domingo, 22 de março de 2015

O mau planeamento fica caro, muito caro...


Tenho esta imagem guardada desde o Verão de 2014. Como muitas, estava à espera de um comentário onde esta se pudesse enquadrar de forma concreta e objectiva. Apesar de ser uma fotografia com poucos meses, pretende ilustrar algo já com alguns anos. Trata-se de um exemplo de mau planeamento territorial, não per si, mas sim pelo que está a montante do mesmo.
Começando pelo início, e pela parte positiva, o que se vê na fotografia é uma obra onde um intuito principal foi o de ir buscar água de um poço situando a umas dezenas de metros dali. Isto com um propósito quase  nobre, o de poupar água da rede para a rega do relvado. Disse quase nobre porque a relva não tem valor ecológico e consome demasiados recursos, tendo consequências negativas. Ou seja, os relvados não são propriamente verdes... Mas já lá vamos.
O problema começou na década de 90, quando foi elaborado o projecto que contempla aquela rotunda e o acesso ao IC8 adjacente. Nessa altura existia por ali um enorme poço, e houve uma mente brilhante que achou por bem tapar o enorme poço. Confesso que não sei quem foi tal mente brilhante. Fez-se asneira e gastaram-se umas centenas de euros para tapar o "bicho". A mente brilhante era tão brilhante que se esqueceu que eventualmente o poço até podia ser enquadrado na obra, tapado por cima, ou não, tendo ali um recurso e uma mais-valia para utilizar no futuro. A obra foi feita, a rotunda finalizada e surgiu então o relvado. Para que pudesse haver relvado havia que proceder à sua rega, com água da rede pública. Em 2014 fez-se então uma obra (na fotografia) que pretendia evitar a utilização de água da rede, indo buscar água aos poços que ainda existem por ali. 
Resumindo, o mau planeamento resultou num gasto, perfeitamente evitável, de milhares de euros, pagos, claro, com o dinheiro dos contribuintes. Fica evidenciada a péssima decisão tomada na década de 90, a qual teve claros reflexos económicos em 2014.
Poucos de nós são aqueles que, quando confrontados com uma obra, pensam a mesma a curto, médio e longo prazo. Planeamento é isto mesmo, mas infelizmente temos ali um não planeamento, o que é pena.
À parte disto, queria apenas introduzir a questão dos espaços verdes. Como já referi, a relva não tem valor ecológico. Esta foi uma lição que aprendi há 13 anos, através de um notável geobotânico. Até essa data eu não ousava pisar relva, mas depois disso deixei-me de tretas. Se tiverem de pisar relva, pisem!
Outra lição que aprendi foi acerca dos espaços verdes, disciplina que fiz questão de ter, enquanto opção, ainda na licenciatura, já lá vão uns bons anos. Depois disso a minha visão sobre espaços verdes mudou radicalmente. Um espaço verde não é uma rotunda com relva, um espaço verde é uma rotunda sem relva, mas com vegetação a sério. Vegetação que não precisa de tanta manutenção, que não causa tanta despesa e que é realmente bonita. Brevemente irei dedicar-me especificamente a esta questão, de modo a partilhar convosco uma temática bem engraçada!
Já agora, porque é que, mesmo estando a chover, a relva é regada?!

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