quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

É isso mesmo!


Quem, como eu, se deliciou em outros tempos a jogar ao berlinde, ficará concerteza contente ao ver esta fotografia, a qual nos transporta, que nem máquina do tempo, para as décadas de 80 e início da década de 90. Digam lá que não sentem algo de mágico?
Foi há umas semanas atrás que, ao passar por uma loja, daquelas bem antigas, me deparei com um saco de berlindes na montra. Entrei logo, cheirava a mofo, algo de normal tendo em conta a idade da loja. Soube muito bem, confesso, melhor ainda depois de falar uns longos minutos com o senhor da loja, sobre os tempos de antigamente. Aprecio bastante investir tempo a falar com os anciãos, ou seja aquelas pessoas já de idade avançada, que têm muito para partilhar e poucas pessoas novas com quem partilhar conhecimento muito importante. O pessoal de hoje em dia não valoriza este conhecimento antigo, o que é pena.
Estes berlindes ainda são daqueles fabricados em Portugal, facto que é de salientar, pois não são daqueles made in China.
Há meses atrás falei de um outro jogo, o do pião, mas agora decidi falar de berlindes, imagine-se. Já pensaram oferecer berlindes aos mais pequenos, em vez de um qualquer brinquedo sem alma, feito noutras paragens? Oferecer um berlinde é algo que é bem mais interessante do que se possa pensar. Os miúdos têm de sair de casa, entre paredes, e ir para um terreno qualquer, ao belo ar livre. Aí têm de ver se o substrato é rijo ou mole, de modo a fazer 3 buracos para jogar. Acabam inevitavelmente por ver o tipo de solo, se há raízes que perturbem as jogadas e se há alguma bicharada no solo. Em vez de brincarem apenas, brincam e aprendem. Como podem ver, jogar ao berlinde é tudo menos inocente.
Preocupa-me que, cada vez mais, os miúdos joguem quase que apenas no mundo virtual, sem contacto com realidades fundamentais. Preocupa-me que muitos pais se esqueçam daqueles momentos que valiam mesmo a pena, como era jogar ao berlinde. Agora, muitos destes, em vez de levar os filhos para o mundo real, levam os filhos para o mundo virtual, entre paredes. Para eles é mais cómodo ver um filho sentado num sofá ou cadeira, pois assim não dão tanto trabalho. O problema é, passados alguns anos, o que um filho se torna, por vezes uma pessoa desprovida de sabedoria e conhecimento sobre o mundo real, sem o qual não existiria. 
Agora que uma época festiva se aproxima, lembrem-se deste e de outros jogos tradicionais. Prescindam de brinquedos da treta, vendidos por multinacionais que pretendem apenas o lucro. Comprem berlindes, piões e muito mais, pois além de estarem a apostar em algo pedagógico, estão a apostar em algo que dá emprego aos poucos portugueses, teimosos, que ainda fazem questão de fabricar brinquedos à antiga.

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