sábado, 17 de dezembro de 2011

As eco-falácias do autarca Paulo Tito Morgado.


Há momentos em que me sinto obrigado a fazer comentários mais robustos, este é apenas mais um desses momentos. Quando digo robusto, significa que é uma questão tremendamente importante, a qual pretendo partilhar convosco de uma forma honesta, construtiva e muito incisiva.
Faço então um comentário que pretende não só denunciar factos que mais adiante irei descrever, mas também, e acima de tudo, alertar a opinião pública para o que pessoalmente considero um "jogo" ética e moralmente reprovável.
Nós, os portugueses, temos o mau hábito do "deixa andar" numa patética atitude de passividade perante quase tudo o que nos rodeia. Infelizmente há quem se aproveite desta nossa passividade, o que, por vezes pode ter impactos tremendamente negativos para as comunidades e para o... património!
Para começar esta minha denúncia, nada como começar pelo princípio: 

"Num momento histórico e económico em que a sustentabilidade e o aproveitamento de recursos faz cada vez mais sentido, o Município de Alvaiázere promoveu, com o apoio da Finerge, vistas guiadas ao Parque Eólico de Alvaiázere.
 Assim, entre os dias 17 e 26 de Outubro, cerca de três centenas de alunos dos três estabelecimentos de ensino do concelho (Agrupamento de Escolas de Alvaiázere, Pólo de Alvaiázere da Escola Tecnológica e Profissional de Sicó e Pólo de Cabaços da Cearte) visitaram o referido parque, ficando a conhecer a lógica de funcionamento de uma infra-estrutura com estas características. Estes alunos e respectivos professores tiveram acesso ao interior de uma torre, percebendo os mecanismos subjacentes ao respectivo funcionamento para a produção de energia e à estação de recepção e transformação da energia produzida. 
Acompanhados por técnicos especializados da Finerge, estes jovens alvaiazerenses perceberam in loco todo o processo de produção de energias verdes associadas ao recurso do vento e foram sensibilizados para a importância da construção e funcionamento dos parques eólicos. Foram ainda elucidados sobre os estudos e trabalhos prévios que antecedem a construção destes parques, percebendo que todos os pormenores são tidos em consideração no sentido de garantir a preservação da fauna, da flora e das características, riquezas e especificidades geomorfológicas do local de implantação.
Tratou-se, pois, de um momento de grande qualidade pedagógica que contribuiu para a formação integral dos jovens alvaiazerenses no sentido de perceberem que o futuro começa hoje e que urge procedermos à protecção e preservação do nosso planeta."

Depois de lerem este excerto de uma notícia, publicada no site da Câmara Municipal de Alvaiázere, podem ficar contentes com a mesma, no entanto como o sábio provérbio diz "nem tudo o que luz é ouro".
Depois de uma cuidada análise à notícia, fiquei realmente preocupado, já que além de ser uma notícia que não corresponde aos factos ocorridos, é uma não notícia. Isto por um motivo muito simples, é um texto que consciente ou inconscientemente visa a manipulação da opinião pública, é a minha humilde opinião.
Repare-se na parte do texto que sublinhei, é precisamente esta parte que confirma inequivocamente a manipulação da opinião pública, com a agravante de estarmos a falar da comunidade escolar. Precisamente num parque eólico que é, e foi, altamente polémico e que também é um case study a nível nacional sobre como não se deve fazer um parque eólico, é dito que "todos os pormenores são tidos em consideração no sentido de garantir a preservação da fauna, da flora e das características, riquezas e especificidades geomorfológicas do local de implantação". Basta uma breve pequisa na imprensa para saber que nem todos os pormenores foram tidos em consideração em termos de garantir a preservação da componente biótica, e abiótica da área, isto não esquecendo a componente arqueológica e cultural. Ver uma mentira passar por verdade é algo que nos deve preocupar a todos, especialmente quanto esta é recorrente e tem um objectivo manipulador.
Apenas um link para informar quem não sabe dos factos ocorridos:
Não foi de forma alguma um momento de qualidade pedagógica, muito pelo contrário. Em termos pedagógicos isto nunca sequer seria falado à comunidade escolar.
O curioso é que isto não me choca, tudo porque o autarca local é Paulo Tito Morgado, o qual desde há 2 anos, depois de um período de silêncio de 1 ano, iniciou uma verdadeira política de tipo greenwash, a qual visa dar cobertura a uma política predadora do território e dos valores ali presentes. É uma política de cosmética que face a grande parte da opinião pública local, e mesmo regional, tem vindo a dar cartas, mesmo que seja uma política com pés de barro.


Mas esta foi apenas uma de muitas acções supérfluas de charme perante uma opinião pública local que infelizmente é vítima da sua própria inocência, guiada livremente por interesses económicos que de Alvaiázere apenas pretendem o lucro, nada mais. Já houve várias situações, novamente polémicas, em que o autarca local, em vez de estar ao lado das populações, esteve sim ao lado dos interesses económicos que exploram ou querem explorar, de forma mais ou menos predatória, aquele território. A imprensa nacional já por várias vezes esteve em Alvaiázere e o resultado foi sempre o mesmo, população de um lado, autarca local e empresas do outro. Obviamente havia certas pessoas do lado do autarca, mas são apenas peões/fantoches que aparecem sempre para tentar diminuir o desgaste que as polémicas têm trazido.
Outra situação que quero destacar, ainda neste âmbito, foi o lançamento da 2ª Edição da Semana da Reflorestação Nacional, ocorrido precisamente em Alvaiázere, em Novembro último. Obviamente que há mérito da parte da Eng.ª Florestal da autarquia, e da própria autarquia, isso não está nem nunca esteve em causa, no entanto esta acção, quanto a mim, não é mais do que algo que infelizmente serve um propósito maior, o da cobertura a uma política altamente lesiva para aquele território. Por um lado planta-se todos os anos umas quantas dezenas de árvores emblemáticas, sempre no mesmo sítio, por outro, prossegue-se com uma política que no essencial degrada o valioso património biótico e abiótico de Alvaiázere. Analisando todas as medidas e projectos pensados por este autarca, a realidade é bem mais dura, betão e mais betão, juntando alcatrão.
Quem, como eu, trabalha em questões ambientais, sabe do que falo, no entanto somos ainda poucos, daí eu pretender com este comentário alertar os restantes, a bem do património da região de Sicó. Estamos a falar de coisas sérias e muito importantes, as quais infelizmente não são debatidas, no entanto aqui estou eu para lançar o debate. Será aceitável esta política de fachada do autarda local, pautada por repetidas eco-falácias?

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