domingo, 23 de junho de 2013

E o comércio tradicional?



Comércio tradicional, é isso mesmo. Penso que devem ser duas palavras muito caras, já que cada vez menos pessoas as utilizam, quiçá por estarem sujeitas a um imposto qualquer...
Indo então ao assunto que vos trago, desta vez venho abordar uma questão crucial para a região de Sicó, ou seja o comércio tradicional, o qual não existe apenas na época natalícia. Para isso focalizo o tema em algo que vale mesmo a pena, uma loja que é, no meu entender o melhor exemplo, no bom sentido, do que pode representar o comércio tradicional. É, para mim, uma referência, pois afinal esta loja é mais um dos elementos que faz parte das minhas memórias mais antigas e que se perpectua até hoje, felizmente. 
E sim, esta loja situa-se mesmo em Ansião, a escassos metros da igreja matriz. Para os que não conhecem este notável estabelecimento comercial, sugiro uma visita, pois, garanto-vos, que vale mesmo a pena. Quando lá entrarem e sentirem o ambiente vão perceber do que falo. Fico muito agradecido pelo facto de logo na primeira conversa me ter sido dada a necessária autorização para tirar estas fotografias no interior da loja, as quais servem para mostrar a todos que o comércio verdadeiramente tradicional ainda está vivo e recomenda-se. Uma pessoa entra ali, compra algo e ainda dá dois dedos de conversa, algo de fantástico, mas que se tem vindo a perder...
Esta é apenas a primeira ronda por um dos estabelecimentos comerciais notáveis do comércio tradicional desta não menos notável região.
Andava com esta ideia já há uns meses, mas apenas agora lá tive tempo e oportunidade para fazer o registo fotográfico. A minha intenção é alertar para algo de grave, ou seja o desaparecimento de muitos dos estabelecimentos notáveis do comércio tradicional, onde o antigo ainda resiste, onde o ambiente é único e onde cada estabelecimento comercial tem a sua alma. Não gosto de estabelecimentos comerciais clonados, iguais a um qualquer. Quando viajo, detesto ver lojas exactamente iguais, seja em Portugal ou fora deste. Gosto sim de lojas únicas, as quais têm vindo a desaparecer a uma velocidade assustadora. 
Ansião é um desses casos, onde já poucas lojas notáveis subsistem. No centro da Vila de Ansião, o comércio tradicional está completamente descaracterizado. O cenário há 15 (+-) anos era completamente diferente, pois havia vários estabelecimentos notáveis. Agora existem ali apenas dois ou três estabelecimentos comerciais que se enquadram no comércio tradicional, pois os outros, esses, apesar de importantes, são de um comércio de proximidade e não tradicional. Não gosto do que agora ali vejo, pois não se tentou preservar a alma que ali existia, não se fez um esforço por manter a identidade daquele local e do comércio tradicional.
A maioria de nós até tem pena, no entanto quantos são aqueles que pugnam pelo comércio tradicional e pelos produtos feitos em Portugal? Muitos dos que lamentam o fecho de lojas nesta região, têm um discurso nada consequente, pois logo que apareceram as lojas chinesas e outras mais, de grandes marcas estrangeiras, preferiram ir pelo lado mais fácil, comprando fora do comércio tradicional e roupa que não made in portugal. Depois admiram-se haver desemprego e do pessoal amigo não ter emprego. Não precisam ser fundamentalistas e não comprar nada de fora, mas pelo menos podem fazer como eu, comprar maioritariamente produtos produzidos em Portugal e a preços competitivos.
Obviamente que não posso desmentir que há problemas a debater no comércio tradicional, um deles tem a ver com o valor dos produtos quando sai da fábrica e quando chega à loja. Nesse curto processo há alguns intermediários que ficaram com boa parte do lucro, encarecendo assim o produto e dificultando a tarefa às lojas onde o produto chega. Mas isso são outras conversas, as quais podem e devem ser debatidas noutro âmbito. Para já, foco a atenção apenas nas lojas notáveis do nosso comércio tradicional.
Lojas como esta fazem parte da nossa identidade, porque não fazemos um esforço para a preservar, tal como fazemos com outros aspectos da nossa identidade? Esta perda de identidade leva a um gravíssimo desenraizamento das pessoas para com a sua terra. Perdem-se elementos patrimoniais relevantes, os quais deixam de poder ser passados às gerações que vêm a seguir. 
Se todos fizermos um pequeno esforço em prol desta causa, o resultado poderá ser de uma enorme importância e a vários níveis. Eu irei continuar a tentar dar contributos válidos para que as pessoas se sintam obrigadas a pensar em algo realmente importante, o nosso comércio tradicional. Eu não me conformo com o rumo das coisas, daí ter decidido dar destaque a um estabelecimento comercial de referência a nível regional.



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