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terça-feira, 23 de maio de 2017

Passaram 10 anos: o que mudou na região de Sicó?


Há 10 anos eu era um mero técnico de uma autarquia, sem influência alguma, mas daqueles com bichos carpinteiros. Há 11 anos (finais de 2006) eu tive a ideia de propor a organização de um evento pouco provável naquele tempo. A ideia foi aceite, contudo na condição de ser eu a "desenrascar-me". Aceitei a condição e até hoje este é um dos momentos dos quais mais me orgulho em termos profissionais. Modéstia à parte, foi um marco para a região. Consegui a presença de alguns dos maiores especialistas nacionais e isso fez toda a diferença. E nem o facto de ter sido um evento organizado num concelho pouco provável para o efeito fez mossa, ou seja o evento correu muito bem, sendo até hoje recordado no bom sentido. Aliás algumas das ideias então tratadas (ex. aldeias do carso) estão actualmente na baila, mostrando que estávamos à frente do nosso tempo em termos de ideias a desenvolver neste território que é Sicó.
O intuito deste evento era simples, ou seja reunir pessoas e especialistas no domínio do desenvolvimento territorial, de modo a debaterem-se ideias concretas para a região, mas numa perspectiva diferenciada e, até então, pouco debatida publicamente. Apesar de ser um evento específico, concretamente pelo facto de querer debater o papel do património geológico e geomorfológico para o desenvolvimento sócio-económico na região de Sicó, isso não foi entrave, já que se conseguiu reunir investigadores, actores de desenvolvimento locais e cidadãos.
Contudo, e apesar de tudo isto, o tempo tem mostrado que é difícil as boas ideias seguirem o seu rumo nesta região (Sicó). O rumo das coisas continua a ser moldado por uma série de interesses que, na maior parte das vezes, não são coincidentes com o interesse público. E mesmo algumas das ideias que são colocadas em prática são convenientemente capturadas pelos tais interesses, que se colam às mesmas e as condicionam a jusante, numa espécie de parasitismo económico. Muitos sabem disto mesmo, mas raros são os que o dizem abertamente e sem receio de represálias. Eu sou destes últimos, falando abertamente sobre muitos temas tabú, sendo temido por isso mesmo.
Mas voltando ao início, mais precisamente ao título que dá mote a este comentário, o que mudou na região de Sicó neste domínio? Objectivamente falando, nada! Quem é responsável por isso? A resposta é simples, especialmente sabendo que este ano há eleições autárquicas...
A ver vamos o que surge nas propostas dos vários candidatos às autárquicas na região de Sicó, seja candidatos às câmaras, seja às juntas de freguesia. Sejamos exigentes para quem nos pretende governar. Sabem qual é uma das principais diferenças entre aqueles países desenvolvidos que tanto gabamos e entre nós e o nosso país? Nós não somos exigentes nem participativos na hora de decidir o nosso futuro. Simplesmente votamos e delegamos responsabilidades, quando deveríamos votar e participar activamente nos processos de decisão durante os 4 anos de governação autárquica. Resta saber se querem continuar a ser meros espectadores ou então serem actores de promoção e desenvolvimento territorial, tal como é de esperar num país desenvolvido. Na primeira opção têm tudo a perder, enquanto que na segunda opção têm tudo a ganhar. E lembrem-se que sem trabalho nada se faz...

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Aldeias do carso: pelo menos uma década atrasados, como aliás é costume...


Para todos os efeitos é, teoricamente, uma boa notícia, contudo daí, e até a ideia se materializar e ter sucesso vai um caminho muito longo e fortemente dependente da competência de quem estiver à frente do processo. E como bem sei, são poucas as boas ideias que têm sucesso na região de Sicó, culpa dos interesses do costume. Brevemente irei abordar uma outra ideia que tem tido um caminho desastroso, ali para os lados de Pombal...
Mas vamos então à questão que me leva a escrever estas linhas. Trata-se da ideia das aldeias do carso/ calcário, que vem novamente à baila, desta vez pela mão da dita Associação de Desenvolvimento Terras de Sicó.
Estou realmente curioso para saber o que um ex vereador de Alvaiázere tem a dizer sobre esta questão, já que quando lancei a ideia no colóquio "Desenvolvimento sócio-económico promovido pelo património geológico e geomorfológico nas Terras de Sicó", há 10 anos, esse tal ex vereador disse basicamente, de uma forma politicamente correcta, que não era uma grande ideia e que era uma ideia de alguém novo demais para saber o que seria um projecto de valor para a região de Sicó. Aposto que agora vai dizer que é uma ideia genial, e caso eu o veja a afirmar isso mesmo, irei relembrá-lo das suas palavras há 10 anos, o que terá a sua graça...
Trata-se de uma ideia que tem tudo para singrar, faltando apenas quem tenha a competência para o fazer da melhor forma. Esta ideia já poderia existir, na prática, há muitos anos, contudo a falta de competência de entidades politizadas, como a Terras de Sicó, e dos nossos autarcas tem atrasado o processo. 
Não vou lançar foguetes, até porque já noutros casos os lancei e depois arrependi-me (o tal caminho desastroso que insinuei atrás...). As aldeias do xisto já existem há alguns anos e as aldeias do carso (calcário) irão surgir inevitavelmente mais ano menos ano, seja na região de Sicó seja na região D´Aire e Candeeiros, onde aliás esta ideia também tem sido falada nos últimos 8/9 anos. 
O absurdo disto é que esta nem é uma ideia complicada, mas sim uma ideia simples e com tremendo potencial. O único risco é que alguns interesses económicos tentem de alguma forma manipular a ideia, desvirtuando-a, para que os seus interesses prevaleçam. 
Na região de Sicó já vi um bocado de tudo, também no domínio do turismo.
Mas deixando de lado estas questões, a ideia das aldeias do carso (e não do calcário...) tem, teoricamente, muitas pernas para andar. Os benefícios são imensos e não falo sequer do turismo, mas sim da recuperação do imenso edificado ao abandono. Há ainda muito a preservar da arquitectura vernacular, começando pelas aldeias do carso e continuando pelo restante edificado, seja nos pequenos lugarejos seja nas nossas vilas, já que aí ainda há muita matéria-prima para trabalhar. E o sector da construção, que até há poucos anos tinha algumas dificuldades em largar a construção de raiz e entrar na vertente da reabilitação, terá um papel importante.
Preservando o que temos de melhor e integrando todo este património no nosso dia-a-dia, actualizando-o, é algo que nos faz melhores pessoas e mais merecedoras de uma região com um património e uma cultura valorosos!
A ver vamos como vão ser os próximos episódios da ideia das aldeias do carso...


sábado, 18 de abril de 2015

Um artigo de opinião muito interessante, embora não original...



A beleza do tempo resume-se a dois pontos fundamentais. Ou nos dá razão, e mostra que aquela ideia (ou acção) era mesmo uma boa ideia, ou simplesmente não nos dá razão e mostra que temos que aprender e/ou ver a ideia de uma outra forma ou com uma nova abordagem. Sublinho que não é vergonha nenhuma errar, pois é fundamentalmente com os erros que aprendemos as melhores lições na vida. A nossa vida e as nossas acções são como um livro e isso é especialmente fantástico quando queremos voltar atrás no tempo para falar sobre o que também nos diz respeito.
Há poucos dias, enquanto estava a trabalhar numas coisas, um amigo alertou-me para um artigo bem interessante e presente no Jornal Terras de Sicó. Dado o "aviso" percebi que era algo que me interessava, daí ter ido logo à edição do Jornal Terras de Sicó. Ao que me parece, este Jornal não utiliza o aborto ortográfico, algo que aplaudo (só leio e compro os que não utilizam o "acordo" ortográfico).
Se ainda não leram o artigo em causa, peço-vos que leiam antes de prosseguir a leitura deste comentário.
Agora que já leram, podem pensar que é uma boa ideia termos aldeias do carso (e não aldeias do calcário...). E de facto é! No entanto começa aqui a parte em que volto atrás no tal livro, onde se pode voltar atrás e perceber coisas importantes.
Em 2006, altura em que trabalhava na Câmara Municipal de Alvaiázere, e aproveitando o trabalho de investigação que estava a efectuar no âmbito do mestrado, decidi propor ao edil a realização de um colóquio. Foi-me dada carta verde, na condição de me desenrascar na organização do mesmo. A intenção era a de apresentar algumas ideias inovadoras e sensibilizar para o facto de, naquela, altura, ser a altura ideal para lançar as bases de um projecto de desenvolvimento territorial que envolvesse a criação de um eventual geoparque de Sicó e projectos satélite, caso de aldeias do carso, à semelhança das aldeias do xisto. Ideal porque estávamos na fase de candidatura a projectos do QREN 2007-2013. Fico contente, ao ler o recente texto do Eng. Paulo Júlio, e ao vê-lo falar do Portugal 2020, constatar que na altura eu já estava uma década à frente de muitos autarcas. E não, não estou a falar deste último, já que, reconheço, foi talvez o melhor autarca do seu tempo, na região de Sicó, facto que tem actualmente reflexos no desenvolvimento de Penela.
Voltando ao colóquio, deu muito trabalho e foi um desafio, mas no final fiquei bastante contente com o resultado. Tinha conseguido fazer algo que ninguém tinha até então feito e tinha conseguido levar a Alvaiázere os principais actores de uma estratégia deste género, com o apoio das principais entidades relacionadas, regionais e nacionais (universidades incluídas...). Tudo isto com poucos meses de trabalho e muita atenção aos pormenores. Os únicos pontos negativos foram o facto de que apenas uma das várias Câmaras Municipais (das "Terras de Sicó") convidadas para o evento (Pombal - mais Alvaiázere enquanto organizadora) esteve representada, num universo de quase uma dúzia (vieram também Figueiró dos Vinhos, Alcobaça e Marinha Grande). Por que é que Penela não foi? Se o Eng. Paulo Júlio tivesse ido, ou pelo menos se tivesse enviado alguém em representação, se calhar o seu recente texto pudesse ter tido outro título... O segundo ponto negativo foi um bocado diferente, ou seja um episódio ocorrido durante este colóquio. Durante o encerramento daquele colóquio, e estando nós na mesa, em frente a uma plateia de algumas dezenas de pessoas (40 ou 50), um vereador, que na altura até estimava bastante, em vez de valorizar as ideias que ali fiz questão de propor, tratou de  afirmar que eu era muito jovem e um bocado inocente, daí a ideia ser um bocado "absurda". Este facto chocou-me duplamente, já que a realização daquele colóquio foi um marco no panorama regional e nacional, do qual muito me orgulho. Duplamente porque o vereador em causa já tinha estado ligado a uma associação de desenvolvimento local, portanto deveria ter sensibilidade para o tema e perceber que ali havia algo a explorar. Ironicamente são pessoas como aquele vereador, de Alvaiázere, que anos depois surgem a afirmar que a ideias como aquelas são "revolucionárias" para a região.
Lembro também que estiveram presentes naquele colóquio 4 elementos da Terras de Sicó, bem como elementos da Escola Superior Agrária de Coimbra, PNSAC - ICN, Grupo Protecção Sicó, INETI, ISEP, empresas várias e particulares, facto a não esquecer. 
Voltando ao texto do Eng. Paulo Júlio, constato que apesar de, no geral, concordar com a ideia que ele desenvolve, e que, muito bem, diz no final, não é original, este não está bem informado sobre a realidade dos "conjuntos de autarcas nacionais", pois apesar de serem jovens, são ainda, de certo  modo, e genericamente falando, reféns de uma rede de interesses económicos e políticos que desvirtuam gravemente o nosso território, as suas características e especificidades e o seu dinamismo. Penso que anos após a sua experiência autárquica, já terá percebido que a política portuguesa existe na base da aparência. A sua noção da intermunicipalidade é claramente dúbia, prova disso são as políticas das capelinhas ainda existentes. Lembro apenas aquele episódio que envolveu uma feira de queijos em Penela e que criou atritos (municipal Vs intermunicipal...). 
Claramente tais autarcas não percebem a importância do marketing e escala territorial e imaginam apenas que a valorização do território passa pelo seu património e pelas suas tradições e recursos. Prova disso é que sempre tivemos tudo isto e muito deste foi esquecido, desprezado e ignorado durante décadas, quando as vacas eram gordas. Mas agora que veio a crise, e as vacas emagreceram, o património já é rei. Pode dizer-se que é chique falar sobre património.
Liderança política nunca houve nem haverá no curto prazo, esse é um problema fundamental da região de Sicó. O interesse pessoal sobrepõe-se ao interesse comum, facto.
Sobre o "agente provocador", esse já nasceu há muitos anos, só tenho pena esta questão não ter sido abordada pelo Eng. Paulo Júlio, pois, de facto, já existe toda uma série de pessoas que poderiam fazer nascer finalmente as aldeias do carso. O problema é que são pessoas que não se dão bem com politiquices e, por isso mesmo, têm o rótulo do "persona non grata".
Sobre a tal conferência, essa já foi feita em... 2007, e com os principais actores de desenvolvimento local. Pena é alguns não terem ido... Já lá vão uns anos, é certo, mas a memória não pode ser assim tão curta.
Agora um verdadeiro desafio ao Eng. Paulo Júlio: que tal passarmos das palavras à acção? 
Nota: estou disponível para uma reunião...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Aldeias do carso precisam-se na região de Sicó!

É uma ideia que apesar de já a andar a falar há anos não deixo de insistir, pois é importantíssima para a região de Sicó. Ao que me lembro, foi quando estive à frente da organização do colóquio
Desenvolvimento socio-económico promovido pelo património geológico e geomorfológico nas Terras de Sicó”, em 2007, que mais insisti nesta ideia, já que nesse colóquio estavam algumas pessoas supostamente chave no desenvolvimento regional.
A ideia é simples, porque é que ainda não temos aldeias dos calcários, ou de forma mais correcta aldeias do carso na região de Sicó? Será que não vale a pena potenciar algo que pode ser um poderoso cartão de visita da região de Sicó, à semelhança do que fazem as aldeias do xisto noutras regiões?
Claro que vale a pena, mas misteriosamente nada se tem feito em termos concretos para ultrapassar esta questão, mesmo que seja estruturante para a região. Temos dezenas de aldeias com potencial, muitas delas quase que completamente abandonadas!
Temos empresas de construção civil que se poderiam reconverter para este tipo de reconstrução, revitalizando também o sector da construção civil. Temos pessoas que até gostavam de investir, mas que vendo-se sozinhas não conseguem fazer nada...
Há até casos curiosos em que pelo menos um autarca da região de Sicó, que igualmente ignora esta ideia das aldeias do carso, comprou "inocentemente" casas de xisto a título pessoal e miraculosamente mais tarde estas mesmas casas de xisto são em aldeias que há poucos meses foram escolhidas para integrarem a rede das aldeias de xisto (após recuperação). É a triste sina da região de Sicó, há recursos, há potencial, mas apenas quem se move por certos meandros é que consegue fazer muitos tipos de projectos e para benefício pessoal...
Voltando às aldeias do carso, este podia ser um autêntico postal turístico da região de Sicó, é algo que sei que vale a pena lutar, mesmo que esteja a falar para as portas há anos. O dia há de chegar e aí muitos vão dizer que pena é que não tenha sido uma ou duas décadas antes.
Conheço muitos locais lindíssimos para recuperar, infelizmente apenas alguns ingleses, holandeses etc é que têm recuperado algumas casas de calcário. Há também alguns portugueses que recuperaram e alugam a bom preço, algo que tenho pena não poder fazer por falta de capital, mas mesmo assim já houve quem me pedisse aconselhamento neste tipo de projectos, algo que acedo de boa vontade, pois o conhecimento é para partilhar a bem da região de Sicó.
Não me vou alongar muito nisto, pois basta pensarem bem no assunto para verem o enorme potencial deste projecto. Muitos de vós, seja na região de Sicó ou não conseguem imaginar o valor desta ideia, portanto tentem de alguma forma mexer-se para que um destes dias tenhamos a primeira aldeia do carso na região de Sicó.