domingo, 18 de maio de 2008

Acessibilidade Rodoviária para Alvaiázere - IC3: Não assinem a petição pois o intuito é manipulador!

Andava eu pela web quando vi uma petição que começou à poucos dias a rodar pelo mundo virtual, parecia interessante pelo facto de tratar de um tema que a todos nós interessa, o IC3, mas depois de começar a ler o conteúdo vi que é nada mais nada menos do que uma tentativa desesperada de lobbys interessados em fazer vingar uma hipótese de traçado do IC3 que já perdeu, ou seja a hipótese 2 é a hipótese perdedora!
Esta petição não traduz a manifestação de vontade e querer das gentes do Concelho de Alvaiázere, do Distrito de Leiria e de toda uma região, é falso!
Estou perfeitamente à vontade para falar abertamente e de forma imparcial deste tema, trabalhei 3 anos por terras de Alvaiázere, área que muito aprecio e defendo com unhas dos lobbys que dela se querem acercar! Trabalhei vários meses nesta pasta e a conclusão geral foi a de que hipótese fundamentada é a nº 1, opinião partilhada pelas Estradas de Portugal!

Esta petição tem por objectivo tentar alterar a opinião das pessoas que estão escandalizadas com o facto de se andar a querer impingir uma pseudo-hipótese de traçado para o IC3 no que toca à sua passagem em Alvaiázere, não tem fundamentos técnicos nem éticos, porque é o seguimento de um abaixo assinado que manipulou a votação das pessoas, manipulando desta forma a opinião das pessoas, as quais foram convidadas ( do forma muito insistente...) porta a porta a assinar um papel que apenas tinha o local para assinar e não tinha num mapa explícito as hipóteses de traçado em jogo...
Noto que a Estradas de Portugal já decidiu o traçado a elaborar (garantindo as ligações!!), que será a hipótese 1, a qual tem menos impactos ambientais, sociais e mais impactes económicos (positivos). Está-se a tentar desesperadamente inverter as regras legais instituídas, referindo-me eu ao facto de que a hipótese 1 é a que tem defesa técnica e não a 2!
Menos impactos ambientais porque evita a destruição e afectação de áreas tão importantes como e Rede Natura 2000, Zonas de infiltração máxima, carvalhais, estradas romanas etc. Menos impactos sociais porque evita extensas áreas com edificações, nomeadamente de jovens que se implantaram nesta área. Pena é que os poucos que defendem a segunda hipótese não referem o facto de terem de ir casas abaixo, porque será? É a qualidade de vida das populações que está em jogo....
Relativamente aos impactos económicos porque promove um ordenamento territorial equilibrado, não sobrecarregando uma área já muito afectada por uma via de comunicação, a EN110. Todos podemos observar a selvajaria que é a área em redor da EN110!
Além disso, já há uma via de comunicação excelente, que é a EN 348, a qual curiosamente passa por uma das zonas indústriais do concelho, sendo que a outra zona indústrial fica ao lado da EN110... (o argumento base dos lobbys é que precisariam de uma estrada para servir as zonas indústriais, mas afinal elas já estão bem servidas...)

Neste blog já tratei esta questão (http://azinheiragate.blogspot.com/2008/03/o-famigerado-ic3.html) e por isso não vale a pena estender o assunto, espero no entanto que todos vós se apercebam que andam a fazer jogo sujo com esta questão, será desespero?

Quando vos pedirem de forma insistente para votarem numa qualquer sondagem, abaixo-assinado ou petição vejam bem o que está nas entrelinhas, assim evitam comprar gato por lebre...

Ps. Eu sei que sou "chato", mas a defesa de uma região tão bonita e das suas gentes está em primeiro lugar, mesmo que seja chato por vezes....

Notas de imprensa sobre a questão:

Jornal Sol 7 de Março de 2008

«« «Todos os municípios, entre Alvaiázere e Lousã, escolheram como opção comum o traçado pelo lado nascente, pois em termos de plano rodoviário não faz sentido o traçado poente, que encostava a estrada mais para o litoral», afirmou hoje à agência Lusa o presidente da Câmara de Penela, Paulo Júlio.
O autarca social-democrata entende que o IC3, «numa tipologia de auto-estrada, é fundamental para o desenvolvimento de todos estes territórios e o único que serve os municípios de Miranda do Corvo e Lousã»
«O IC3 tem uma importância política estratégica entre Tomar-Coimbra, em territórios que nos últimos anos, por falta de boas acessibilidades, perderam população», frisou Paulo Júlio.
Em comunicado, a Câmara de Miranda do Corvo considera que se o Governo optar pelo traçado nascente é uma decisão «de grande justiça para um conjunto de concelhos que, apesar das infra-estruturas rodoviárias criadas nos últimos anos por todo o país, têm ficado sistematicamente esquecidos».
Na terça-feira, aquela autarquia juntou, numa reunião, os presidentes das juntas do concelho com os de Torres do Mondego, Ceira e Almalaguês (Coimbra), freguesias directamente abrangidas pela passagem da estrada.
Da reunião, saiu uma posição de defesa conjunta do traçado denominado «solução 1», que passa a nascente de Penela.
Também a associação ambientalista Quercus emitiu quinta-feira parecer favorável à «solução 1 (traçado a nascente de Penela) em termos gerais, com algumas correcções, e parecer negativo às alternativas da «solução 2» que atravessam a Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura Sicó-Alvaiàzere e a Mata Nacional de Vale de Canas em Coimbra».
O IC3 terá um perfil de duas faixas em cada via, com uma largura total de 24,1 metros, com uma via de lentos nos trechos mais inclinados, estando prevista a construção de três pontes sobre os rios Corvo, Ceira e Mondego. »»

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