sábado, 18 de abril de 2015

Um artigo de opinião muito interessante, embora não original...



A beleza do tempo resume-se a dois pontos fundamentais. Ou nos dá razão, e mostra que aquela ideia (ou acção) era mesmo uma boa ideia, ou simplesmente não nos dá razão e mostra que temos que aprender e/ou ver a ideia de uma outra forma ou com uma nova abordagem. Sublinho que não é vergonha nenhuma errar, pois é fundamentalmente com os erros que aprendemos as melhores lições na vida. A nossa vida e as nossas acções são como um livro e isso é especialmente fantástico quando queremos voltar atrás no tempo para falar sobre o que também nos diz respeito.
Há poucos dias, enquanto estava a trabalhar numas coisas, um amigo alertou-me para um artigo bem interessante e presente no Jornal Terras de Sicó. Dado o "aviso" percebi que era algo que me interessava, daí ter ido logo à edição do Jornal Terras de Sicó. Ao que me parece, este Jornal não utiliza o aborto ortográfico, algo que aplaudo (só leio e compro os que não utilizam o "acordo" ortográfico).
Se ainda não leram o artigo em causa, peço-vos que leiam antes de prosseguir a leitura deste comentário.
Agora que já leram, podem pensar que é uma boa ideia termos aldeias do carso (e não aldeias do calcário...). E de facto é! No entanto começa aqui a parte em que volto atrás no tal livro, onde se pode voltar atrás e perceber coisas importantes.
Em 2006, altura em que trabalhava na Câmara Municipal de Alvaiázere, e aproveitando o trabalho de investigação que estava a efectuar no âmbito do mestrado, decidi propor ao edil a realização de um colóquio. Foi-me dada carta verde, na condição de me desenrascar na organização do mesmo. A intenção era a de apresentar algumas ideias inovadoras e sensibilizar para o facto de, naquela, altura, ser a altura ideal para lançar as bases de um projecto de desenvolvimento territorial que envolvesse a criação de um eventual geoparque de Sicó e projectos satélite, caso de aldeias do carso, à semelhança das aldeias do xisto. Ideal porque estávamos na fase de candidatura a projectos do QREN 2007-2013. Fico contente, ao ler o recente texto do Eng. Paulo Júlio, e ao vê-lo falar do Portugal 2020, constatar que na altura eu já estava uma década à frente de muitos autarcas. E não, não estou a falar deste último, já que, reconheço, foi talvez o melhor autarca do seu tempo, na região de Sicó, facto que tem actualmente reflexos no desenvolvimento de Penela.
Voltando ao colóquio, deu muito trabalho e foi um desafio, mas no final fiquei bastante contente com o resultado. Tinha conseguido fazer algo que ninguém tinha até então feito e tinha conseguido levar a Alvaiázere os principais actores de uma estratégia deste género, com o apoio das principais entidades relacionadas, regionais e nacionais (universidades incluídas...). Tudo isto com poucos meses de trabalho e muita atenção aos pormenores. Os únicos pontos negativos foram o facto de que apenas uma das várias Câmaras Municipais (das "Terras de Sicó") convidadas para o evento (Pombal - mais Alvaiázere enquanto organizadora) esteve representada, num universo de quase uma dúzia (vieram também Figueiró dos Vinhos, Alcobaça e Marinha Grande). Por que é que Penela não foi? Se o Eng. Paulo Júlio tivesse ido, ou pelo menos se tivesse enviado alguém em representação, se calhar o seu recente texto pudesse ter tido outro título... O segundo ponto negativo foi um bocado diferente, ou seja um episódio ocorrido durante este colóquio. Durante o encerramento daquele colóquio, e estando nós na mesa, em frente a uma plateia de algumas dezenas de pessoas (40 ou 50), um vereador, que na altura até estimava bastante, em vez de valorizar as ideias que ali fiz questão de propor, tratou de  afirmar que eu era muito jovem e um bocado inocente, daí a ideia ser um bocado "absurda". Este facto chocou-me duplamente, já que a realização daquele colóquio foi um marco no panorama regional e nacional, do qual muito me orgulho. Duplamente porque o vereador em causa já tinha estado ligado a uma associação de desenvolvimento local, portanto deveria ter sensibilidade para o tema e perceber que ali havia algo a explorar. Ironicamente são pessoas como aquele vereador, de Alvaiázere, que anos depois surgem a afirmar que a ideias como aquelas são "revolucionárias" para a região.
Lembro também que estiveram presentes naquele colóquio 4 elementos da Terras de Sicó, bem como elementos da Escola Superior Agrária de Coimbra, PNSAC - ICN, Grupo Protecção Sicó, INETI, ISEP, empresas várias e particulares, facto a não esquecer. 
Voltando ao texto do Eng. Paulo Júlio, constato que apesar de, no geral, concordar com a ideia que ele desenvolve, e que, muito bem, diz no final, não é original, este não está bem informado sobre a realidade dos "conjuntos de autarcas nacionais", pois apesar de serem jovens, são ainda, de certo  modo, e genericamente falando, reféns de uma rede de interesses económicos e políticos que desvirtuam gravemente o nosso território, as suas características e especificidades e o seu dinamismo. Penso que anos após a sua experiência autárquica, já terá percebido que a política portuguesa existe na base da aparência. A sua noção da intermunicipalidade é claramente dúbia, prova disso são as políticas das capelinhas ainda existentes. Lembro apenas aquele episódio que envolveu uma feira de queijos em Penela e que criou atritos (municipal Vs intermunicipal...). 
Claramente tais autarcas não percebem a importância do marketing e escala territorial e imaginam apenas que a valorização do território passa pelo seu património e pelas suas tradições e recursos. Prova disso é que sempre tivemos tudo isto e muito deste foi esquecido, desprezado e ignorado durante décadas, quando as vacas eram gordas. Mas agora que veio a crise, e as vacas emagreceram, o património já é rei. Pode dizer-se que é chique falar sobre património.
Liderança política nunca houve nem haverá no curto prazo, esse é um problema fundamental da região de Sicó. O interesse pessoal sobrepõe-se ao interesse comum, facto.
Sobre o "agente provocador", esse já nasceu há muitos anos, só tenho pena esta questão não ter sido abordada pelo Eng. Paulo Júlio, pois, de facto, já existe toda uma série de pessoas que poderiam fazer nascer finalmente as aldeias do carso. O problema é que são pessoas que não se dão bem com politiquices e, por isso mesmo, têm o rótulo do "persona non grata".
Sobre a tal conferência, essa já foi feita em... 2007, e com os principais actores de desenvolvimento local. Pena é alguns não terem ido... Já lá vão uns anos, é certo, mas a memória não pode ser assim tão curta.
Agora um verdadeiro desafio ao Eng. Paulo Júlio: que tal passarmos das palavras à acção? 
Nota: estou disponível para uma reunião...

Sem comentários: