Por falta de tempo, estive algumas semanas sem ir ao Alvorge, de forma a continuar a monitorização do esgoto (dreno) ilegal, mas na semana passada consegui finalmente lá ir. Na edição da primeira quinzena de Abril, da edição do Jornal Terras de Sicó, a provedora da Santa Casa da Misericórdia do Alvorge, a Srª Maria Luísa Ferreira, afirmava que, e passo a citar, "a água sai límpida para uma linha de água". O autarca Rui Rocha tinha a mesma postura, de negar o que estava e está à vista de todos, muito embora, e após a denúncia, afirmasse na imprensa que era um problema preocupante. O impacto mediático desta situação foi enorme, mas infelizmente, e até agora, de pouco valeu, já que, no essencial, tudo se mantém. Resta portanto continuar a dar visibilidade a esta situação e monitorizar a mesma, já que ao contrário do que a Srª provedora possa pensar, o caso não está fechado, está sim em aberto. E mais não digo... A ilegalidade é para acabar e o esgoto para ser tratado, a bem da saúde pública e da seriedade institucional.
Peço a todos que divulguem esta situação e partilhem nas redes sociais, já que, como eu bem sei, isso pode fazer toda a diferença na hora de resolver situações de todo o tipo. Esta situação é particularmente grave, daí a minha dedicação a este caso.
Finalizando, gostaria de pedir à Srª provedora Maria Luísa Ferreira que nos elucidasse sobre aquela matéria orgânica, pois concerteza ela saberá explicar o porquê do sucedido. Como boa gestora que é, de certeza nos poderá elucidar sobre os elementos poluentes ali presentes e o porquê da situação estar pior. Genericamente eu sei o que é, mas o público pode não saber...
Num país avançado, daqueles que tanto fazemos questão de gabar quando queremos fazer comparações, os atentados ambientais com o apoio de entidades públicas várias são mais difíceis de ocorrer, mas afinal estamos em Portugal, uma bela república das bananas, onde tudo se pode fazer, onde há quem, à revelia das mais elementares regras, defenda gente velha amiga da política, seja a que custo for, mesmo que quem fique a perder seja o interesse público e a saúde pública. Para que as asneiras ambientais e uma quase total impunidade sejam possíveis basta ter dinheiro e/ou estar ligado directa ou indirectamente aos círculos de poder "político"/económico. Neste país chega-se ao cúmulo de olhar de lado quem denuncia e aplaudir quem polui, pois o dinheiro fala mais alto.
Reflexões à parte, e indo directamente à questão, volto a abordar uma situação que considero escandalosa, já previamente denunciada e explanada. Alguns meses após a denúncia, a qual fez muitas pessoas perder medo de falar (embora haja muitas outras que continuem com receio de falar...), eis que a impunidade continua à vista. O esgoto continua a prendar quem por ali passa com o mau cheiro e com uma água com propriedades... pouco amigas da saúde humana. E, há que sublinhar, este esgoto, ilegal, e construído pela própria autarquia, a pedido da entidade responsável pela produção daquela água com propriedades... especiais, tem tido basicamente livre trânsito para poluir, algo que me choca profundamente enquanto cidadão e geógrafo. Porque será que o mais simples e humilde cidadão tem de ter uma fossa séptica e, quando cheia, tem de mandar vir o tractor para despejar no local indicado (ETAR) e uma entidade pública ou privada não o tem de fazer? Porque será que, além de se manter um sistema caduco, se construiu um esgoto para drenar livremente para um sumidouro (ex.), a partir do qual a poluição se vai espalhar em poucos dias por um raio de alguns km a dezenas de km? Dois pesos e duas medidas? E o ordenamento do território, é algum enfeite para inglês ver?!
Estas fotos e os vídeos foram registados há poucos dias, já que este local está a ser monitorizado por várias pessoas desde há largos meses. E vigiado também... Acho uma graçola ir aquele local e logo depois aparecer o "fiscal".
Peço especialmente a todo/as o/as aquele/as que vivem no Alvorge denunciem esta situação e façam pressão, de forma a que a situação seja resolvida. Vão ao local, tirem fotos, façam vídeos e partilhem nas redes sociais, sem medo nem receios. Porque é que o deverão fazer? Simples, porque terceiros estão a poluir os (vossos) recursos aquíferos, precisamente aqueles que tanto precisamos. As vossas reservas de água, recurso estratégico para as próximas décadas, estão a ser comprometidas com o vosso consentimento, através da vossa passividade. A água é um recurso crucial! O que consideram mais importante, defender quem polui ou defender a vossa saúde e a saúde de milhares de pessoas? Não se trata de saber se existe poluição, mas sim saber a real magnitude da mesma. Sim, porque é isso e apenas isso que está em causa. Agora peço-vos o favor de partilharem este comentário, pois isso pode fazer muita diferença e levar a bom porto esta questão.
Esta é uma novela que já teve episódios muito caricatos, com muita polémica, incoerência, contra-informação e que inevitavelmente terá continuidade. Sim, já que há quem diga que esta é uma não questão e que está tudo nos conformes. Muito pelo contrário meus caros, muito pelo contrário...
A suspeita existia desde Agosto de 2012, mas agora a suspeita tornou-se uma certeza. Quando era ainda uma suspeita, prometi que iria acompanhar a situação, o que em termos genéricos significa que mais tarde ou mais cedo iria descobrir a verdade. Quis o destino que, ao estar a ver os arquivos de um grupo de ex alunos de Coimbra, os quais, no decorrer de um trabalho académico, fizeram um levantamento fotográfico em 2012, me deparasse com algo tão comprometedor. Isto mesmo que os alunos não se tenham apercebido do que "inadvertidamente" guardaram para a posterioridade através de registos fotográficos. Ao passar por aquele local, e se calhar induzidos pela minha máxima (fotografa, pois mais tarde pode servir para algo...), acabaram por ali parar para ver que estranha obra era aquela. Abençoados!
Confesso
que não esperava que algo tão chocante fosse possível em Ansião, algo que
demonstra o quanto podre pode estar uma sociedade que deveria estar alicerçada
em valores e na ética. Mas vamos lá falar de um tabú...
Onde?
Alvorge, mais precisamente a escassas dezenas de metros do Lar do Alvorge. É um
tema que muitas pessoas têm medo de falar abertamente. Toda a gente fala entre si, mas publicamente ninguém tem coragem de o fazer. Compreendo perfeitamente
porquê, já que é um caso de excepcional gravidade, que, na minha opinião, compromete muito boa
gente, influente em termos políticos...(e quando assim é, há sempre o normal receio de
represálias, como eu tão bem sei...). Compromete
entidades públicas e de interesse público, bem como a imprensa de regime
(político), que, na minha humilde opinião, deu cobertura aos responsáveis por
esta situação, ao não investigar o assunto em termos jornalísticos. A imprensa não pode ser parcial...
Mas,
tal como devem saber, eu não tenho problemas em denunciar casos gravíssimos,
aliás sou temido pela minha frontalidade e, diga-se, tenho um gosto especial por casos complicados.
Num
país civilizado este caso deveria resultar em demissões, mas em Portugal, e na região
de Sicó, resultará apenas numa mais que provável vitimização e
desculpabilização por parte dos intervenientes. Com um bocadinho de sorte ainda
vou voltar a ler num qualquer jornal que há fundamentalismos que impedem o
desenvolvimento... E, claro, vou ser (novamente...) um "alvo a abater", mas afinal já o sou há muito tempo.
Mas
comecemos pelo início, passe o pleonasmo. No início de 2012 houve, alegadamente, uma entidade
pública que fez uma obra de “saneamento”, a qual consistiu basicamente em
drenar as fossas localizadas bem perto do Lar do Alvorge. O intuito não posso
dizer, pois não sou bruxo, mas posso dizer o que indicia perante os factos. O
tal “saneamento” não foi para ligar à rede de saneamento pública, aliás,
segundo o actual PDM de Ansião não está ali prevista nenhuma infra-estrutura
de esgotos, apenas uma ETAR no local circunscrito à zona das fossas. Ou seja, estamos perante um
esgoto não oficial e ilegal, o qual, em vez de encaminhar os esgotos para uma ETAR,
encaminha os esgotos para um sumidouro. Ora, isto é gravíssimo a todos os
níveis. Gostava de saber qual vai ser a desculpa por parte das entidades
envolvidas. Se estas tubagens não serviram para ligar à rede de saneamento, porque
foram as mesmas feitas, e logo na direcção oposta do núcleo urbano, onde não
existe sequer possibilidade de ligar à rede de saneamento?!
Na
edição do Jornal Serras de Ansião (Edição de 15/06/2012), a Provedora da
Misericórdia e figura histórica do PSD local, Srª Maria Luísa Ferreira,
afirmava que era falso que os esgotos se infiltrassem num algar ali próximo. Tinha razão, pois não é um algar, mas sim um sumidouro. Toda a trampa vai
directamente para o sumidouro, via linha de água e infiltração pura e dura, seguindo depois para o(s)
aquífero(s) Penela-Tomar e, possivelmente, Sicó-Alvaiázere. Das duas uma, ou a Provedora da
Misericórdia faltou à verdade, ou então desconhece completamente como foi feita
a obra. Espero que a Srª Maria Luísa Ferreira me possa esclarecer. E já agora,
espero que também me possa esclarecer como é que não há problemas de poluição associada à "rede
de esgotos". Não sendo especialista na temática ambiental, não tem competências técnicas que possam sustentar minimamente tal posição...
Lembra-se
de quando o Sr. Jaime Laim disse que a situação dos esgotos não estava
resolvida e, quando confrontada, a Srª disse que estava? (acta CM 2012 – 5 de
Maio, página 12...). Há alguma dúvida que, de facto, não está, nem nunca esteve
resolvida? Aliás, e tal como a referida acta refere, a obra (esgoto) ficou a meio, muito embora o esgoto tenha desde então vazado a trampa...
Há
um pormenor simplesmente delicioso, ou seja, os tubos foram alvo de cortes parciais e planeados (cortes
transversais), o que indicia que foram intervencionados para que os esgotos se
fossem infiltrando durante o trajecto (bela manobra, hein?!).
Falando em infiltração dos esgotos em meio cársico, deixo-vos com uma imagem bem pertinente...
Este trajecto
termina em terra de ninguém, no início da depressão que limita o grande
sumidouro do Alvorge. E não, no limite do “saneamento” não existe nenhuma ETAR,
só mesmo terra e rocha. Não é preciso ser-se especialista para perceber que há
aqui algo de muito errado, mas, em 2012, para a Srª Maria Luisa Ferreira, parecia que nada havia de errado...
Outra
componente interessante tem a ver com a entidade pública que autorizou tal obra
e que promoveu, na prática, a mesma. Eu ia jurar que conheço aquela máquina giratória de
algum lado...
Importa
também saber quem foi o técnico (Eng.º/ª?) que foi o responsável pela construção
do “saneamento”, bem como o autarca que lhe deu a ordem e orçamento para tal obra. Um
destes eu sei quem é, o/a outro/a não faço ideia, embora haja dois ou três
candidatos. Fico à espera do contraditório, caro Rui Rocha, pois politicamente falando, é o responsável pelo facto. Fico também à espera de um pedido de desculpas público, não só aos residentes do Alvorge, bem como aos residentes da região de Sicó, pois na minha opinião justifica-se plenamente.
Mas
continuemos, porque é que as fossas não têm sido regularmente esvaziadas e os
resíduos respectivos encaminhados para a ETAR de Ansião? (tal como alguns particulares têm de fazer às suas custas) Porque andam os
esgotos a vazar livremente e de forma impune? (como o sector terminal das tubagens já está
completamente entupido com tanta trampa, já vaza à superfície pela segunda
manilha, através da tampa – seguindo para a valeta, depois para o terreno,
linha de água e sumidouro) Porque é que esta situação não foi ainda resolvida?
Porque é que o caso não tem saído na imprensa local e regional? Ok, breve vai
sair, mas desta vez não conta.
E
não, não quero ouvir um mero pedido de desculpas, quero ouvir o mea culpa, pois nada pode
desculpar o que se tem passado por aqueles lados. E a saúde pública, quem vai
arcar com as responsabilidades? O que tem a dizer sobre isto Sr. Rui Rocha?
Não, não quero ouvir que a situação já está sinalizada, pois já o disse há 4
anos, e não quero ouvir que isto é da competência das Águas do Mondego, já que
também já o referiu há 4 anos. E não quero promessas, quero acção, em nome da
seriedade e do interesse público, onde se inclui a saúde pública. E, já agora, pretendo também um mea culpa da Srª Maria Luisa Ferreira. Errar é humano, negar o erro já não é bem assim...
Quem
tem a coragem de partilhar este comentário?! Deixo-vos com um pequeno vídeo que fiz há 2 semanas: