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domingo, 5 de agosto de 2018

Precisamos de fontes!


Já tinha a foto deste engenho, situado em Soure, guardada há uns tempos no arquivo de fotografia para o azinheiragate. Os últimos dias têm sido complicados, tal a temperatura, a qual castiga o corpo sem piedade. Novos e velhos todos sofrem com esta vaga de calor que nos lembra que é Verão.
É a melhor altura para lembrar algo de muito importante. No meu tempo de miúdo era normal encontrar uma fonte pública para matar a sede em dias de calor. Isto em meio urbano, ou então outras fontes em meio rural. Quando se anda no campo é fabuloso saber que há uma fonte por perto. Em miúdo até se podia beber água, com uma folha de couve, dos riachos sem receio de ser envenenado por um qualquer veneno, algo de impensável nos dias de hoje... 
Nos últimos anos a tendência tem sido o desaparecimento de muitas destas fontes públicas, sejam ligadas à rede pública ou não, algo que me preocupa a vários níveis. Actualmente é ver várias destas fontes seladas, sem torneira a embelezar, enquanto que outras entretanto criadas estão em mau estado. Lembro-me inclusivamente de no início deste ano ter alertado uma autarquia para o mau estado de algumas das fontes públicas. Ou outra, que perdia água de uma forma galopante. Esta última foi prontamente arranjada e algumas das outras já funcionam normalmente.
De qualquer das formas, e como qualquer um de vós poderá constatar, são bastantes as fontes, algumas bem antigas, que simplesmente são uma recordação do passado. Estes dias com temperaturas acima do que o organismo está habituado, deviam relembrar-nos a todos a necessidade imperiosa que é ter fontes públicas em pleno funcionamento, um pouco por todos os núcleos urbanos, de forma a que locais ou visitantes possam beber a tão necessária água e não precisem de ir a uma loja comprar garrafas de água de... plástico. Não há nada como poder beber água numa fonte pública sempre que precisamos. Se há memórias fabulosas que tenho, algumas delas têm a ver com o rodar do engenho, até que surja água fresca para beber. Infelizmente alguns destes engenhos têm sido roubados... E mesmo em meio urbano não há nada como encontrar uma fonte pública e ter o privilégio de ter uma torneira com água pronta a beber.
Por isto e por muito mais fica o desafio para o recuperar das fontes públicas, relembrando igualmente da necessidade de preservar os recursos aquíferos!

domingo, 5 de junho de 2016

Dizer que é belo é pouco...


Quem, como eu, sabe o valor do imenso e diversificado património da região de Sicó, fica embasbacado quando se depara com este tipo de património. Associado à água, está uma quantidade incrível de elementos patrimoniais, neste caso um engenho para retirar água de um poço e proceder à rega da horta. Ainda se vão vendo uns poucos pela região de Sicó. Este, em especial, está situado num local longe das vistas alheias. E ainda bem que assim é, pois infelizmente têem sido roubados vários engenhos, tal como já tive a oportunidade de aqui abordar.
É uma pena este tipo de elementos patrimoniais estarem a desaparecer, seja por desmazelo e esquecimento, seja por roubo. É uma pena que, podendo ser utilizados num modo de vida ainda actual e desejável, estes elementos se tornem obsoletos, pois com o desaparecimento dos velhotes, a gente jovem começa a não saber mexer nestas relíquias.
Urge reflectir sobre estas verdadeiras máquinas do tempo...

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Será que concessionar serviços é a melhor solução?!


Este ano, e por três vezes, desloquei-me aos serviços da Câmara Municipal de Ansião, de forma a alertar para situações ou de desperdício de água, ou de perigo para os peões. A primeira situação foi a de uma torneira que estava a perder diariamente dezenas de litros de água, já que tinha uma fuga. Esta situação foi prontamente resolvida pelos serviços camarários.
A segunda situação foi próximo da primeira, no Moinho das Moitas. Tratava-se de dois ou três buracos situados em plena via pública (passeio). Eram locais onde era suposto terem levado postes de iluminação mas que, por um qualquer motivo, nunca foram colocados, tendo ali ficado os buracos durante anos a fio sem que nenhuma pessoa do bairro fosse dar conta deste perigo à Câmara Municipal de Ansião. Mais uma vez a situação foi resolvida em poucos dias, para meu contentamento.
Eis que chega a terceira situação, um ponto de rega automática que estava a perder dezenas de litros de água todos os dias à noite, aquando da rega, às 23:38. Dei igualmente conta desta situação há várias semanas, mas, curiosamente, nunca foi resolvida. Estranho? Não, já que afinal estes espaços estão concessionados a uma empresa privada, daí a demora que nunca chegou. Quem salvou a situação foi um bom samaritano que por acaso até percebia da coisa e resolveu isto em 15 minutos. Tudo isto sem encargos para o contribuinte. Foi um bom exemplo de cidadania activa. Durante semanas perderem-se ali centenas de litros de água, mas a solução chegou por quem não era suposto. 
Este é um excelente exemplo da (i)lógica que move a concessão de serviços municipalizados. Ao invés de se investir nas pessoas, e resolver os problemas, chuta-se os mesmos para empresas privadas, nas quais o que mais conta é o lucro. O resto é conversa e a água... foi-se. 
Qual a motivação de uma empresa privada para resolver rapidamente este problema? Isto, porque o rendimento já está garantido à partida...
Enquanto cidadão, agradeço ao bom samaritano que resolveu este problema!



domingo, 22 de março de 2015

O mau planeamento fica caro, muito caro...


Tenho esta imagem guardada desde o Verão de 2014. Como muitas, estava à espera de um comentário onde esta se pudesse enquadrar de forma concreta e objectiva. Apesar de ser uma fotografia com poucos meses, pretende ilustrar algo já com alguns anos. Trata-se de um exemplo de mau planeamento territorial, não per si, mas sim pelo que está a montante do mesmo.
Começando pelo início, e pela parte positiva, o que se vê na fotografia é uma obra onde um intuito principal foi o de ir buscar água de um poço situando a umas dezenas de metros dali. Isto com um propósito quase  nobre, o de poupar água da rede para a rega do relvado. Disse quase nobre porque a relva não tem valor ecológico e consome demasiados recursos, tendo consequências negativas. Ou seja, os relvados não são propriamente verdes... Mas já lá vamos.
O problema começou na década de 90, quando foi elaborado o projecto que contempla aquela rotunda e o acesso ao IC8 adjacente. Nessa altura existia por ali um enorme poço, e houve uma mente brilhante que achou por bem tapar o enorme poço. Confesso que não sei quem foi tal mente brilhante. Fez-se asneira e gastaram-se umas centenas de euros para tapar o "bicho". A mente brilhante era tão brilhante que se esqueceu que eventualmente o poço até podia ser enquadrado na obra, tapado por cima, ou não, tendo ali um recurso e uma mais-valia para utilizar no futuro. A obra foi feita, a rotunda finalizada e surgiu então o relvado. Para que pudesse haver relvado havia que proceder à sua rega, com água da rede pública. Em 2014 fez-se então uma obra (na fotografia) que pretendia evitar a utilização de água da rede, indo buscar água aos poços que ainda existem por ali. 
Resumindo, o mau planeamento resultou num gasto, perfeitamente evitável, de milhares de euros, pagos, claro, com o dinheiro dos contribuintes. Fica evidenciada a péssima decisão tomada na década de 90, a qual teve claros reflexos económicos em 2014.
Poucos de nós são aqueles que, quando confrontados com uma obra, pensam a mesma a curto, médio e longo prazo. Planeamento é isto mesmo, mas infelizmente temos ali um não planeamento, o que é pena.
À parte disto, queria apenas introduzir a questão dos espaços verdes. Como já referi, a relva não tem valor ecológico. Esta foi uma lição que aprendi há 13 anos, através de um notável geobotânico. Até essa data eu não ousava pisar relva, mas depois disso deixei-me de tretas. Se tiverem de pisar relva, pisem!
Outra lição que aprendi foi acerca dos espaços verdes, disciplina que fiz questão de ter, enquanto opção, ainda na licenciatura, já lá vão uns bons anos. Depois disso a minha visão sobre espaços verdes mudou radicalmente. Um espaço verde não é uma rotunda com relva, um espaço verde é uma rotunda sem relva, mas com vegetação a sério. Vegetação que não precisa de tanta manutenção, que não causa tanta despesa e que é realmente bonita. Brevemente irei dedicar-me especificamente a esta questão, de modo a partilhar convosco uma temática bem engraçada!
Já agora, porque é que, mesmo estando a chover, a relva é regada?!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Os pequenos grandes pormenores do património


Não, não é engano, o título deste comentário é assim mesmo. Á primeira vista as pessoas observam esta fotografia e, aquelas que até sabem algo, dizem logo que esta é uma estrutura associada ao abastecimento de água de outros tempos. É obvio que é isso mesmo, mas não é o óbvio que pretendo abordar, é sim aquele pequeno pormenor que passa ao lado da maior parte de vós...
É certo que o pormenor que pretendo salientar até pode estar à vista de todos, no entanto só os olhares mais atentos é que param para pensar e, daí, elaborar um raciocínio lógico dedutivo no domínio da vasta temática que é o património.
Olhando bem para aqueles pilares, o que vêm nos mesmos? Simples, umas pedras saídas para fora, as quais não são mais do que degraus, à antiga, que de uma forma simples e eficaz faziam o seu trabalho. Estes degraus são algo que, para mim, tem um significado muito próprio, o conhecimento dos antigos, em épocas em que estes não ligavam o complicómetro quando precisavam de fazer as coisas.
Hoje em dia, para fazer as coisas mais simples, ligamos o complicómetro e debatemo-nos a fazer algo que, sendo simples, se torna no final complicado. Na lógica de um qualquer vendedor, para fazer uma infraestrutura destas, além de toneladas de betão, ferro e afins, seria necessário uma escada em cada um dos pilares de betão construídos nessa obra faraónica. Além disto ainda iria surgir uma qualquer entidade a dizer que aquilo tinha de ter condições de segurança e isso significaria mais qualquer coisa a fazer, mais um gasto evitado de matéria prima. 
Este último ponto pretende acima de tudo demonstrar que, muitas vezes, não vale a pena complicar o que é fácil, que se podem utilizar recursos de forma sustentada e racional. Já se questionaram acerca dos muitos porquês da crise? Também por isto...
Obviamente que a questão patrimonial está também bem presente, esperando eu que com este breve contributo muitos possam começar a olhar com olhos de ver aqueles pequenos grandes pormenores que fazem toda a diferença. Numa região tão rica em termos patrimoniais, como é o caso de Sicó, os pequenos grande pormenores estão em cada esquina, em cada recanto, bastando focar a nossa atenção naquilo que realmente é importante e não naquilo que é supérfluo e inconsequente.
No próximo passeio por Sicó, ou mesmo no vosso dia-a-dia, reparem nos pormenores e deliciem-se com esses pequenos grandes pormenores, é esse o meu conselho.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A água, esse belo recurso!


Estive vários meses para conseguir saber ao certo os pormenores sobre este pequeno edifício que vêm na fotografia, mas apenas recentemente, e após ter questionado um local, soube o que isto era afinal.
Passando na estrada, e vendo apenas na perspectiva da fotografia inicial, pensei em primeiro lugar que aquilo seria um pombal, mas enganei-me redondamente, pois afinal é (foi) um antigo reservatório de água, ao que me disseram para pessoas mais abastadas. Não conheço os donos, por isso apenas lhes posso agradecer, enquanto cidadão, ainda preservarem algo que eu considero de relevante importância patrimonial na temática associada ao importante recurso que é a água.
Inserido num contexto mais abrangente, este edifício poderá sem a mínima dúvida, ser um elemento patrimonial enriquecedor no que concerne à divulgação da importância da preservação dos recursos aquíferos, bem como a história associada ao aproveitamento da água (muito genericamente falando, claro). Há muitos outros "objectos", todos eles diferenciados, mas que podem ser sabiamente ser aproveitados como uma mais valia, por parte das autarquias locais. Penso que os donos de muitos destes "objectos" patrimoniais poderão ficar a ganhar, já que com a entrada no "jogo do património", muitas destas infraestruturas poderão ser reabilitadas e preservadas. A temática da água é um assunto muito caro à região de Sicó, já que o carso é sempre um território complicado no que concerne à gestão da água. Brevemente darei conta de mais um destes objectos, os quais descobri há uns anos atrás enquanto elaborava um extenso trabalho de investigação.
E lembrem-se, poupem água, pois além de ser um bem escasso, já não será propriamente um recurso renovável, tudo devido à nossa ignorância e desprezo para com ela. Ao poluirmos um aquífero estamos a comprometer várias gerações!
Para terminar, e já agora que falei em "jogo", estes nossos políticos andam a fazer um jogo bem perigoso, que é o da concessão/privatização do recurso água, algo de profundamente lamentável. Resta-me apelar a todo/as que se batam pela não concessão/privatização da água, pois se ela fica nas mãos de grupos económicos...
Uma das personalidades que na região de Sicó se tem batido por esta causa, e que merece o meu aplauso, é Narciso Mota, que é frontalmente contra a privatização do recurso água, facto que faço questão em salientar.
Água é vida, lembrem-se disso!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Serão os ambientalistas fundamentalistas?

É uma questão que eu considero crucial em termos de discussão, por isso mesmo a sua pertinência no azinheiragate. Importa então discutir esta questão de forma imparcial.
Pessoalmente nem gosto muito do termo "ambientalista", isto, porque os lóbis financeiros que destroem o nosso património, conseguiram prolongar durante muitos anos o que é afinal um estereótipo. Interessa então desmistificar esta questão porque... é mesmo um "mito urbano".
É certo que há fundamentalistas no universo dos ambientalistas, mas não os haverá em todos os lugares? Claro que sim! Então porque continuamos a insistir que os ambientalistas são fundamentalistas? Sendo uma margem extremamente reduzida (talvez 1%) porque "continuamos" insistir na mesma tecla?
A razão é simples, continuamos a insistir ouvir aqueles pseudointelectuais que falam parcialmente sobre os "ambientalistas", tentando denegri-los. Os pseudointelectuais fazem-no não porque os "ambientalistas" o sejam, mas sim porque estes conseguem afectar gravemente muitos dos planos de lóbis predatórios que a cada dia que passa destroem um património que é de todos, seja património natural, cultural ou construído.
Estes lóbis dizem que os "ambientalistas" querem que voltemos à idade de pedra, pois de acordo com eles os "ambientalistas" vivem em grutas, não fazem a barba e andam sempre a pé. Sei que até é divertido ouvir esta e outras afirmações absurdas, mas afinal estamos a falar de coisas sérias.
Ser-se "ambientalista" não é viver na idade da pedra, é sim viver no século XXI com consciência daquilo que fazemos e dos impactos que a nossa acção poderá ter no nosso quotidiano e no futuro das próximas gerações.
É uma questão de ter a percepção que coisas simples podem ter um impacto muito negativo ou muito positivo, dependendo da nossa atitude perante a vida, nada mais. Lembre-se que a Terra já existia muito antes de nós e continuará a existir muido depois de nós, resta decidir se queremos dar continuidade à nossa espécie e isso é possível vivendo de forma consciente e responsável, sem radicalismos nem fundamentalismos, ao contrário do que os lóbis dizem...
Poderia dar vários exemplos para vos mostrar que os "ambientalistas" além de serem pessoas normais, são sim pessoas racionais, mas darei apenas um exemplo claro e conciso do que falamos afinal.
Um "ambientalista" quando toma um banho curto (não tomando banhos longos), tapa o ralo da banheira de forma a que a água se mantenha ali. Quando acaba o banho, além de ter gasto pouca água, ficou com umas dezenas de litros de água que poderá utilizar no autoclismo.
Imaginem a seguinte situação:
- Uma família "não ambientalista" que gasta todos os dias uns 750 litros de água para tomar banho e que não se preocupa em ela se perder no final. Ao final do mês, gastou 22500 litros de água potável. Gastou também no autoclismo uns 1500 litros. Temos portanto 24000 litros de água.
- Uma família "ambientalista" que gasta todos os dias uns 300 litros de água para tomar banho e que tapa o ralo para a água não se perder. Ao final do mês, gastou 9000 litros de água potável. Não gastou água potável no autoclismo nada, pois utilizou a água dos banhos.
Entre a família "não ambientalista" e a família "ambientalista" há uma diferença de gastos de 15000 litros a desfavor da primeira. Entra aqui a questão da consciência, será que as pessoas não sabem que têm mesmo de poupar um recurso escasso? Possivelmente muitas não querem saber, mas vamos a outra questão:
- No final do mês, quando se paga a conta da água, a família "não ambientalista" paga um valor maior de água, algo que tendo em conta a água barata que temos até não será um problema. Mas aqui entra uma nova variável, a indexação das taxas de lixo ao gasto da água. Aí enquanto que a família "ambientalista" paga talvez uns 20 euros, a família "não ambientalista" para uns 45 ou 50 euros! Multipliquem isto por 12 meses e temos assim quase 300 euros de poupança anual da família "ambientalista", só no que concerne a esta poupança. Agora imaginem poupar (sem ter necessidade de cortar alguma coisa no que é essencial) em boa parte das coisas que fazemos em casa. Dá que pensar, não dá?
Multipliquem isto por milhões de lares e imaginem o que se perde de forma completamente evitável todos os anos...
É disto que estamos a falar no que se refere ao ser-se ou não ambientalista. Não é uma questão redutora de se gostar do planeta, é sim de se gostar do planeta que nos sustenta, da nossa família e das suas finanças, e de ter a noção que em outros países mata-se pela água que muitas vezes deitamos fora no puro desperdício. É acima de tudo ser-se racional e consciente, nada mais. Há muito mais a dizer, mas penso que com isto o estereótipo do "ambientalista" já começa a ser desmontado, para desespero dos lóbis financeiros predatórios. Uma sociedade informada é menos vulnerável aos ataques daqueles que só pensam no dinheiro e no curto prazo.
Resta agora pensar bem se o fundamentalista não será aquele que gosta de gastar água potável no autoclismo....
Há já alguns bons livros que recomendo sobre esta temática, brevemente farei referência ao mesmo, esperando que agora alguns de vós comecem a reflectir sobre esta e outras questões. Felizmente são cada vez mais as pessoas informadas que já começam a saber algo sobre esta temática.