segunda-feira, 27 de julho de 2015

Alto e pára o baile, Sr. Rui Rocha...


Quando iniciei oficialmente a minha acção enquanto geógrafo muito dedicado à questão do ordenamento do território, cedo percebi que, mais tarde ou mais cedo, teria de ser incisivo em determinadas situações. Isto aplica-se, no geral, a toda a região de Sicó (e não só...) e, no particular, à terra de onde sou natural, Ansião. Logo percebi que em Ansião a realidade poderia ser mais “complicada”, já que afinal facilmente me deparo com quem lido há muitos anos e com pessoas com as quais facilmente me cruzo no dia-a-dia. Resumindo, aqui a coisa torna-se mais sensível.

Ao contrário do que algumas pessoas poderiam pensar, eu trato todos por igual na hora de abordar as questões. Amigos amigos, ordenamento do território à parte. Há quem possa pensar que eu ainda sou aquele puto que andava ali pela vila há 20 anos e se esqueça que os anos passam e que alguns evoluem por si mesmo, longe de cenários onde a meritocracia é coisa que não se cultiva. Ao invés, cultiva-se a lambebotocracia.
Há uns tempos atrás, tive de denunciar mais uma situação irregular, desta vez ordenamento do território puro e duro. Até aqui tudo normal, no entanto, e após a questão chegar aos jornais regionais, a coisa teve um desenvolvimento algo inesperado, embora soubesse que seria uma questão de tempo até que isso acontecesse.
Eis que o presidente Rui Rocha perdeu o seu “desportivismo” e partiu para areias movediças. Ao contrário deste, eu dou-me bem em areias movediças, já que afinal os geógrafos são pessoal do campo e não meros tecnocratas populistas. Em vez de aceitar os factos concretos e objectivos, começou finalmente a utilizar aquele discurso intelectualmente pouco honesto, típico de tantos autarcas por este país fora. Cito Rui Rocha, quando este, de forma indirecta se refere à minha acção enquanto cidadão e especialista em ordenamento do território: “alguns fundamentalismos que inviabilizam o desenvolvimento” (Região de Leiria, Edição de 25 de Junho).
O facto de Rui Rocha ter utilizado este discurso, prova apenas que eu sou realmente capaz de incomodar quem não tem argumentos para rebater o que eu denunciei e, eventualmente, pensará que é intocável na crítica. Eu denunciei factos concretos, devidamente fundamentados, relativamente a uma obra irregular na zona industrial do Camporês. E este, em vez de aceitar desportivamente a crítica, partiu para um ataque que não é sequer digno desse nome. Ou seja pisou a linha vermelha.
Não vou aqui falar de quem, não sendo sequer especialista em ordenamento do território, surge como um messias do desenvolvimento, e logo num veículo muito vistoso, embora supérfluo, da marca demagogia pop. Diria até que tenho sérias dúvidas sobre se este autarca sabe o real significado de desenvolvimento. Ou então sobre ordenamento do território... Na minha opinião este autarca confunde crescimento com desenvolvimento, daí a sua confusão conceptual. É típico alguns economistas confundirem, mas também acaba por ser normal alguns geógrafos corrigirem este engano dos economistas. Estes pensam que o betão é a equação do desenvolvimento quando afinal é apenas uma de muitas variáveis da grande equação que é o desenvolvimento. Quanto ao ordenamento do território, parece-me claramente que Rui Rocha está equivocado sobre o seu significado, pois o ordenamento do território não é pegar numa caneta e esboçar uns limites quaisquer, "à vontade do freguês", num qualquer mapa. Ordenamento do território é estudar as variáveis ali existentes, de forma a saber como as podemos gerir de forma sustentável. Ordenamento do território é ponderar sobre o território e os seus valores, e é nesta base que se cria o desenvolvimento. Ordenamento do território não é decidir sem ponderar ou decidir pensando em primeiro lugar numa empresa. Desenvolvimento é isso caro Rui Rocha!
A melhor resposta que tenho para este autarca é só uma, ou seja, vou literalmente confrontar a sua demagogia com os factos concretos.
Este disse que a obra foi embargada em Fevereiro último, afirmando seguidamente que envolveu entidades como o ICNF “para se perceber se é possível a ampliação”. Ora, aqui, e como se diz, "a porca torce o rabo", pois os próprios documentos da Câmara Municipal de Ansião, disponibilizados para a discussão do PDM, mostram algo curioso. Ou seja, o mapa “Ordenamento – Áreas edificadas consolidadas” mostra que a área onde foi iniciada a obra de ampliação (ilegal) de uma fábrica está prevista como área edificada consolidada no novo PDM. É importante referir que o mapa é datado de Março último, portanto escassos dias após a tal suposta necessidade de se perceber se a ampliação é possível. Sabe o que se chama a isto Sr. Presidente? Incoerência! E a área de Rede Natura 2000 que foi à fava? E a área de Reseva Ecológica Nacional que foi à fava? Escusa de promover uma engenharia de palavras, de forma a fugir ao cerne da questão. Com números é possível trocar as voltas aos olhos, mas com o ordenamento do território a coisa é bem diferente. Comigo não cola uma empresa dizer que não sabia, que foi um erro de projecto, sacudindo a água do capote. Comigo também não cola um autarca vir falar em desenvolvimento logo após uma violação do PDM e depois ainda vir com a conversa tipo, olha, temos mas é de ver se é possível legalizar a coisa, de forma a trazer o desenvolvimento.
Como bem sabe, eu sou conhecido por, além de denunciar factos concretos e objectivos, devidamente fundamentados, ser um profissional que vai bem fundo na procura da verdade, custe o que custar, doa a quem doer. E a verdade é uma coisa chata quando não nos favorece...
Como eu bem expliquei, e ainda sem saber o que este autarca iria dizer, eu afirmei que acreditava que este seria mais um caso de facto consumado, onde a empresa que desrespeitou o PDM acabará por ver a irregularidade que cometeu regularizada em sede do novo PDM. Serei bruxo? Não, é apenas a obtusa (i)lógica que tem desvirtuado este nosso belo país e castrado o desenvolvimento do mesmo. Ordenamento do território é uma palavra vã na boca de muitos autarcas, utilizada quase que por mera conveniência. Por estas e por outras é que eu defendo há vários anos que todo e qualquer autarca seja obrigado (pré-requisito) a ter formação em ordenamento do território, de modo a melhor gerir o seu território (conhecer é poder...). Na minha opinião, Rui Rocha claramente não conhece o território nas suas mais variadas vertentes, ou seja de uma forma transversal. E se Rui Rocha fosse meu aluno na universidade, muito possivelmente teria negativa, tal a inobservância de factos elementares...
O que irá inevitavelmente acontecer com este caso, será o mesmo que já aconteceu noutros casos, já por mim enunciados, ou seja legalização de obras irregulares, seja por via do novo PDM ou por via de uma qualquer norma de excepção.
E já agora caro Rui Rocha, quando quiser aulas sobre desenvolvimento, está à vontade para me contactar. Passo recibos verdes ou acto único se for preciso.
Até hoje sempre me disponibilizei para ajudar no que fosse preciso todos os autarcas desta região, de forma gratuita, mas agora a conversa vai ser outra, pois não posso pactuar mais com autarcas amigos da dona hipocrisia, demagogos e populistas. Pena que assim seja...
Duas curiosidades. (1) Em 2009 tive uma reunião com Rui Rocha, onde, após sugestão da sua parte, dei uma série de sugestões e ideias para o seu mandato. Nessa altura não ouvi nenhuma conversa onde entrasse a patética palavra “fundamentalismos”. Nessa altura eu ainda não era tão incisivo na minha acção em Ansião e Rui Rocha era ainda Vice-Presidente... (2) Em 2009 e 2013, e na sua campanha eleitoral, naquelas arruadas de carros cheios de bandeiras laranjas, estavam também camiões (tractor) de uma empresa de obras públicas e construção civil com a tal bandeira laranja. Esta mesma empresa já teve um prémio decorrente de uma das minhas denúncias, mais concretamente 42000 euros, por enterrar alcatrão. Palavras para quê... Forte com os "fracos" e fraco com os "fortes"?!
Já agora, da próxima vez que se cruzar comigo, pense bem no risco vermelho que pisou. Não irei ser diferente do que fui até hoje e nem irei ser mais interventivo à conta desta sua jogatana de palavras vulgares. Irei denunciar sempre que se justifique, doa a quem doer, incomode quem incomodar, pois o que me move não é o protagonismo pessoal mas sim o protagonismo e a defesa do património, que é nada mais nada menos do que a base do desenvolvimento. Eu pugno pelo desenvolvimento e defendo o razoável! Você, e neste caso em particular, não pugnou pelo desenvolvimento, mas sim pelo interesse privado, não defendendo o razoável. As regras são para cumprir, goste ou não. É isso e apenas isso que está em causa neste caso.
Para terminar, e por mera cortesia, posso informar que estou apenas à espera que me facultem algumas fotografias sobre uma situação gravíssima, para proceder a mais uma denúncia. E esta vai incomodar muito...

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