terça-feira, 10 de março de 2009

Um ano de desemprego: quanto custou aos contribuintes, consequências e factos pertinentes...

Faz hoje precisamente um ano que entrei em situação de desemprego, ou mais precisamente faz hoje um ano que pedi o subsídio de desemprego, pois o último dia de trabalho na Câmara Municipal de Alvaiázere foi no dia 7/03/2008. É um dia que nunca esquecerei pelo seu simbolismo, associado, claro, ao despedimento encapuzado que Paulo Tito Morgado promoveu à pessoa do João Forte, Geógrafo.

Lembrei-me que seria importante fazer um balanço deste último ano e mostrar-vos o quanto desastrosa pode ser uma atitude como a de Paulo Tito Morgado, falando de factos concretos, quer a nível financeiro quer a nível profissional. Penso que todos os que lerem estas linhas vão ficar revoltados e ver a razão do país estar na situação que está, precisamente devido a pessoas como o caro amigo Tito Morgado, um aprendiz de político, que neste ano de eleições poderá colher os ventos que semeou em termos políticos (se bem que uma população pouco letrada é facilmente enganada por políticos sem moral).

Nesta altura do campeonato já todos sabem os factos concretos da história:

- A não renovação do meu contracto foi uma atitude de represália derivada da denúncia do abate das azinheiras (ainda ninguém sabe quem foi que denunciou nem ninguém vai saber, pois é um segredo muito bem guardado).

- As afirmações de Paulo Tito Morgado que negava taxativamente que não tinham sido abatidas quaisquer azinheiras eram afinal mentira, já que este meu amigo foi desmascarado nestes factos, o youtube muito contribuiu para este mesmo facto.

Estes são apenas os factos mais "badalados", mas há outros que vos pode interessar de sobre maneira de modo a que em ano de eleições façam o vosso juízo face a uma classe política completamente descredibilizada, seja em termos morais, de competência e da própria legalidade afecta a instituições públicas, caso das câmaras municipais. Só para que não haja oportunistas refiro que não faço parte de nenhum partido político, pois já fiz há alguns anos e saí derivado da podridão associada aos interesses políticos. O que faço é em nome do desenvolvimento da região e das pessoas, da sua identidade! ( e não em nome de interesses pessoais e oportunistas).

Ficam então dados que poucos sabem que que muitos ficarão surpreendidos se saber:

- A carta que informava a não renovação do contrato foi-me enviada apenas 3 dias após ter saído para a praça pública o abate das azinheiras.

- Paulo Tito Morgado desculpou-se que a não renovação era derivada de eu não ter implementado em tempo últil os Sistemas de Informação Geográfica, disponibilizando uma aplicação web map no servidor. Curioso este facto, compreendo que tivesse de arranjar uma desculpa esfarrapada, mas o facto é que a aplicação já estava disponível e a funcionar no meu pc, estando eu há espera há mais de 9 meses que me fosse facultado um servidor.... Posteriormente foi alugado um para o efeito (já em 2008 após haver financiamento...). Uma palavra: lamentável!

- Os SIG´s não atrasaram, como eu previ 8 meses, já passaram 16 e está tudo na mesma, estando aliás prestes a ser contratado um... geógrafo para as mesmas funções, surpreendidos? "Neste momento" a Câmara de Ourém disponibilizou-se para ajudar a recuperar este atraso, bem como o gestor do SIGAE implementado na região. O atraso só será recuperado cerca de 3 a 4 meses após a entrada de mais um geógrafo (de SIG).

Desta forma os serviços que me estavam afectos não foram garantidos, como referiu aliás Tito Morgado.

- Tito Morgado, não informou ninguém acerca da não renovação de contrato, o meu chefe de divisão, na altura, soube 4 dias após o sucedido em conversas de corredores..... Desde Novembro de 2007 (antes de me enviar a carta de não renovação) que Tito Morgado me evita, nunca mais se cruzou comigo, atitude nada abonatória da sua coragem e seriedade política, já para não falar na pessoal.

- O acesso às minhas funções foi-me vedado poucos dias após os factos ocorridos, atitude ilegal e profundamente lamentável que mereceu queixa formal ao primeiro-ministro. Curiosamente nunca vi Tito Morgado a ser alvo de processo pelo facto.

- Tito Morgado violou o PDM de forma muito concreta (REN e RN 2000), porque é que nunca foi destituído das suas funções como determina a lei? Este autarca já violou várias vezes o PDM e continua impune, coisas só possíveis num país terceiro mundista onde a sede de poder impera.

- Quando um jornalista do Diário as Beiras foi à Serra de Ariques para ver o sucedido, prontamente uma carrinha da câmara o foi levar, mas antes de chegar ao local estava muito convenientemente um tractor a bloquear o caminho, negando o acesso do jornalista, porque será? Felizmente que o jornalista se apercebeu!

- Tito Morgado contratou uma advogada, sua amiga pessoal (algo de ilegal), para analisar o meu caso (com vista a um eventual processo disciplicar..), já que o mesmo afirmava que eu após ter recebido a carta de não renovação tinha iniciado uma campanha negativa contra a câmara, quando apenas eu mostrei factos dentro da legalidade e quando quem denegriu a imagem da câmara foi Tito Morgado com esta polémica. Curiosamente, quando a advogada lá foi, tive de ir falar com ela no..... gabinete do meu amigo Tito Morgado. Sempre defendi e hei de defender a imagem da câmara de Alvaiázere de gente que não tem moral para fazer quaisquer tipo de afirmações para com a minha pessoa.

- Na altura, como não conhecia os meus direitos fiquei um bocado receoso, mas o facto é que a verdade veio ao de cima, tive quem me defendesse nesta situação (os próprios alvaiazerenses estão do "meu" lado (do lado da verdade) e tive também que marcasse posição contra ameaças que me foram feitas por cobardes não identificados.

- Neste último ano ganhei mais estando em casa do que estando a trabalhar, surpresos? (também eu...).

- A minha tese esteve parada alguns meses porque fui-me abaixo com toda esta situação digna de um Portugal pré 25 de Abril de 1974.

- Após este período "negro" recomecei as coisas e entreguei a tese a tempo em 2008 (caso não entregasse ficava como tese feita já no processo de Bolonha - menos valiosa), o que muito me alegrou! A minha ideia era de entregar um exemplar da tese à câmara de Alvaiázere, mas derivado dos acontecimentos ando seriamente a pensar não oferecer, pelo menos até Tito Morgado Sair, pois já vi que há coisas que fiz a nível pessoal que andam a querer ser "copiadas" com outros nomes. Darei sim à câmara de Ansião, que já manifestou interesse em analisar concretamente os conteúdos da tese, já que um dos objectivos é o de disponibilizar um plano de desenvolvimento para a região, onde as câmaras podem ser actores fundamentais para o desenvolvimento da região a vários níveis.

- O último ano foi talvez o melhor da minha vida em todos os aspectos.

Vamos então ao que mais interessa, os custos da minha saída em termos monetários e em termos de projectos que ficaram na gaveta:

- custo da minha situação de desemprego: aproximadamente 14000 euros

- Custo do aluguer da máquina que estava a abrir o estradão ilegal: a máquina antes de ter sido mandada embora já estava a partir pedra há alguns dias, pelo menos 6, portanto a minha estimativa anda à volta dos 5000 euros de despesa para a câmara. A empresa que alugou a máquina e o manobrador é de Alvaiázere.

- Manobras para impedir que as coisas se soubessem: a minha estimativa ronda à volta dos 2000 euros, onde se incluem carrinhas utilizadas no decorrer da situação, das horas perdidas por alguns funcionários, etc.

- Contratação de um docente universitário para tentar negar o óbvio(não faço a ideia de quem será, mas concerteza não é bem cotado no meio) deve andar à volta dos 500 a 1000 euros, pelo menos. Felizmente que uma das pessoas mais credenciadas de Portugal e profundo conhecedor de Alvaiázere, o Prof. Doutor Mário Lousã, fez um comentário que arrasava a actuação de Tito Morgado

- Custo para o município em termos de imagem: não faço a mínima ideia, pois não é palpável, mas hoje em dia e infelizmente a Câmara Municipal de Alvaiázere está mal cotada em termos de imagem, resta-me ajudar a mesma, de forma gratuita, a restabelecer a boa imagem que tinha, pois eu gosto imenso de Alvaiázere e da maior parte dos colegas com que tive o prazer de trabalhar.

- Custo para o município do atraso relativo aos Sistemas de Informação Geográfica: fazendo as contas ao número de meses que o projecto está parado e ao número de meses que é expectável de retome o rumo - total de 20 meses a 1000 euros cada mês + ajudas externas 1000 euros. O total deve rondar à volta de 21000 euros.

- Custo estimado do desenvolvimento de um CDRom que estava a ser desenvolvido por um webdesigner e em parceria com uma escola tecnológica: 4000 euros


Agora os projectos que foram abaixo com a minha saída e que não são contabilizáveis:

- 5 protocolos de colaboração com universidades (já estavam acertados!), onde se inclui um que resultaria em estágios de alunos de mestrado em geografia a custo zero ou muito reduzido.

- 1 protocolo com um geopark, com vista à troca de experiências de desenvolvimento de políticas associadas ao desenvolvimento do concelho a vários níveis.

- 1 protocolo com um grupo de espeleólogos, com vista à determinação do potencial espeleológico do concelho.

- Projecto de percursos pedestres que estava a ser desenvolvido por mim e para aplicação entre 2008 e 2009 (devido aos fundos comunitários a envolver).

- Projecto de CRRom que estava a decorrer e que iria abranger várias actividades com vista à promoção turística do concelho, o qual estava a ser desenvolvido sob a minha tutela e com pessoas e entidades do concelho e fora dele.

- Projecto de reabilitação de duas antigas escolas primárias com vista à promoção do património natural (biótico e abiótico), onde poderia surgir um centro ciência viva associado ao carvalho cerquinho (na figura abaixo, já com o projecto estrutura feito - por um não trabalhador da câmara, só para que não haja espertezas...). Seria uma reabilitação ímpar, onde a traça dos edifícios seria mantida e potenciado o aproveitamento das energias renováveis (solar e microgeração). Seria também um ponto associado aos percursos pedestres.

- Associado a este último projecto seria a recuperação de outra escola, com vista ao estabelecimento de uma base para investigadores afectos aos vários protocolos de colaboração a celebrar entre câmara e universidades. Tudo isto estava apenas à espera que abrissem as candidaturas do QREN, pois elas atrasaram em 2007. Tudo estava pronto e a postos para a candidatura.

Nesta fase já todos podem ver o quanto cara ficou a atitude irresponsável de Tito Morgado, negando a evidência sem nunca se redimir e reconhecer o erro. Errar é humano, mas há quem não admita que erra...

Directa e indirectamente todo o casso associado à minha saída ficou em dezenas de milhares de euros, algo que é de lamentar num país e especialmente num concelho com tantas dificuldades, onde é preferível gastar quase 100000 euros só para salvar a face e negando as evidências que o tempo tratou de trazer ao conhecimento de todos, por mais que isso custe a alguns e por maior que seja a azia de alguém em especial.

Uma coisa que me deu enorme alegria é que com toda esta situação só fiquei a ganhar quando pensei, ao início, que muito iria perder. Em termos financeiros ganhei mais, em termos profissionais a minha cotação no mercado subiu em flecha, tendo eu mostrado que sou um profissíonal íntegro que deixa o interesse pessoal atrás do interesse público, coisa rara hoje em dia. Além disso tive todo o tempo do mundo para recomeçar a vida, descansar e terminar a tese, actualmente faço planos para começar um projecto daqui a meses, penso que muitos irão gostar do que tenho em mente, mesmo que note que haja interesses lobystas e tentar abortar o projecto no seu início...

Uma coisa melhor é que posso ajudar sem que alguém me possa impedir de ajudar a região e o próprio concelho onde investi 3 anos da minha vida profissional e pessoal, pois dei o litro e dei 2 meses e meio de graça à câmara de Alvaiázere, algo que não me arrependo.

O "azinheiragate" foi algo que começou a mudar as coisas em Alvaiázere, onde um povo subjugado à vontade de dois ou três começou a combater o estado lastimável das coisas, é algo que me dá imensa alegria e que espero que continue até que os "actorzinhos de meia leca" se mudem para outras paragens, a bem da região.

Eu continuarei por cá, doa a quem doer e já mostrei que tenho a coragem suficiente para mudar muitas coisas para melhor, fazendo frente a lobystas e que não tenho telhados de vidro, coisa que muitos têm.....

Poucos são os que sabem, mas já tinha havido problemas para outra pessoa que chateou Tito Morgado, ainda em 2007 (no primeiro semestre) houve uma jornalista de um jornal regional que escreveu umas linhas que irritaram o amigo Tito Morgado, mesmo que fosse um artigo correcto foi considerado pelo mesmo como que uma ofensa, algo de lamentável. Poucos dias depois do sucedido a jornalista foi..... despedida! Ainda me lembro quando ela foi a Alvaiázere e passou apressada ao lado do meu antigo gabinete para pedir explicações a Tito Morgado, estava revoltada com o facto, como é normal. Pena é que ainda haja estes episódios que apenas mostram que a democracia é muito bonita quando nos convém, pois quando permite a outros que possam expressar a sua opinião livre, já é um empecilho.....

Por estas e por outras é que eu coloquei a correr uma petição e exigir a demissão do meu amigo Tito Morgado e do seu executivo. É uma petição legal (já confirmei!) e podem assiná-la no fundo do blog, caso não se queiram identificam podem colocar como anónimo, pois só eu tenho acesso ao nome das pessoas que assinam e que colocam nome anónimo na petição. Para alguns poderá ser uma boa solução pois evita represálias, este mundo é mesmo assim, infelizmente....

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