraram a favor do abate do carvalho, uma de forma activa, outra de forma passiva, curiosamente ambas a morar em Lisboa, algo que é sempre de assinalar. Não há a cidade e a floresta, há sim a cidade com espaços verdes e a floresta. O mesmo se aplica aos aglomerados urbanos, os quais devem ser abençoados por árvores. Também já morei em Lisboa, daí saber que em Lisboa as árvores não são propriamente uma prioridade ou sequer uma preocupação, genericamente falando. Sei também que quando falham os argumentos se utiliza muito a figura da capital para tentar de alguma forma mostrar a superioridade moral e um sentido paternalista.
É nesta altura que me lembro do que Neil de Grasse Tyson, um brilhante astrofísico, disse numa das suas palestras: "Os adultos esqueceram como compreender a Natureza, como pensar a respeito do mundo natural." Sugiro ao "carrasco" que pense um bocadinho sobre esta breve, mas genial, afirmação.
Para finalizar, agradeço honestamente ao "carrasco" os minutos de conversa, bem como a sua coragem para falar comigo, pois permitiram de parte a parte expor argumentos, mesmo que com factos desprovidos de objectividade e, diga-se, de verdade. Podiam ter sido mais uns minutos, mas a nossa vida não dá para tudo. 


segunda-feira, 9 de março de 2015

Iniciativa "investigadores na região de Sicó": Bosques e Galerias Ripícolas (1)

É com um enorme orgulho que vos apresento uma nova iniciativa no blogue azinheiragate. Tal como prometido, faço questão em inovar neste espaço dedicado ao património. Nos próximos meses, e numa base regular, serão vários os investigadores convidados a mostrar, em bom português, aquilo que melhor fazem na região de Sicó. Isto independentemente de serem naturais da região, pois aqui o mais importante é o património da região. É mais uma forma de construir pontes entre a ciência e a sociedade. E como bem sabem eu faço questão de trabalhar nestas pontes. 
O primeiro investigador convidado é doutorado em Geografia Física (IGOT - Univ. Lisboa) e a sua tese de doutoramento versou sobre a temática: Geobotânica dos Bosques Ripícolas. Parte da região de Sicó foi alvo de investigação por parte do Doutor Estevão Portela-Pereira, daí o convite à elaboração de um texto (original), o qual está dividido em 3 partes. Inicio com a primeira parte deste texto:

Bosques e Galerias Ribeirinhas das Terras de Sicó

Parte 1 – As diferentes comunidades vegetais nativas

A vegetação nativa de uma região está intimamente relacionada com o seu tipo de clima e solo. No entanto, no caso da vegetação ribeirinha, mais do que estes factores depende sobretudo da quantidade de água no solo que é proporcionada ao longo do ano por um curso de água. Assim sendo considera-se não só a vegetação das margens do curso de água, mas também a das várzeas e outros fundos de vale afectados pela sua dinâmica, p.e. quando ocorrem cheias. Devido às características cársicas desta região de clima sobretudo mesomediterrânico, onde um rio no seu curso pode ter trechos com água corrente todo ano e outros, logo a seguir, onde essa escorrência é sobretudo subterrânea, funcionando superficialmente como um curso de água temporário, a consequência é a ocorrência de vários tipos de bosques e galerias ribeirinhas nativas.  

- Tamargais – galerias arborescentes dominadas por tamargueira (Tamarix africana Poir.) nos leitos cascalhentos de cursos de água temporários;


Fig. 1. Tamargal no leito seco cascalhento do Rio Nabão, ponte da Póvoa (Pelmá – Alvaiázere)

- Salgueirais-brancos – galerias arbóreas de salgueiros-brancos (Salix alba L. var. alba e Salix neotricha Goerz) e  choupos-negros mediterrânicos (Populus nigra L. subsp. neapolitana (Ten.) Asch. & Graebn.) nos cursos de água permanentes ou semi-permanentes de corrente mediana com margens arenosas em áreas margosas/calcárias onde a influência agrícola ancestral é bem marcada.

- Borrazeirais-pretos – galerias arborescentes ou arbóreas de borrazeira-preta (Salix atrocinerea Brot.) em cursos de água (semi-)permanentes de corrente fraca e arenosos sobretudo em áreas areníticas; ou então bosques em várzeas baixas onde o encharcamento/inundação do solo se prolonga para além da época das chuvas.

- Amiais – galerias arbóreas de amieiro (Alnus glutinosa (L.) Gaertn.) em cursos de água permanentes ou que mantenham humidade no solo ao longo de todo ano, sobretudo em locais onde a intervenção agrícola ancestral nas margens dos rios não foi muito intensa (são raras nesta região). Podem também formar bosques em pauis nas áreas mais deprimidas de grandes várzeas ribeirinhas.



Fig. 2. Pequeno amial em Almoster (Alvaiázere) com regeneração de freixos num silvado em 1.º plano

- Freixiais – galerias arbóreas de freixo (Fraxinus angustifolia Vahl subsp. angustifolia) nas margens de cursos de água sazonais ou que sofram grandes oscilações de caudal e bosques em várzeas de matriz mais arenosa inundáveis temporariamente apenas em grandes cheias.


Fig. 3. Interior de uma galeria de freixial no Rio Nabão, num trecho de leito seco na ponte de Pechins (Freixianda, Ourém)

- Olmais – galerias normalmente arborescentes (devido à grafiose – doença que ataca os ulmeiros - Ulmus minor Mill. s.l.) nas margens de pequenos cursos de água sazonais ou, mais comum, sebes nas várzeas esporádica e temporariamente inundáveis com solos mais argilosos, e.g. regos e divisórias dos terrenos ribeirinhos.

- Cercais ribeirinhos – galerias arbóreas de carvalho-cerquinho (Quercus faginea Lam. subsp. broteroi (Cout.) A.Camus) em pequenos cursos de água efémeros nas cabeceiras dos rios, cuja degradação poderá dar origem a louriçais (de Laurus nobilis L.).

Estes são os tipos de vegetação ribeirinha nativa potencialmente mais complexa que podem ocorrer nos cursos de água desta região. Infelizmente, dada a intervenção humana ancestral a vegetação actual pode ser bastante diferente. Para além de muitos cursos de água não possuírem actualmente galerias arborescentes ou arbóreas nativas, mas apenas silvados ou juncais e outros prados naturais, não necessariamente com menor biodiversidade, infelizmente muitos deles de vegetação nativa já pouco têm. Por um lado esta vegetação foi substituída por plantações de exóticas, sobretudo nas várzeas, p.e. de choupais de choupos-negros híbridos (e.g. Populus x canadensis Moench); ou, por outro, ter sido substituída ou invadida por espécies exóticas, p.e. as extensas galerias arborescentes de canavial (de Arundo donax L.) que invadem quilómetros de cursos de água nesta região, ou então salgueirais dominados/invadidos pelo vimeiro-amarelo (Salix alba L. var. vitellina (L.) Ser.), variedade de salgueiro exótico muito utilizado pelos seus vimes e que com o abandono desta arte se espalharam pelos cursos de água. Ambas situações são uma ameaça e colocam em causa a biodiversidade destes habitats. 

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Carvalhices em Almoster: a esperança é a última a morrer...




É um caso sobre o qual me debrucei após um pedido de ajuda por parte de algumas pessoas de Almoster, em Alvaiázere. Até hoje nunca recusei prestar algum tipo de ajuda quando me solicitaram a mesma, daí este ser mais um caso a analisar. É uma situação que dei especial atenção porque este é um daqueles casos que podemos utilizar como exemplo em termos de educação ambiental, dado o seu potencial pedagógico.
Passando à descrição da situação, fui informado que havia a intenção de mandar cortar o carvalho que podem ver nas duas primeiras fotografias. Para uma das pessoas é apenas um carvalhito, para outras é mesmo um carvalho já com algumas décadas de vida.
Num fórum do facebook iniciei o debate, de modo a que mais se juntassem ao mesmo, o que acabou por acontecer e se desenvolver durante mais de 40 comentários. Várias foram as pessoas que apoiaram a minha posição, de manter o carvalho tal como está. Duas ou três outras pessoas não deram apoio, pois mostraram-se favoráveis ao seu abate. Todos expressaram a sua opinião, argumentando das mais variadas formas. Felizmente que o debate embora algo aceso, se manteve sempre numa linha de correcção, sem abusos, o que é algo de raro hoje em dia nas redes sociais. A este debate juntou-se o Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Almoster, que acabou por contribuir com dados importantes para o debate.
No final desse frutuoso debate, fiquei a saber que a decisão do abate do carvalho terá passado ao lado do Padre respectivo, sendo que mais parece que outras pessoas, sob a capa da igreja, estão a tentar fazer algo que não é da concordância do padre e da maior parte dos paroquianos. A justificação que me foi apresentada será a de que "faz lixo", algo que eu considero sem cabimento algum. Como podem ver na fotografia, lixo é coisa que ali não existe, existem sim folhas no chão, algo de normal. Se vão algumas folhas para as caleiras é simples, as mesmas podem e devem ser limpas.
Aquele carvalho produz oxigénio, faz a preciosa da sombra e diminui a temperatura em redor do mesmo, algo que no Verão sabe muito bem. Umas cadeirinhas ali por baixo e ainda se pode fazer uma reunião de amigos ou uma bela festa. Há tantas coisas boas associadas aquele carvalho, porquê cortar?!
Pelo que fui informado, há um projecto de requalificação para aquela área, o qual tem prevista a manutenção do carvalho e de outros que por ali existem, tudo em plena harmonia, tal como eu considero que deve ser. Então porque é que há alguém a pretender abater aquele carvalho? Será que aquele carvalho não é património, não faz parte da identidade local? Que tem a Comissão Fabriqueira a dizer sobre isto? Esta questão não diz apenas respeito a esta Comissão, mas sim ao Padre, aos paroquianos e a todos os contribuintes. 
Espero que o debate que iniciei seja um contributo para a continuidade daquele carvalho, até porque ficou à vista que a maior parte não concordará com o seu abate. Não vislumbrei uma razão válida para o abate daquele carvalho. Espero também que cada vez mais pessoas se apercebam da importância dos espaços verdes nos perímetros urbanos, pois, e ao contrário do que algumas pessoas possam pensar, as árvores também têm ali um espaço próprio, o qual favorece de sobremaneira o nosso dia-a-dia. Irei dar mais atenção a esta questão, fica a promessa.
Para finalizar, um desafio, a todos sugiro algo de muito simples, mas cheio de significado. Vão até ao pé do carvalho, dêem-lhe um abraço e, aí, respirem fundo. Utilizem todos os vossos sentidos. É um pequeno e simples gesto humano que muitos já esqueceram nas suas vidas. É um pequeno gesto que vos pode trazer muitas recordações, as quais irão desaparecer se o carvalho for cortado. 
Quem não está bem com a Natureza não está bem consigo mesmo. Não há nós e a Natureza, nós somos parte da Natureza!


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Memorial do Hotel


Este é um comentário daqueles que incomoda bastante, no entanto é um comentário que será efectuado, como regra, de forma intelectualmente honesta e à luz de factos concretos, juntando eu algumas questões que julgo pertinentes. No ano onde o mais do que polémico projecto de hotel para a Serra de Alvaiázere será chumbado, impõe-se uma questão sobre outro projecto de hotel, esse nada polémico, embora omitido pelas entidades públicas.
Certo dia, um investidor privado entrou em contacto comigo através da plataforma "azinheiragate", de modo a solicitar ajuda no desenvolvimento de um projecto relacionado com a construção de um hotel, neste caso enquadrado no turismo rural. Este facto ocorreu em 2010.
Cedo alertei para o facto de tendo em conta que o projecto seria para desenvolver em Alvaiázere, este poderia ter dificuldades "inesperadas", tendo em conta o ecossistema político-empresarial ali existente e que se estende por toda a região. Para um investidor privado isto pode revelar-se como algo altamente castrador no desenvolvimento de um projecto. Lembrei a este investidor que em 2009 eu tinha tentado abrir uma empresa ligada ao turismo e que tinha tido sérios entraves, os quais me tinham levado à desistência/suspensão do projecto.
Pedi também para este investidor não revelar a ninguém que eu o estava a aconselhar (gratuitamente), pois se certas pessoas o soubessem, poderiam mostrar uma face menos favorável perante este investidor, quando confrontadas com a "amarga" novidade, já que eu era personna non grata para certos interesses. A minha vontade foi sabiamente respeitada.
O projecto foi então apresentado à Câmara Municipal de Alvaiázere, sendo este situado na freguesia de Almoster. A respectiva entidade recebeu o projecto e disse ao investidor para avançar, tendo o projecto sido endereçado ao Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade, pois este estava em área de Rede Natura 2000.
Confesso que fiquei contente com os avanços e com o projecto, tendo a honra de ter tido a oportunidade de ver o projecto, o qual tinha tudo para avançar.
Mas como não há bela sem senão, os entraves começaram. Em Março de 2011, e já depois da Câmara Municipal de Alvaiázere ter, alegadamente, dito ao investidor que as candidaturas abririam (desde Setembro de 2010), eis que a Associação de Desenvolvimento Terras de Sicó comunica ao investidor que não estava prevista a abertura de candidaturas a projectos de privados para projectos de turismo de natureza, já que, alegadamente, não haveria dotação financeira para este tipo de projectos. Tudo isto já com o projecto de arquitectura aprovado. Partindo do pressuposto que o investidor não mente, isto é curioso, no mínimo. Diga-se que nunca tive a mínima dúvida sobre a seriedade do investidor.
Ora, isto levantou-me dúvidas, em primeiro lugar porque é algo que em situação normal não deveria acontecer. Depois fiquei surpreendido, na medida em que o autarca Paulo Morgado, que mediou o processo tem competências a nível de autarquia e também competências a nível da Associação Terras de Sicó, o que me leva  a várias questões. Será que não era do conhecimento de Paulo Morgado, autarca, que não haveria fundos comunitários para aquele projecto? Se não era, como foi possível o facto, já que precisamente nessa altura o mesmo estava a lidar com o processo do polémico hotel na Serra de Alvaiázere, conhecendo profundamente esta pasta? Como foi possível este acarinhar tanto o segundo projecto referido, com tanta publicidade, e nenhuma referência do mesmo, perante a imprensa local e regional, ao projecto sobre o qual este comentário incide? Que jogo político foi este, que deu tanta atenção a um projecto e pouco atenção a um outro?
Como é que foi possível perder um investimento destes, num projecto já aprovado? Porque é que este investimento nunca foi publicitado e "levado ao colo", como tem sido o mais do que polémico projecto de hotel para a Serra de Alvaiázere? Então, há 4 ou 5 milhões de fundos comunitários para um projecto ainda sem aprovação, sem cabimento em sede de PDM e não há um tostão para um projecto aprovado?
Como é que se elabora um projecto para uma área protegida, assumidamente sem know-how, passando por cima de questões essenciais, procurando depois um investidor que tenha apenas um milhão de euros? Isto ao mesmo tempo que se "manda embora" um outro investidor, já com um projecto, não polémico, já aprovado? Falta explicar esta dicotomia, sabendo que o processo deverá ser explanado por Paulo Morgado, pois, mais uma vez, este além de autarca, e por isso conhecedor da situação, é também um dos responsáveis políticos pela Terras de Sicó, tendo evidentes responsabilidades em termos de gestão em ambas as entidades. Naturalmente que este tem algum know-how, pois este em 2009 tornou-se oficial e publicamente, empresário no domínio do turismo rural (facto), daí melhor do que alguns dever saber acerca desta questão. Na minha opinião houve aqui uma péssima gestão desta questão, sendo o meu intuito saber o porquê das coisas terem seguido um rumo desastroso, já que, na minha opinião, é do interesse público o esclarecimento cabal deste caso.
Até hoje mantive esta questão, do hotel em Almoster, em off, no entanto não aguardo mais pela sua obrigatória divulgação, já que este meu comentário é simplesmente serviço público. Para os mais curiosos, o investidor em causa, depois de desistir do projecto, decidiu investir num outro concelho, mais a Sul e já fora da região. Importa esclarecer esta questão, pois há aqui uma história que tem muito que se lhe diga. Será que este investimento não seria importante para Almoster, Alvaiázere e para a própria região de Sicó?
Os factos são estes e estão em cima da mesa, agora há que debater os mesmos sem receios, sem demagogia e de forma honesta e construtiva. Se a imprensa local ou regional quiser tratar a questão de forma jornalística, estarei à sua disposição, enquanto fonte de informação credível e idónea. Não tenham receio em confrontar as pessoas, pois o confrontar com os factos, mesmo que incómodos, é sinal de democracia.