sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Cabras de Sicó


Esta fotografia tem uns meses, foi tirada bem perto de Condeixa. Rebanhos de cabras não são novidade para mim, no entanto não é todo o dia em que temos todo o tempo do mundo para tirar a bela da foto de grupo aquelas beldades que nos fornecem a bela da matéria prima com que se faz o belo do queijo.
Os rebanhos de cabras, ou ovelhas, populavam Sicó há umas décadas atrás, hoje em dia nem por isso. Vêm-se alguns, sabe-se de alguns projectos (para ou a nascer) ligados a este ramo, mas o potencial está aí por explorar. Desde que bem gerido, é possível, e desejável, termos muitos mais rebanhos a percorrer a região de Sicó em busca do belo pasto. Consegue-se gerir a coisa em termos de vegetação, o que é imprescindível numa área de Rede Natura 2000 (votada ao abandono...), e consegue-se também gerir a questão dos incêndios florestais em áreas esquecidas pelas gerações mais novas. Isso faz-se, por exemplo, na Serra de Aire e Candeeiros, onde ainda "recentemente" foi destacado na comunicação social um destes projectos.
Na década de 40 do século passado, eram, muitas vezes, as crianças a levar os rebanhos para a serra, mas entretanto veio o plano dos centenários, onde se construiram aquelas belas escolas primárias que agora estão ou ao abandono, ou em utilização associativa. Depois disso começou então a decadência e os rebanhos foram desaparecendo das serras. A paisagem hoje em dia seria algo diferente. Perderam-se coisas boas, mas também se ganharam "coisas" fundamentais, como o é a educação. 
Os tempos são outros, mas as oportunidades estão aí. Rebanhos precisam-se e pastores também!
Estar a escrever estas linhas deu-me apetite, pena é não ter aqui o belo do queijo fresco. E quando digo queijo fresco, não é queijo fresco feito com matéria-prima estranha a Sicó, é sim com leite de cá, pois é Sicó que lhe dá o particular sabor!

Mas não é só do queijo fresco que devo falar, é sim também daquele queijo, daquele verdadeiramente artesanal. Não me esqueço de há muitos anos comer deste queijo a sério, o qual era preservado em azeite (ainda há, mas já não é como dantes...). Uma migalha deste queijo sabia mais a queijo do que um daqueles queijos inteiros que muitas vezes vemos no supermercado. Há coisas que o dinheiro não compra, esta é uma delas, restando esperar que voltem as coisas boas que nos alegram a vista e o paladar!

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