domingo, 15 de abril de 2012

Charcos sem vida...


Para quem conhece o projecto "Charcos com vida", que o azinheiragate publicita desde o seu início, não se trata de um engano, o título deste comentário é mesmo um contraponto ao notável projecto dos "Charcos com vida". Venho então destacar um exemplo do que não deveria acontecer, uma situação que é conhecida por alguns e desconhecida de muitos.
As fotografias mostram um local onde há uns anos existia um belo charco, no qual havia vida. Este charco era importante, tal como muitos dos que ainda existem pela região de Sicó, alguns deles belas dolinas.
Conheço este local (Netos, Ansião) há muitos anos, tendo ainda a imagem visual de como o charco era, e foi há 2 semanas que tive a sorte de ter uma breve conversa com um local, o qual me elucidou sobre os factos e me motivou a destacar esta situação em particular.
Inicialmente pensei que tinham sido os locais a entulhar o charco, facto que me incomodava, dada a ilegalidade do sucedido. No entanto não foram propriamente os locais a entulhar o charco, mesmo que alguns tenham deitado para ali uns carros de mão, quem entulhou este charco foi, imagine-se, um presidente de junta de freguesia. Este último facto incomodou-me ainda mais, já que, segundo a minha credível fonte, foi um autarca a promover uma ilegalidade! Isto só reforça uma ideia que defendo há vários anos, a obrigatoriedade dos autarcas terem formação obrigatória no domínio do ordenamento do território, adaptando esta formação às "particularidades autárquicas".
Há coisa de 2 semanas fui aos lugar dos Netos, ver isto com mais atenção. Neste momento o charco está praticamente atulhado com terra, mas dá ainda para ver o muro que circunda o antigo charco e uma outra infraestrutura, de pedra, que entra para dentro do charco. Fiquei ainda mais incomodado com a situação.
Pensei então o que poderia fazer e tive uma ideia, a qual vou agora partilhar com todos. A ideia é simples, a de fazer com que a terra que ali foi colocada ilegalmente, pelo autarca local, seja retirada, de modo a que o charco seja recuperado. Não sei ainda como o fazer, já que não é simples, mas fica aqui a nota para quem quiser ajudar. No mínimo umas pás e um carro de mão chegam!
Uma das muitas coisas que se poderá fazer, depois de recuperado este charco, é utilizar o mesmo enquanto ferramenta pedagógica, na linha do projecto "Charcos com vida". Isto para além das normais funções que um charco tem, sendo que são muitas e importantes, embora mal compreendidas pela maioria das pessoas (um charco não é sinónimo de mosquitos...). Penso que alguns dos locais poderão ser uma boa ajuda para levar esta ideia em diante, pois vi que efectivamente a maioria das pessoas respeita aquele património.
Fica a denúncia de algo que pode parecer pouco importante, mas que afinal até é. Fica também o desafio à resolução desta situação, pois sei que muitos interessados por esta temática estão atentos ao azinheiragate e aos seus apelos.


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