segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Nos Caminhos de Santiago da região de Sicó

Este era um tema que já estava agendado há umas 3 semanas, mas agora é, talvez, a altura ideal para o fazer. Confesso que poderia ter falado deste assunto há mais tempo, mas como felizmente há tanta diversidade de temas para falar que, por vezes, vou adiando alguns.
Venho precisamente a chegar de uma problemática viagem (à Escócia), não vos vou falar dela, isso fica para um livro que, aos poucos ando a escrever sobre as minhas viagens nos tempos livres.
Tomei a decisão de falar hoje deste tema, precisamente há 3 semanas. Isto porque mais uma vez tive o privilégio de falar com viajantes que passavam pela região de Sicó, em busca dos Caminhos de Santiago. Desta vez eram duas sul-coreanas, facto que me fez reflectir ainda mais sobre como é possível termos também esta riqueza que é mais conhecida por viajantes longínquos do que por nós próprios:
Já falei com pessoas de várias nacionalidades, muitos europeus, americanos e sul-coreanas, entre outros. Pensei para mim próprio, o que levará alguém de tão longe vir a Portugal e passar pelos Caminhos de Santiago que atravessam a região de Sicó?!
Como geógrafo viajado sei o que leva estas pessoas a vir até cá, mas mesmo assim fico sempre positivamente surpreendido e ao mesmo tempo contente pelo reconhecimento da região. As viagens transformam-nos para melhor e aprendemos muito com aqueles que vivem por onde passamos. Absorver o ambiente, inalar os cheiros, sentir a rugosidade do terreno, apreciar as paisagens é algo que molda o nosso carácter e caso tenhamos capacidade de aprender, seremos melhores pessoas, isso vos garanto.
O que me leva a escrever este comentário, além de vos fazer reflectir que os Caminhos de Santiago são também um património da região de Sicó, é fazer-vos reflectir sobre algo muito simples. Porque é que as entidades regionais não estão conscientes da importância turística, cultural e económica que representa a vinda dos "Caminhantes de Santiago"? Porque é que não existe uma estratégia concreta de valorização deste recurso?
Uma estratégia passaria em primeiro lugar pela identificação do recurso, depois pela avaliação do mesmo e finalmente por uma estretégia de acção tendo em vista a valorização do recurso. A estratégia passaria não apenas pela divulgação que existe aqui o recurso "Caminho de Santiago" (é um erro comum que se teima em fazer por estes lados..), mas sim de reabilitação do eixo por onde passa o Caminho de Santiago. Os visitantes não querem ver casas que são iguais em todo o lado, querem sim ver a alma da região, habitantes locais, casas de pedra recuperadas, trilhos em condições (e não caminhos florestais que destroem antigos caminhos ancestrais) e tudo o resto. É algo de transversal à região que os actores de desenvolvimento regionais teimam em não compreender. Enquanto isso vai-se perdendo todo um património que depois de perdido não volta...
Lembrem-se que mesmo que por si próprio este recurso não seja uma "salvação", conjuntamente com milhares de recursos (património natural, cultural, etc) concerteza é um recurso valioso para definir uma estretégia concertada de desenvolvimento regional para a região de Sicó, é isso que nos tem faltado. Tem faltado não só pelo facto de termos tido até hoje autarcas e outros actores de desenvolvimento mal preparados, mas acima de tudo por nossa própria culpa, isto porque em tempo de eleições o que mais vulgarmente se pede a um autarca é que ele alcatroe o caminho à nossa porta e coloque uma manilha, é assim que infelizmente vendemos o nosso voto, seja ele para quem for.
Peçam património em vez de alcatrão e vão ver que as coisas mudam, pois enquanto assim não o fizerem, a região de Sicó e o país continuarão a ficar mais pobres, mesmo sendo uma região e um país riquíssimos em termos de património...
Um dia também farei os Caminhos de Santiago, isso vos posso assegurar haja saúde!

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