sexta-feira, 9 de maio de 2008

Dois discursos pelo IC3?

Depois de ter lido mais um artigo sobre a questão do IC3, não podia deixar de comentar a questão, não que já não tenha referido a temática mas sim pelo conteúdo confuso de dois textos que estão disponíveis a quelquer um de nós através da imprensa.
Comecemos então pelo início, as duas notícias contraditórias:

«Tal como estou em crer que a todos os munícipes interessa a defesa do património natural e a salvaguarda da biodiversidade, creiam também que o Município de Alvaiázere é e será o primeiro defensor desses valores, com a clara consciência que os mesmos pertencem, não ao indivíduo ou à comunidade local ou regional, mas à humanidade.»
Paulo Tito Morgado in Jornal O Alvaiazerense, 4 de Março de 2008

«No abaixo-assinado, os munícipes reclamam que seja escolhido o traçado mais próximo da sede de concelho, o qual, no entanto, apresenta mais constrangimentos ambientais.»
Notícias do Centro, Edição nº 72, 30 de Abril de 2008

Qualquer um de nós pode comentar livremente esta questão, acima de tudo nota-se que aqui há algo que é no mínimo contraditório, mas não é tudo!
Tive a oportunidade de ler o tal abaixo-assinado na ADECA, o qual não foi feito pela população, nem difundido pela mesma, é bom que isto se diga! Em termos técnicos o abaixo assinado foi mal elaborado, isto porque quando pede a opinião do cidadão, condiciona à partida a sua resposta. Isto porque o cidadão não pôde "reclamar" acerca de uma das possibilidades (a que menos afecta ambientalmente o concelho), tinha portanto de assinar defendendo obrigatoriamente a 2ª hipótese, o que em termos técnicos é muito pouco ortodoxo, já que está a manipular a opinião das pessoas, vinculando-a para algo que não pretende, mesmo que defenda a outra hipótese, ou seja a 1ª solução, a qual eu defendo de forma acérrima em termos pessoais e profissionais. O IC3 é muito necessário, mas feito de acordo com as regras que tenham em conta o equilíbrio entre Natureza, economia e população, fugir a isto é perverter tudo o que permite que as coisas corram bem no curto, médio e longo prazo!!
As pessoas de Alvaiázere defendem sim a 1ª hipótese e neste abaixo-assinado mal elaborado, não tiveram a possibilidade de o mostrar, tendo sido apenas remetidas de uma forma pouco aceitável para a segunda hipótese, a que menos interessa a Alvaiázere e às suas gentes! Além disso constava neste abaixo-assinado um mapa que nem merece esse nome, pois está muito mal elaborado pelas regras cartográficas que todos os bons profissionais seguem...
Defendi também as gentes de Alvaiázere nesta questão durante o período de discussão pública, já que pessoas houve que off the record vieram falar comigo para ver o que eu podia fazer. A 2ª hipótese é lesiva para o ambiente (zonas de infiltração máxima, carvalhos centenárrios, habitats de interesse comunitário da RN2000, estrada romana, etc) , economia e para as gentes de Alvaiázere, diminuindo a sua qualidade de vida, não é por passar 1 ou 2 km ao lado que o desenvolvimento não vem.... Havendo duas vias de acesso e havendo uma boa estratégia de marketing territorial o desenvolvimento surge!!
Eu defendo os abaixo-assinados, mas de uma forma justa, competente e imparcial, longe de manipulações lobbistas!! Se este abaixo-assinado foi mal elaborado é porque houve incompetência (tem de ser apurada a fonte!), é que eu prefiro nem sequer sonhar que poderá ter sido propositadamente manipulado não por uma entidade, mas sim por um lobista...
Eu detesto duas coisas em especial, incompetência e lobbys!! Se acabarmos com isto, as entidades respeitáveis que nos governam terão possibilidade de se afirmar e sair da tradição da incompetência (que é encarada infelizmente como "normal") das cunhas e de coisas do género a que o funcionalismo público está associado desde há décadas...
É este o meu singelo objectivo, fazer algo de positivo pelo país e por esta gente que merece melhor. Isto consegue-se respeitando as entidades legalmente instituídas e denunciando os incompetentes e situações associadas aos mesmos, aos clientelistas, lobistas e por aí adiante...

2 comentários:

anónimo disse...

Que estranho!...

Antes de mais, as minhas saudações, Dr.
Daqui fala o Alexandre do costume.

Veio até mim um abaixo-assinado e pediram-me que o assinasse. Era apenas uma folha com linhas em branco para colocar o nome, B.I. e assinatura. Não trazia qualquer outra identificação, ou informação. Disseram-me que o traçado do IC3 já tinha sido decidido, que ia passar lá para os lados de Figueiró, e que "tínhamos perdido a batalha" (?!). Contudo, havia a possibilidade de pedir um nó de acesso, um ramal que ligasse a sede do nosso concelho, Alvaiázere, ao IC. Caso contrário para aceder ao IC3 teríamos que fazer muitos quilómetros. Ora, eu sou eco-anarquista como Henry Thoreau, e não tenho o mínimo interesse pelo regime democrático, pois a tirania da maioria há muito me roubou a liberdade. Por isso, assinei apenas para fazer favor ante tanta insistência. Contudo, parei por um segundo, e lembrei-me do óbvio: "Então, para acedermos ao IC3 não basta irmos até ao nó do Avelar? Não é assim tão longe..." - questionei. Não me respondeu. Fiquei sem perceber muito bem para que raio era o abaixo-assinado. Nem estava interessado em saber. Isto sucedeu há, talvez, 2 semanas atrás.

Eu odeio política. E até de discursos técnicos estou farto.

Bem, adiante.

Nestas últimas semanas tive a primeira oportunidade de entrar num pequeno bosque da área cársica do concelho. Eu vivo numa área de características temperadas continentais, com invernos muito frios e geadas em Abril, e perto de minha casa existe um pequeno e escondido bosque (o último) temperado de castanheiros centenários, carvalhos cerquinhos e negrais e um casal de esquilos. Em redor existem extensas plantações de eucalipto e alguns pinhais. Por aqui, água não falta, existem inúmeros ribeiros e riachos, e costumo explorar uma área que vai desde o limite do concelho até ao rio Zêzere, nomeadamente Casalinho de Santana, visto que os meus antepassados são das aldeias ribeirinhas do rio (Valbom, Casalinho de Santana e Várzea de Pedro Mouro (concelho Sertã)). Em vales perdidos, encontrei inúmeras plantas novas, que desconhecia, um sistema húmido com grandes ribeiras, pequenas cascatas, cachoeiras frias, quedas de água sazonais com vários metros de altura.

Por tudo isto, a primeira sensação que se fica ao se entrar num bosque seco de azinheiras e carvalhos na área cársica, é a de se estar num país diferente, quase exótico. Eu tive apenas 10 minutos de intervalo no trabalho para explorar o bosque e esses 10 minutos não foram suficientes para explorar um só metro quadrado do bosque, tal era a biodiversidade. Eu nunca tinha visto nada assim. É verdadeiramente impressionante! Reconheci o aroma da erva-de-santa-maria de que só nas cozinhas havia sentido. Havia cardos estranhos, plantas espinhosas de que não vislumbro a família a que possam pertencer, fabáceas/leguminosas em número e formas incríveis, enfim, creio que só reconheci uma ou outra planta comum na minha aldeia, todas as outras eu nunca tinha visto. Mas a grande surpresa foram as orquídeas nativas que só em catálogo tinha contemplado. Impressionantes! De uma beleza extraordinária! Não resisti a trazer 2 Anacamptis pyramidalis para o meu recém-criado cantinho das orquídeas nativas do meu jardim. Havia também inúmeras Barlia robertiana, de que não trouxe nenhum exemplar porque já tinha um de uma outra oportunidade em que as avistei perto da rotunda da Vila Nova, onde trabalhei. Eu sempre tenho trabalhado na zona limítrofe entre cársico e a área "normal" e, por isso, só agora se deu a oportunidade de confirmar, presencialmente, que a biodiversidade que o Dr. defende existe mesmo, e é realmente impressionante.

Conhecendo tão pouco do concelho, e perante tão grande diversidade, questiono-me como foi possível, durante 8 anos em que estudei na escola secundária de Alvaiázere, nunca terem organizado uma visita de estudo dentro do concelho.

João Paulo Forte disse...

Sim Alexandre, Alvaiázere encerra tesouros inimagináveis e é por isso que eu sou tão incisivo nas minhas acções, urge preservar este património, biótico ou abiótico.
Mais uma vez te peço para te deixares de prefixos quando te referes à minha pessoa, João chega e sobra!
Esta história do abaixo-assinado tem muito que se lhe diga e não, não perdemos a batalha, ganhámo-la!! A hipótese 1, que eu sempre defendi acerrimamente, é a que mais serve Alvaiázere, mesmo apesar de passar dois ou 3 km ao lado. Desta forma preserva-se um património por potenciar e que pode significar muitos postos de trabalho, preserva-se a qualidade de vida das populações e ficamos todos a ganhar.
O que tens ouvido nos media, nomeadamente no Jornal de Leiria que saiu hoje (12 de Maio), são apenas "gritos de desespero" por quem não tem a razão do seu lado, nem argumentos para rebater factos técnicos e científicos concretos. Pessoalmente considero, a confirmar-se oficialmente, que a vitória da hipótese 1 é também uma vitória pessoal, já que a defendi com argumentos técnicos e científicos, baseando-ne em factos e não em meras opiniões desprovidas de fundamento e seriedade institucional, temos de acabar com as capelinhas...

Eu, apesar de conhecer quase muito bem Alvaiázere (a pé e não de moto 4....) descobri a semana passada algo que ainda não foi referenciado por ninguém, um local simplesmente fantástico (mais um...), brevemente irei divulgar o mesmo!
Nunca nos podemos gabar de conhecer na totalidade um concelho, há sempre mais para descobrir, como tiveste a oportunidade de ver in loco, descobriste o que eu sempre afirmei, há em Alvaiázere muito tesouro virgem da acção muitas vezes nefasta do Ser Humano... urge preservá-lo!!
Agir é uma palavra de ordem, pois muitos destes locais não estão garantidos...

Abraço