quinta-feira, 29 de julho de 2010

Estaleiro da sabedoria na região de Sicó

A ideia surgiu-me em termos mais concretos há poucos dias quando estava dentro de um carro à espera. É algo que, quanto a mim, deveria ser uma entidade regional a organizar, obviamente coadjuvada por algumas entidades locais da região de Sicó.
O nome de "estaleiro da sabedoria" surgiu após um longo brainstorming individual, e foi esta a expressão mais indicada para baptizar a ideia que agora passo a partilhar e a propor às várias entidades da região de Sicó. Quando digo estaleiro não é no sentido depreciativo, é sim no sentido de um espaço (virtual ou não) onde se pode ir buscar recursos muito valiosos para construir algo de bom e de últil para o desenvolvimento regional.
Num território como o da região de Sicó não é novidade o potencial cultural do mesmo, mas infelizmente também não é novidade que quando muitos sábios/artesãos/mestres/anciãos desaparecem, o mesmo se passa com a/s sua/as arte/s. Para piorar, pouco ou nada se tem feito em termos concretos para mitigar este problema.
Uma das coisas que se observa na região de Sicó, pelo menos para aqueles que sabem e lidam mais com as questões do património, é que quando se tenta procurar certo mestre/artesão, esta é uma tarefa quase impossível. Mesmo a nível de câmaras municipais este problema é uma realidade, fulano x tem de telefonar a fulano y para ver se fulano z sabe de algo. Basicamente para se chegar a certas pessoas chave o caminho é demasiado longo, estando também muitas vezes dificultado pelo facto de finalmente quando se chega a casa destes artesãos/mestres, este está fora e não há contacto algum.
Basicamente é um bico de obra para se chegar a pessoas que conhecem como ninguém certas artes e ofícios relacionados com o nosso património cultural.
Por isso mesmo penso que as coisas têm mesmo de mudar, para melhor, pois já se perdeu demasiado com estas descontinuidades do conhecimento ancestral na região de Sicó (e não só).
Tendo em vista a mitigação deste grave problema, sugiro o seguinte:
- Que as várias entidades locais comecem a reunir toda a informação relativa a estes artesãos, homens e mulheres que conhecem artes que mais ninguém conhece.
- Que estas mesmas entidades entrem em contacto com as respectivas câmaras municipais de forma a que estas agrupem e tratem eficazmente a informação recolhida.
- Que as câmaras municipais entrem em contacto com uma entidade supramunicipal (eventualmente as Terras de Sicó) para se elaborar uma base de dados, devidamente georeferenciada, com as informações mais importantes.
Desta forma ficaria disponível, quer às câmaras municipais, associações locais e regionais, universidades, etc, toda a informação que permitisse não só saber os artesãos/mestres que existem na região de Sicó, mas também entrar rapidamente em contacto com estes de forma a dar início a uma estratégia de revitalização de muitas destas artes e ofícios. Estas artes e ofícios além de representarem um património impressionante e importantíssimo, podem representar mais um vector económico regional, diversificando assim a actividade económica da região de Sicó.
Dou agora um exemplo simples para que todos compreendam o que quero dizer com isto. Imaginem que esta base de dados já existia e que uma câmara municipal, empresa ou associação quaisquer, queria trazer turistas para verem in loco um moinho de vento a funcionar e ver como se mói cereais. Telefonava-se directamente ao mestre do moinho, ou pessoa que fizesse a ponte, e rapidamente se poderia organizar algo. Assim ficavam os turistas contentes por verem algo raro e ficava o mestre ainda mais contente por ver que a sua arte era valorizada e que até poderia surgir um novo pupilo para dar seguimento à arte. Este é apenas um de muitos exemplos possíveis, destacando eu o potencial que esta ideia pode ter até em termos de investigação nacional e internacional. Multipliquem isto pelas várias artes e assim podem compreender a amplitude esta ideia do Estaleiro da Sabedoria.
A ideia está lançada, fico à espera de reacções...

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