terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Maravilhas Naturais da Região de Sicó

Este é um tema que já tinha pensado abordar no azinheiragate, no entanto ainda não tinha ponderado a altura ideal para tratar este assunto tão interessante e de forma pertinente.
Eis que o momento chega e nada melhor do que a votação das Maravilhas Naturais de Portugal para começar.
É sem dúvida alguma um dos expoentes máximos do património, o Património Natural, algo pelo qual luto, pela positiva, com bastante vigor, tentando não só divulgar o mesmo bem como fazendo frente a lobbys corruptos que o tentam denegrir, afectar ou destruir em benefício próprio.
Esta é a altura ideal para vermos afinal qual é o conhecimento real, bem como a motivação das autarquias e demais entidades regionais na divulgação do Património Natural da Região de Sicó.
Câmaras Municipais, Institutos Públicos, Organismos Não Governamentais, Associações, entre outros, foram responsáveis pelas propostas que levaram à eleição dos candidatos nas várias categorias (Zonas Marinhas; Grutas; Praias e arribas; Florestas e Matas; Grandes relevos; Zonas Protegidas e Zonas Não Marinhas). Por este motivo seria lógico que pelo menos as principais referências da região de Sicó estivessem na lista.
Por isso mesmo analisei com alguma atenção quais foram afinal as Maravilhas Naturais da Região de Sicó presentes na lista de 323 candidatos.
Confesso que após analisar o site referente ao concurso das Maravilhas Naturais de Portugal fiquei bastante desiludido com o que lá vi, no que concerne às propostas para a Região de Sicó, as quais mostram um profundo e lamentável desconhecimento da região de Sicó. Há municípios que tinham bons candidatos que nem sequer propostas fizeram, como é isto possível?
Outros há que surgem, felizmente. Vamos aos destaques positivos e negativos:
Antes de começar esta análise queria referir que já tinha observado este site há algumas semanas atrás e havia locais que surgiam e que agora não aparecem referidos, mesmo assim faço a análise de acordo com o que hoje consta (na primeira vez observei que Pombal e Soure referiam a Serra de Sicó e que Ansião referia o Rio Nabão e outro local - neste momento não surgem).
Em Penela surge o Sistema Espeleológico do Dueça (muito positivo e merecedor). Enquanto geógrafo físico e espeleólogo sei do notável valor destas grutas.
Pela negativa, noto a falta da maior mancha de carvalho cerquinho da Península Ibérica, algo de inaceitável dado o seu valor natural. A nível intermunicipal é incrível como é que ninguém se lembrou de candidatar o Maciço de Sicó e a sua Rede Natura 2000. Não compreendo também como é que não surge o Vale dos Poios e o Vale das Buracas. Já no que se refere à Serra de Sicó é triste que uma Serra tão valiosa esteja na situação actual, esburacada...
Em Alvaiázere o cenário é mesmo deprimente, nada surge, mesmo tendo em conta valores tão importantes como a Serra de Alvaiázere (onde a corrupção está a destruir muito...) e a Depressão Fluviocársica de Alvaiázere (a escalas menores existem ainda mais pontos com potencial...).
O Juromelo e toda a sua envolvência também não surgem como candidatos., pena que assim seja.
Estes são apenas alguns dos exemplos que poderiam constar na lista de candidatos da região de Sicó para o concurso Maravilhas Naturais de Portugal. Não pretendo com isto especificar demasiado todos os locais com potencial, quero sim lançar a discussão sobre tema, espero ter conseguido dar um pequeno contributo para que todos possam pensar um bocado sobre o assunto, sobre os locais de valor regional ou nacional que existem na vossa terra, mesmo que não saibam todos os que existem, algo de normal. Têm agora uma boa oportunidade para investigar e investir algum tempo nesta temática.
É inconcebível que sejam algumas associações locais e algumas Universidades, bem como algumas pessoas a nível pessoal, que dêm mais valor e promovam esta região e os seus valores, em vez das entidades públicas que têm responsabilidades na matéria, as quais pouco ou nada fazem em termos práticos, por mais que digam ou prometam mundos e fundos. A explicação é simples, falta de preparação, incompetência e um jogo de interesses obscuros em que quem muitas vezes manda faz as coisas ao jeito de si e dos seus amigos, verdade seja dita!
Este foi mais um exemplo daquilo que corre mal na região de Sicó, se as nossas entidades não conhecem o seu território e não o sabem gerir como podem elas saber promover esta mesma região?

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