domingo, 11 de novembro de 2012

O papel da imprensa local e regional perante o património da região de Sicó

As últimas semanas foram pródigas em factos relacionados directamente com o âmbito do azinheiragate, algo que não é propriamente uma novidade. Então o que me leva a destacar estes factos? Simples, o enquadramento dos mesmos, daí a sua pertinência.
Com este comentário pretendo abordar o papel da imprensa local e regional perante o património da região de Sicó, papel este que pode ser muito diferenciado tendo em conta o/a jornalista que decide abordar a temática do património.
Nos últimos 5 anos tive o privilégio de conhecer alguns dos bons jornalistas que fazem da região de Sicó uma fonte de notícias. Infelizmente há também ovelhas negras, se bem que poucas. Irei falar de ambos neste comentário.
Outro dia, num evento em que participei, fiquei bastante incomodado com a atitude de alguém que eu considero um pseudo-jornalista, o qual deixa muitas vezes de lado a ética, um dos pilares da acção de um jornalista. A atitude foi simples, a falta de educação, já que nem sequer me disse boa noite. Este ressabiamento deve-se a algo muito simples, o facto de essa pessoa não tolerar a crítica, mesmo que devidamente fundamentada. Facto lamentável, digo eu.
Felizmente que nesse mesmo evento falei com um verdadeiro jornalista, o qual faz da ética jornalística um farol que vai guiando, e bem, o jornal do qual é director. Falamos daquilo que é realmente importante e de coisas que, mesmo conhecendo os meandros do jornalismo e da porca da política, me continuam a surpreender.
Mas vamos aos factos. Poucos dias após a reportagem do Biosfera, que passa na RTP2, fui interpelado por um jornal local, facto que muito me surpreendeu. Esta surpresa deveu-se ao facto do jornal local ter sido "O Alvaiazarense". Explicando a coisa de um outro prisma, fiquei surpreso porque sendo este o único jornal da terra, e sendo eu alguém mal amado por interesses obscuros que orbitam por aqueles lados, seria pouco provável que eu fosse convidado para uma entrevista que concerteza chateou algumas pouco ilustres pessoas que fazem de Alvaiázere um matadouro do património. É um facto que, sendo eu quem sou, pode tornar-se problemático para o único jornal de Alvaiázere, convidar-me para uma entrevista, e logo com questões bem pensadas e estruturadas. 
Apesar de surpreendido, acedi com naturalidade à entrevista, já que esta me permitiu esclarecer perante o/as alvaiazarenses, alguns pontos bem importantes no domínio ambiental e patrimonial. Para mim é um excelente sinal esta abertura do Jornal "O Alvaiazarense", facto que, espero, que signifique a tal imparcialidade salientada pelo actual director (que não conheço), aquando a sua "tomada de posse" há largos meses atrás. Na altura fiquei com algumas dúvidas, já que Alvaiázere é um território complicado, mas penso que agora estas minhas dúvidas ficaram mais esclarecidas, no bom sentido. Que esta "ousadia" continue, pois Alvaiázere, as suas gentes e o seu património precisam de um jornal sério e imparcial. E se há quem possa pensar que o que estou a dizer é mera "graxa", desengane-se, pois eu critico seriamente quando se impõe e aplaudo seriamente quando se justifica. Ainda há semanas atrás fiz uma crítica a algo que não considerei uma notícia, a qual saiu precisamente numa edição do Jornal "O Alvaiazarense".
Numa altura de crise, um dos garantes da continuidade da imprensa local e regional é precisamente a seriedade e ética. Quando a mesma falta, corre-se o risco de um jornal pura e simplesmente desaparecer, algo que aconteceu recentemente pelos lados de Sicó.
Mas não é só da imprensa local que Sicó vive, é também da imprensa regional. Esta última pode e deve ser um importante instrumento no que concerne à divulgação do que de bom aqui existe. Naturalmente que os maus exemplos devem também merecer destaque, já que isso pode ajudar a que os maus exemplos não se repitam. 
Sicó precisa da imprensa local e regional e vice-versa. Sicó precisa, e tem, bons jornalistas. Sicó é mostrada por bons jornalistas, sejam de cá ou de fora.
É fundamental que os bons jornalistas, sejam eles quem for, façam de Sicó notícia, pois além da "matéria-prima" não faltar por estes lados, esta é uma importante porta para o país e, mesmo, para o mundo, já que as edições online o permitem. Há muitos que menosprezam o papel da imprensa local e regional, mas o tempo acaba sempre por mostrar a importância desta.
Para terminar, um apelo, uma das formas que todos temos de dar continuidade a muito deste bom trabalho é comprar jornais (e não pasquins partidários...). E que a crise não seja uma má desculpa, pois não é por um euro que ficamos mais pobres. Investindo um euro num jornal, local ou regional, estamos sim a ficar mais ricos! Não há nada como um belo de um jornal em papel, nada o substitui!

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