quarta-feira, 24 de março de 2010

Englishman in Sicó

Partindo de uma conhecida música de um conhecido cantor, decidi dar um título algo diferente do normal no azinheiragate. Isto tudo para comentar um fenómeno que nos últimos anos tem começado a ter um impacto bem visível na região de Sicó, nomeadamente na reconstrução de muita da edificação tradicional.
Ao início eram alguns aventureiros que chegavam vindos da terra de Sua Majestade, ou então da terra das tulipas. Eram vistos como pessoas diferentes e estranhas numa região pacata, por vezes eram confundidas com pessoal que andava metido em maus caminhos e vinha para esta região em busca de anonimato.
Os anos passaram e já são centenas de estrangeiros que fazem da região de Sicó a sua região, recuperam casas, muitas vezes mantendo a sua traça original. Acima de tudo mostram aos locais como afinal se faz, ou pelo menos como muitos deles deveriam fazer, dando mais atenção às potencialidades desta região que alguns ainda continuam a ignorar, pelo menos aparentemente, já que alguns locais há que fazem isto porque têm negócios que correm melhor enquanto nós formos um bocado "ignorantes".
Hoje em dia o preço de algumas ruínas é escandaloso derivado deste fenómeno, fazendo com que algumas pessoas curiosamente desistam de recuperar algumas destas ruínas. É toda uma estratégia que falhou e que faz com que haja alguma repulsa pela recuperação de muitas casas antigas, afinal é bem mais simples mandar vir uma máquina para mandar aquilo abaixo e meter betão e tijolo em vez das pedras.
Conheço alguns destes ingleses, mas nenhum holandês ou de outras nacionalidades, sei que é um nicho de negócio que ainda está por potenciar, nomeadamente em questões de geoturismo, já que nestes países as pessoas ligam a estes pequenos pormenores que poderiam fazer toda a diferença em termos económicos na região de Sicó.
Antes de decidir enveredar pelo projecto no qual trabalho agora, ainda pensei em criar o meu próprio emprego na região que me viu crescer, criando uma empresa num ramo novo, onde curiosamente não existe nenhuma do género na região de Sicó. Seria algo de inovador, mas infelizmente a triste sina da nossa região impediu-me e dificultou esta minha ideia, algo que lamento profundamente. Quem se mete no caminho de gente corrupta acaba por pagar de alguma forma...
Com este comentário quero, ou pelo menos peço, que pensem em questões "simples" como esta e compreendam porque é que já poderíamos estar 10 a 15 anos à frente e estamos ainda numa fase muito incipiente de desenvolvimento da região.
Temos um território fabuloso mas que está a ser depradado a uma velocidade estonteante. Ao mesmo tempo as potencialidades da região vão desaparecendo, será que vamos continuar a aceitar isto a não fazer nada para o reverter?

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