domingo, 26 de junho de 2016

Elas andam aí e vêm para ficar...


Na última década as energias alternativas surgiram em força na região de Sicó, contudo nem sempre da melhor forma. Há mais de duas décadas que sou um fervoroso adepto das energias alternativas, mas nessa altura eu e outros éramos considerados quase como uns cromos. Poucos anos depois deram razão aos tais cromos...
Lembro-me bem de me sentar no miradouro da Melriça e não ver uma única torre eólica e passados poucos anos já conseguir ver mais de 200 torres.
Os parques eólicos foram quem mais força deu no que concerne ao avançar das energias alternativas na região de Sicó. Sendo um elemento bastante intrusivo na paisagem, teria sido importante ponderar em primeiro lugar a localização mais adequada para as torres eólicas. Havendo alternativas, não compreendo porque é que se fez tábua rasa da Rede Natura 2000 e de outros valores, caso da Convenção Europeia da Paisagem. O dinheiro infelizmente desvirtuou tudo, facto que actualmente se reflecte negativamente na paisagem de Sicó. Pelo menos num caso a corrupção esteve presente no processo, tendo sido denunciada em sede própria.
Sedentos de fundos, autarquias e juntas de freguesia esqueceram-se do ordenamento do território. Tudo para que cada uma tivesse o seu parque eólico e o seu pé-de-meia. Muitas pessoas esquecem-se é que são elas, através da factura da luz, que, mensalmente, estão a ajudar a pagar os parques eólicos, portanto o dinheiro que entra nos cofres das autarquias não é propriamente uma benesse vinda do além. Não estou com isto a fazer a apologia da negação dos parques eólicos, mas sim do ordenamento do território, da paisagem e do esclarecimento. Parques eólicos sim, mas de forma ordenada.
Hoje em dia já existem formas menos intrusivas quando se pensa em energia eólica e não só. A micro-geração virá em força nos próximos anos e facilmente iremos ver a plena integração das energias alternativas nas nossas vilas e cidades. Eólica e solar são os exemplos mais fáceis e de destacar. A Omniflow (turbina eólica portuguesa), é um de vários e felizes exemplos.
Mas nos últimos anos temos vindo a observar também o surgimento de painéis solares como o que consta na fotografia abaixo. Já é normal ver disto em vários pontos da região de Sicó, mas futuramente serão concerteza muitos mais e com tecnologia e eficiência diferenciada.
Para mim o futuro não será tanto a continuação da lógica dos grandes parques eólicos e das imensas linhas eléctricas de suporte, que desvirtuam a paisagem, mas uma plena integração da energia nos meios urbanos, sem necessidade de uma electrificação da paisagem. Muitos de nós seremos plenos produtores de energia, gerindo parte dela conforme as nossas necessidades. Não há limites para o que aí vem...


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